Publicado em 15/05/2006 19:21

Comissão de Folclore

A fundação da comissão municipal de folclore de Inhumas, faz com que a cidade se destaque na cultura goiana.

Fundação da Comissão Municipal de Folclore de Inhumas

                Inhumas, mais uma vez, torna-se referência municipal para se pensar cultura no Estado de Goiás.
              No último dia 26 de março estiveram reunidos, nas dependências da Subsecretaria Regional de Educação de Inhumas, grandes intelectuais da goianidade que tecem com suas experiências, valores e conhecimentos, a colcha de retalho que recobre o chão goiano.
              A razão desta visita sistematizou-se em torno da fundação da Comissão Municipal de Folclore de Inhumas. A terra das goiabeiras teve o privilégio de ser o segundo município a ser agraciado pela Comissão Goiana de Folclore, cuja presidência encontra-se bem centrada nas mãos laboriosas de um grande escritor e pioneiro goiano, o Waldomiro do Bazar Paulistinha, homem cuja representação foi eternizada na voz e no pagode do mito caipira Tião Carreiro (Pagode em Brasília); falo com todo entusiasmo de Bariani Ortêncio.
               Ainda no evento estiveram presentes grandes intelectuais de renome internacional e nacional como o Prof. Dr. Jadir Pessoa de Moraes, sujeito de expressividade, goiano do pé rachado, oriundo da cidade de Itapuranga e especialista em conhecimento popular e folclore; e a escritora Alice Spíndola.
               Completando a galeria de intelectuais estiveram presentes: a Presidente da Alcai, Umbelina Frota; a poetisa Elma Paranhos; o escritor Valdemes Menezes;o jornalista e maestro, Claussius Silva de Souza; a Secretária Municipal de Cultura, Fátima Naves; a Diretora da UEG - Inhumas, Prof. Anália Cássia; a Presidente da Câmara Municipal, Maria José Pacheco; o Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Inhumas, Prof. Ms. Gleidson de Oliveira Moreira; o Presidente do Instituto Global Comunitário, Prof. Daniel Rubens; o Diretor de Arte do TUDOIN, Beto Lemes;  e entre outros.
               A Comissão ficou assim composta: Presidente - Cleumar de Oliveira Moreira; Vice-Presidente - Marcondes Rodrigues dos Santos; Presidente de Honra - Bariani Ortêncio; Secretário Geral - Gleidson de Oliveira Moreira; Tesoureira - Helena Augusto Vila Verde Tito.
               Com o intuito de garantir a funcionalidade desta nova instituição inhumense foram implantados dois departamentos e um conselho consultivo. O primeiro departamento o de Educação e Comunicação está sob a dirção da Prof. Anália Cássia Gonçalves, enquanto que o departamento de Música e Eventos sob a direção do Prof. Daniel Rubens; no tocante ao conselho consultivo este está sob a direção de Umbelina Frota, seguida pelos demais conselheiros, Elma Paranhos, Valdemes Menezes e Fátima Naves.
                Partindo da premissa de que o conhecimento, atualmente,  único e exclusivo, só tem validade universal, se for produzido pela ciência, pela relação epistemologia/empiria, reluto este determinismo e trago a tona algumas preocupações que são fulcrais para se pensar a produção do conhecimento. Priorizarei assim outra possibilidade.
                A possibilidade que externo agora é aquela que revela o conhecimento popular,  o saber do povo,  a cultura popular. São as maneiras de pensar e sentir de um povo, é oesse patrimônio cultural que defino como vias folclóricas.
                Chamo a atenção para valorar as músicas (cantigas de roda, desafios, folias, recortado, congadas, modinhas), religiosidade (rezas, festas, magias, superstições, quermesses), culinária (doces, cachaça, licores, rapadura, empadão), trato com as doenças (emplastros, chás, simpatias, promessas, banhos, benzeções, garrafadas), habilidades manuais (fabrico de instrumentos, ferramentas, bordados, cestaria, trançados, utensílios, móveis, rendas, fiação, partos), e as  habilidades artísticas (danças, teatro, catira, literatura de cordel, brinquedos).
                Esse dito patrimônio cultural popular tem sido banido pela chamada academia, diga-se de passagem, pelo debate sistêmico impregnado por um plasma dialetizador. A explicação desse desprezo faz-se pelo caráter da verossimilhança produzida com exclusividade pela universidade, em seus laboratórios, sendo mais uma vez marca excludente e elitista daqueles que se dizem produtores da verdade absoluta ou universal.
                Pensando neste processo paulatino de destruição da cultura popular penso que esta ação majorada pela Unesco, cuja representação estadual faz-se na pessoa de Bariani Ortêncio, tem como meta retomar o conhecimento popular, revalorar as tradições do povo, dar sentido e significado à vida daqueles que foram marginalizados por um universo intelectual maniqueísta.
                A ciência tem resfriado os sentimentos do homem. É o que chamamos de processo de marmorização. Os presentes gerações têm experimentado esta realidade e como consequência não  disponibilizarão às futuras gerações esse patrimônico demiurgo do campo, patrimônio que não reverbera o saber dos vencidos. A ciência e a modernidade se cristalizaram com o discurso do desencantamento do mundo, momento em que o alvo das críticas e das desconstruções tornou-se a tradição.
               Pensando neste desintegrar do encantado, ou seja, na produção social vinculada às práticas tradicionais, essa comissão visará desenvolver ações e estudos que alavancarão o patrimônio cultural popular em Inhumas.
              Assim as principais metas desta comissão são: mapear os acontecimentos folclóricos existentes no município (em atividade ou desaparecidos); desenvolver materiais e ações didáticos pedagógicos em todos os níveis de ensino (básico e superior);  formar sujeitos conhecedores de sua própria história e cultuadores de sua memória, estes que são dois grandes marcos para se pensar identidade social.
             No mais, saliento que a Comissão Municipal de Folclore de Inhumas terá um árduo trabalho a realizar. Contudo, mesmo consciente de que o contraponto do senso comum é o senso crítico, foram alicerçadas parcerias com a Universidade do Estado de Goiás, através do Núcleo de Estudos sobre o Folclore; com a ONG - Instituto Global Comunitário; ALCAI; Prefeitura Municipal, através das secretarias de Cultura e Educação; e com o IHGI - Instituto Histórico e Geográfico de Inhumas, companheiros imediatos nesta empreitada.

