Publicado em 27/08/2007 23:20

A sociedade da Informação

Artigo interessante publicado no site www.contecgo.com.br e no jornal Diário da Manhã

A Sociedade da Informação - Estamos prontos?, por Raquel Teixeira

O instituto de pesquisas britânico Economist Intelligence Unit acaba de apresentar um ranking de 64 países avaliando o ambiente para o desenvolvimento da indústria de tecnologia da informação (TI). Seis indicadores foram usados: o ambiente de negócios em geral, a infra-estrutura de tecnologia da informação, o capital humano, o ambiente jurídico, o ambiente de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e o apoio ao desenvolvimento da indústria de TI. O Brasil ficou em 43º lugar, tendo na infra-estrutura e no ambiente de P&D suas piores notas. Outra área de fragilidade é a de capital humano.

Segundo o sociólogo Manuel Castells, a se perpetuarem as desigualdades digitais no mundo, delineia-se uma crise a partir da marginalização dos países que não optarem pela imersão na Era da Informação. O assunto é tão grave que foi criada uma Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, que, reunida em 2003, em Genebra, e em 2005, na Tunísia, produziu dois documentos: uma Declaração de Princípios, que trata da educação, conhecimento, informação e comunicações como pilares para o progresso humano, e um Plano de Ação, que prevê, entre outras coisas, a criação de um Programa de Solidariedade Digital e define uma meta de oferecer acesso às TICs a, pelo menos, 50 da população mundial até 2015.

A inserção plena do Brasil na Era da Informação ainda é uma realidade distante. Apesar do discurso, a atitude governamental e legislativa em relação ao assunto é lenta e insuficiente; falta engajamento da maioria da classe política e dos governantes na solução dos problemas da infoexclusão. Não há planejamento de longo prazo de construção e desenvolvimento de um modelo nacional bem definido de Sociedade da Informação. Apesar dos avanços que obtivemos nos últimos anos, nossos indicadores são muito ruins: apenas 13,9 da população tem acesso à internet. Desses, apenas 42 acessam de casa e 6,7 têm banda larga. Os usuários são maciçamente jovens (46,3, entre 16 e 24 anos; 29,8, entre 10 e 15 anos; 26,5, entre 25 e 34 anos), que usam a internet para correio eletrônico (75), bate-papo (41), mensagem instantânea (42), conteúdo audiovisual (35) e rádio (40).

O maior entrave à popularização das TICs é a baixa renda média do brasileiro. Em um país, como o nosso, em que apenas 4,1 da população tem renda acima de 10 salários mínimos, é irreal pensar que o computador irá se popularizar como a televisão, por exemplo. É preciso que o mundo político, empresarial e a sociedade em geral definam o esforço conjunto que deverá ser feito para a consolidação, entre nós, da sociedade do conhecimento.

Rio Verde realizou, entre os dias 15 e 17 de agosto, sua 1ª Mostra de Serviços em Informática. A prefeitura e o SENAC se juntaram para, com o apoio da Comtec (Comunidade Tecnológica), oferecer palestras, debates e oportunidade de encontro entre empresários do setor de TI, empresários de outras áreas, que usam os serviços de TI, estudantes universitários e sociedade em geral, criando uma cultura tecnológica sem a qual não seremos parte atuante do mundo em que vivemos.

Conhecimento é como amor: aumenta quando compartilhado. Para que esse compartilhamento do conhecimento aconteça, é preciso que os parlamentares e os órgãos governamentais responsáveis atuem junto com as entidades do setor para equacionar questões como qualificação profissional, desoneração da folha de pagamento, mudanças no modelo de tributação do segmento, além, é claro, das questões de infra-estutura, de formação educacional, científica e de inovação. Sem isso, não estaremos prontos para a Sociedade da Informação.

 

Raquel Teixeira

Deputada Federal

 

Matéria publicada no Diário da Manhã

20/08/2007

Jerônimo Martins

Jerônimo Martins

MBA Gestão de Tecnologia da Informação - Fac. ALFA; Especialista em Redes de Computadores - PUC Goiás; Graduado em Ciência da Computação - Fac. Objetivo.
Administrador de Infra-estrutura de TI do SESC Goiás.

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