Publicado em 08/07/2008 10:41

Tempo de começar a fazer!

Há tempos o ensino era transmitido de forma rígida. Hoje, não se sabe mais fazer um filho sentar e estudar...

Há muito tempo atrás, muito antes da minha geração existir, o ensino era transmitido de forma rígida, onde o aluno ouvia o professor, não questionava, não brincava em sala, não deixava de fazer as tarefas, estudava muito sozinho porque a maioria dos pais não sabia ensinar o conteúdo que era visto na escola; os mais novos respeitavam os mais velhos e admiravam a sabedoria que eles tinham: sabiam a hora certa de plantar, colher, podar, semear, sabiam quando comeava cada estação, e qual a lua certa para podar as plantas, as madeiras, colher certas ervas medicinais, sementes e frutas; sabiam como madurar rápidamente uma fruta sem nenhum produto químico. Faziam conservas, embutidos, defumados mais saborosos e melhores do que compramos hoje em latas, congelados ou em pacotes.

Determinavam com precisão os pontos cardeais, montavam e desmontavam seus instrumentos de trabalho, enfim, tinham grandes conhecimentos e sabedoria. Os jovens e as crianças se juntavam em torno deles para ouvir suas histórias e a de seus pais, de seu país, os contos e lendas que eles conheciam. Os aniversários e Natais tinham como valiosos presentes um brinquedo, um livro de literatura ou o material escolar para o próximo ano.

ramos felizes e no sabamos!....

Nossos avôs nos ensinavam a empurrar com a língua e a mão os dentes tortos, corrigiam nossa postura com paus de vassoura; nos ensinavam a andar corretamente, a vestir com elegância, a usar talheres, copos e pratos como se nascêssemos com eles nas mãos. Quanto cuidado, quanta ateno, quanto esmero...

Hoje, não se sabe mais fazer um filho sentar e estudar, dizer bom dia, ou boa noite, por favor ou me desculpe; os jovens não têm mais valores para serem seguidos, no sabem o que bom ou mau; desconhecem normas e leis. Vivem como se fosse o último instante de sua vida, com sede do desconhecido, sem medo, sem nada...

Não há delicadeza, respeito, ateno; fazem o que desejam sem se preocupar com consequências e, quando elas chegam, rapidamente transferem a responsabilidade para os pais ou irmos mais velhos. A culpa sempre dos outros. Não pedi para nascer, nem para viver. Queria pais ricos, boa vida, serviçais para me atender e não tenho nada, mas quero tudo. Quero ser, fazer, acontecer, não importa como.

O tempo passa, chega a fase adulta, mas não chega a responsabilidade, o amadurecimento e o indivíduo continua batendo a cabea, errando aqui e acolá. Põe filhos no mundo, mas não constitui família, para quê? Já não basta a sua que está destruída?

E o tempo continua; clere, inclemente, a idade chega, o cansaço vem, o corpo esmorece, não consegue acompanhar a vida que continua em desatino; não consegue acompanhar o crebro que fervilha diante do mundo maravilhoso que se descortina longe de seus braços. Sem estudo, sem dinheiro, sem trabalho, sem família, percebe que é muito tarde para começar, entristece, perde o vio, tenta manter a pose mas a vida é mais forte e o tempo quebra o orgulho, a insensatez, o poder que julgava possuir de segurar todas as situações ruins e, agora vencido pela vida, pelo tempo.

Cada dia, cada minuto em nossa vida, estamos caminhando pela estrada de nossas vidas. Saltamos obstáculos, pegamos atalhos, ficamos indecisos nas encruzilhadas, caímos, levantamos, nos machucamos, mas continuamos nossa ida, passo por passo rumo ao desconhecido, rumo a um futuro previsível em que qualquer ser humano, mesmo que no seja vidente, consegue enxergar com exatido o destino, só nós que muitas vezes teimamos em não ver e quando nos apercebemos da realidade, não há mais retorno e toda tentativa de melhorar resulta em atraso, mas não em perda de tempo. Sempre é hora de recomeçar mesmo que um minuto depois nossa vida se encerre. Este é o tempo de fazer.

Maria Cristina Fungaro Baragatti

Maria Cristina Fungaro Baragatti

Professora nos diferentes níveis do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Ensino Superior. Bacharel em Ciências Econômicas e Administração de Empresas, pela Universidade Braz Cubas, SP.
Especialista em: Métodos e Técnicas de Ensino(UNIVERSO), psicopedagogia Clínica(Universidade Evangélica de Anápolis, GO), docência Universitária(UEG), alfabetização, braille e sorobã para cegos. Cursando: Pedagogia(Universidade Interativa COC), Español Superior, pela (UEG); Mestrado em: Neuropsicologia, pela Universidad VillaNueva, de Madrid, Espanha

COMENTÁRIOS

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Lista de Comentários

Antero Vilas Boas
13/08/2008 18:51

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interessante essa obra do tal Lee. Gostaria de comprar.
Lama
07/08/2008 03:19

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Gostaria de convocar a municipalidade para uma reflexão sobre a pansexualidade. Nos dias de hoje sabemos que o amor é algo raro e deve ser cultivado ao extremo. Segundo o sociólogo Bernado Jacinto Pinto, o amor é um bem simbólico distante na pós-modernidade. Por conta disso, acreditamos que a pansexualidade (sexo com tudo e com todos) deve ser ensinada para nossos jovens em idade púbere. Afim de divulgar nossas práticas, gostaríamos de recomendar para o internauta municipal a célebre obra do escritor Cambojado Lee Shu Wan, intitulada Língua e escapamento: diálogo psicanalítico sobre sexo com motores. Na obra de Lee, encontramos o conceito de pansexualismo pós-moderno tântrico: Sexo seguro com objetos inanimados que vão desde turbinas de avião até crucifixos velhos e que tem como finalidade a integração do homem-máquina. Em consequência, o sujeito posteriomente poderia se sentir incluído na era digital se estabelecesse uma relação do tipo sexo oral com o código binário 010101 (2004, p.l 7.897).