            Percebe-se que as preocupações em preservar o conhecimento popular não é exclusivamente uma meta da Comissão Municipal de Folclore, sobretudo, é uma preocupação também de orgãos e intituições municipais. Assim chega-se a conclusão de que é possível fazer ciência, lançando olhares e mãos sob a produção dos grupos sociais não agraciados pela erudição, demonstrando, sobretudo, a polidez do tabaréu e a sapiência do sertanejo.

Cleumar de Oliveira

Cleumar de Oliveira

Graduado em História pela UFG, Mestre em História das Sociedade Agrárias - UFG
Professor universitário na Faculdade de Anicuns; Professor nos Cursos de Graduação e Pós-Graduação da UEG; Vice-Diretor e Professor dos programas de Graduação em Licenciatura Plena Parcelada em Pedagogia, Licenciatura em Pedagogia, Pós-Graduação em Docência Universitária da Universidade Estadual de Goiás;Presidente do Conselho Municipal de Folclore de Inhumas- UNESCO; Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Inhumas; Autor do Livro História do Legislativo Inhumense;

COMENTÁRIOS

Comentar usando as redes sociais

Caixa de comentários TUDOIN


Resposta ao Comentário (Cancelar)

Lista de Comentários

Flávio Arcanjo
17/11/2006 15:48

congratulações

Prof°. Cleumar, meus parabens pelso seus empreendimentos ai na nossa goiabeira, sucesso. um abraço fraternal do Arcanjo. Obs. somente hoje foi que descobri esta pag. de Inhumas, fiquei muito contente.
Valéria Antônia Custódio
04/07/2006 12:50

q bom ter um site como o tudoin

QUE LEGAL!! QUE BOM SERIA SE O Sr. CLEUMAR NOS DESSE UMA PALESTRA SOBRE O FOLCLORE, EM PROL DO CONHECIMENTO DE NOSSAS CRIANÇAS DA LBV.
José Pacheco da S. Júnior
19/05/2006 11:27

É de grande valia...

Resgatar a nossa cultura popular, trazendo de volta os acontecimentos folclórios que estam desaparecendo. A sociedade inhumense precisa conhecer sua própria história!Parabéns à Comissão Municipal de Folclore de Inhumas!!!
Leandro Toledo
18/05/2006 16:23

Inhumas privilegiada.....

Cleumar, parabéns ficou muito bom sua matéria, continue assim levando o conhecimento a todos, muito sucesso...Abraços...