Publicado em 11/03/2010 09:13

O canto do pracista 7º cap.

A partida de Tereza se consumou. Numa noite de grande chuva do dia quatro de outubro de 1983 Tereza partiu e deixou seu amor

Mas diante de suas tentativas de sucesso, Nelson tinha que apesar da frustração se manter firme. Criar dez filhos  não foi brincadeira. Além deles ainda havia crianças de vizinhos, de parentes que estavam sempre a  freqüentar a casa do casal.

A geladeira  vivia sempre cheia de marcas de mãos sujas de graxa. A casa nunca ficava limpa;  pois era um entra e sai sem medidas. Pela deficiência visual de Tereza sempre havia ajudantes na casa. Durante as traquinagens cometidas pela molecada  podia ser ouvido pela casa toda as gargalhadas dos pestinhas. Muita gente de Inhumas vivia sempre por ali. As amigas mais freqüentes, amigos e fregueses.

Todos estudavam e trabalhavam. O momento especial para essa turma era quando Tereza na sua bondade de alma resolvia dar banho e cuidar de MARIA PETECA. Ela uma portadora de deficiência mental, que vivia em Inhumas e em seus repentes se alguém a chamasse de MARIA PETECA ela levantava as saias e como  nunca usava roupas íntimas. Então tinha aqueles senhores conservadores da época, que pegavam pedaços de corda de bacalhau e açoitava a pobre mulher até que lhe sangrasse o corpo.

Tereza pedia que a buscassem e lhe dava banho, colocava  roupas e lhe dava o que comer .Era ela a protegida de Tereza. A turma  de meninos estudaram no Instituto de Educação  sob a direção de um homem muito competente e exigente conforme a educação da época.

Ele era criativo. Na época do aniversário de Inhumas todos os alunos tinham ocupações pois teriam que  representar a escola no seu mais alto grau.

O ANIVERSÁRIO DE INHUMAS

Dia 19 de março era especial. Desfile pelas ruas, banda, gincanas, atos cívicos inundavam a cidade. Era tudo preparado com a alma de nossos estudantes e mediante a orientação  do SENHOR DIRETOR.Tenho certeza que ele conseguiu deixar impregnado em seus alunos,  valores morais e éticos que jamais foram esquecidos...os quais  seriam imprescindíveis em suas formações como cidadãos bons para suas famílias e sucessivamente para a sociedade como um todo.

A prefeitura organizava na cidade as corridas de kart que acontecia na Praça São Sebastião. Era o máximo... tinha  também as corridas de motocross. Os rapazes eram ídolos e as moças se arrumavam por horas para verem seus heróis participarem destas aventuras radicais. Na quadra de esportes aconteciam as gincanas escola x escola. Esta turma não pode negar tiveram uma adolescência de fazer inveja. 

Os filhos foram casando... a casa continuava sempre cheia. E o amor do casal foi sobrevivendo aos obstáculos. Nelson tinha um grande sonho... FAZER UM CURSO SUPERIOR, mas  só mais tarde é que este sonho se  realizaria.

Com o passar do tempo os filhos foram crescendo. Tereza em meio a confusão de agora ter em casa sete rapazes, gostava de brincar com os filhos. Brincava de lutar com aqueles rapagões e eles aproveitavam a fragilidade da mãe e muitas vezes a derrubava no chão e a sujava toda com a poeira vermelha  da rua João Jorge Sayum. As risadas ecoavam pelo vento trazido pelo balanço forte de um pé de ficus( árvore de grande porte com raizes aéreas)  que havia na lateral do terreno.  Os filhos tinham na mãe a amizade e cumplicidade. A mente de Tereza estava à frente de seu tempo pelos menos uns cinqüenta anos; por este motivo ela conseguia brincar com os filhos homens como se não tivesse nenhuma deficiência e era como se suas idades fossem  a mesma . Ela era uma mulher vaidosa, gostava de estar sempre  de banho tomado, unhas feitas usando sua fragrância de perfume preferida,  leite de rosas. A temperatura de sua pele era bem fria, isso  fazia que ela sempre tivesse uma pele clara dotada de um frescor natural.Em meio a tantas brincadeiras e molecagens , Tereza vivia ali com seu amor Nelson e  filhos, netos,  e amigos.

