Publicado em 17/12/2009 04:37

Como vencer em vestibular

Incomum episódio me ocorreu no Rio de Janeiro, quando era a capital da República.

Incomum episódio me ocorreu no Rio de Janeiro, quando era a capital da República. Foi no Ministério da Educação (aquele prédio que serviu de modelo para o edifício da ONU em Nova Iorque). Sem dinheiro para concluir o secundário (queria fazer o curso Clássico, para depois enfrentar exame vestibular visando o curso superior), peregrinei por salas e salas  pedindo uma bolsa de estudos... e nada. Revoltado, só recebendo “não” por onde passava, perdi a cabeça. Dei um chilique num dos andares do prédio, gesticulando trêmulo, gritando: “É por isso que esse País não vai pra frente!... É por isso, é por isso!... Eu quero estudar, eu quero estudar, eu quero estudar!... Ninguém do governo me ajuda! Ninguém!...”

No corredor em que eu gritava descontrolado, muita gente saía das salas para ver o rapaz louco. Raivoso e triste, eu ainda gesticulava e tremia um pouco ao esperar o elevador para descer. Nessa hora, ao abrir a porta, surgiu atrás de mim uma mulher que não me deixou entrar no elevador. Ela me agarrou pelo braço e disse: “Venha cá”. E foi me puxando até uma sala, onde pediu minha identidade, indagou qual o curso que eu pretendia fazer, mandou datilografar um documento (na época era na máquina de escrever) e me entregou o tal assinado. Ao lhe perguntar o que era aquilo, ela  me respondeu: “Menezes, agora você pode estudar. É uma autorização para você fazer o Clássico”. Ainda perturbado, eu lhe perguntei: “Mas onde?”. Ela me esclareceu: “Onde você quiser. Em qualquer colégio do Rio de Janeiro”. Sem saber se aquilo realmente funcionava, peguei o papel e fui embora como pássaro perdido. E funcionou; escolhi o Colégio Juruena, na praia de Botafogo. Lá, durante 3 anos, estudei e concluí o sonhado curso Clássico. Graças a ele, enfrentei o exame vestibular de Direito e passei na Universidade do Distrito Federal (hoje é a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, UERJ). Anos depois, já cursando a universidade, me deu um estalo: queria saber o nome daquela maravilhosa mulher que me arranjara a bolsa de estudos (na época, revoltado, não me lembrara de agradecer o bem que me fizera). Fui ao Ministério da Educação (Rio), localizei a sala de onde saíra o documento anos antes, procurei por minha benfeitora, mas, infelizmente, ninguém sabia sobre a mesma, nem seu cargo nem seu nome. Estranho!... Aí, então, só me restou, para sempre, um triste silêncio de quem nunca se esqueceu daquela mulher.

O aqui narrado é para alertar aos que pretendem cursar alguma coisa e não têm condições financeiras. Para vencer é estudar, ler muito, ter força de vontade, ser corajoso e agir com calma. Não sigam o meu exemplo de quando jovem, na parte do desespero. Os tempos são outros, as oportunidades são maiores e cabeça no lugar ganha ponto. Os corajosos vencem. Querer é poder.

Valdemes Menezes

Valdemes Menezes

Trabalhos executados na área de cultura regional. Escreveu as seguintes obras: O Pistolão, O Portão de Deus, O Grande Momento, A Recuperação do Preso e a Segurança do Povo, A invasão do Brasil. Muito Prazer Europa, O Pai do Disco Voador
Radicado em GO e nascido em MG(Ituiutaba), já passou por muitas e outras, de menino rico a jovem pobre. Formou-se com dificuldade no RJ, e, sozinho conseguiu alçar seu próprio vôo: foi redator da então poderosa Rádio Nacional; funcionário do Ministério da Fazenda na ex-capital federal; controlador de vôo da Real(adquirida pela Varig); assistente do diretor de rádio e televisão da McCann Erickson(maior empresa de publicidade do mundo) e se confessa hoje como apaixonado escritor.

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Lista de Comentários

João Petrolina
26/12/2009 17:18

Superação

Dr. Valdemes,
Fiquei emocionado ao ler o seu texto, porque me fez lembrar também um pouco da minha história. Vindo de família pobre, sempre queria vencer na vida, e isso só foi possível com muita força de vontade e dedicação aos estudos. Graças a Deus cheguei numa situação confortável. É evidente que estou muito longe do Sr., mas para mim já está muito bom.
Valeu a pena.

Grande Abraço e Feliz 2.010

João Petrolina