Certa noite Tereza teve um sonho com uma antiga amiga já falecida, e que dizia a ela que uma doença incurável estava por vir. Mas nada mudou o curso do destino... a vida não teve clemência. Tereza logo descobriu que estava doente estava acometida por ca. Tento aqui descrever,  o sentimento que explodiu em seu peito ao saber da gravidade da doença.

O QUARTO

O quarto que existe em minha mente...

Estou neste quarto, esperando que alguém me tire dele. Nele as sombras e o vento gelado percorrem todo o seu espaço... sinto que estou num lugar longe do chão...nele só sinto solidão... A noite prevalece sobre o dia, e o sol... nem aparece para iluminar as trevas que me rodeiam... Sinto meus cabelos embaraçados... há dias não os penteio... pois eles se soltam no chão.Não tenho vontade de lavar meu corpo... sinto que estou mutilada... Quero acordar mas não consigo... só me lembro de meu pai...

Da menina que ficou trancada no quarto... Longe de seus irmãos... quero acordar e não consigo... estou trancada no quarto da minha mente... um vagalume quebra a escuridão... e vejo que não estou só... Sinto o prazer de  estar no colo... acalentada pelo criador... O quarto da minha mente mentiu... DEUS ESTEVE SEMPRE JUNTINHO DE MIM...

Como um pássaro que entoa seu canto triste por detrás de uma maldosa gaiola... Tereza viveu sua dor... a vida esvaía pelo sopro do vento... Com os ossos insalubres como o deserto... ainda queria viver por amor... Lutou, lutou,lutou... a dor resistiu...as trevas ela iluminou...seu sol brilhou...

E em meio ao nevoeiro da doença que lhe sugava a vida... Veio a menina borboleta... Com vôos rasantes sobre o leito de dor... No rosto pálido de sua mãe...  soprou... O hálito da menina se fez presente e Tereza sorriu...

Estava  ela diante do criador... Seu fio de prata se quebrou... e fez calar o canto da andorinha  que vivia em seu ser... Deixou seu amor ... triste... com o coração cheio de dor...

A indagar todos os dias de sua vida: _ onde estará meu amor?

Tereza

A partida de Tereza se consumou. Numa noite de grande chuva do dia quatro de outubro de 1983 Tereza partiu e deixou seu amor... triste, sozinho, sem mesmo ter voz para cantar... a pessoa que encantou a sua vida o deixara sem mesmo se despedir. Somente suas dores e angustias permaneceram entre as paredes da casa. E seus filhos puderam sentir a dor de ficarem órfãos...

Mara Arantes Costa

Mara Arantes Costa

Nasceu em Inhumas aos 24 dias do mês de dezembro de 1958, filha de Nelson Arantes Costa e Terezinha Lôbo Costa.
Busca transmitir aos inhumenses a importância dos fatos históricos ocorridos e fundamentaram o passado da história dos cidadãos inhumenses. Busca mostrar a força contida nos filhos da cidade das Goiabeiras.

COMENTÁRIOS

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Lista de Comentários

tiago
11/05/2010 14:24

cade vc?

mara cade vc sumiu? onde esta o restante do livro o canto do pracista? bjs
Marcos Indalecio
12/04/2010 18:28

Dona Tereza inesquqecivel

Pode conviver com essa pessoa maravilhosa na minha infancia e sempre posso lembrar como era uma pessoa muito especial grande ideia comentar sobre alquem que foi tao especial em nossas vidas parabens.
lays
03/04/2010 18:12

e o livro?

mara estou ansiosa para ler o livro. quando será o lançamento? quase não te vejo mais online. o que foi? problemas????????? abraços lays
marta bosco
30/03/2010 08:36

emocionante

Para mim foi uma leitura emocionante, pois fiz parte deste momento em que ela sempre demonstrou a presença de Deus e a aceitação de tudo.
adelmo
24/03/2010 17:39

parabens

parabens... lindo... voce consegue descrever a morte em frases poeticas. parabens
ELIZABETH
15/03/2010 03:43

saudades!!!!!

MARA, me doi ate hoje a falta de sua mãe...hoje mais do que numca eu sinto isto.. pois no dia 07/03 a minha mãe se foi...agora eu sei que tenho duas mães juntas no céu...continue com sua linda mensagem...
rosana
14/03/2010 18:03

sem palavras

li o setimo capitulo no dia em que foi postado. somente hoje consigo comentar. estou emocionada. voce se fez leve até para descrever a morte. espero que seu livro saia em breve. abraços