Publicado em 20/03/2006 13:22

Contracepção e saúde

Gravidez na adolescência e os métodos anticoncepcionais abordados sobre a visão da atualidade, como se previni

É difícil entender como, em pleno século XXI, com tantas pessoas bem informadas e com tantos métodos de controle de natalidade, observamos o aumento nos índices de gravidez na adolescência e gravidez indesejada. Mais de 20 dos partos feitos anualmente no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde de 2005, são de mulheres entre 10 e 20 anos. A maioria dessas crianças são frutos de gravidez indesejada e crescem privadas de um ambiente familiar estável. Os números não são tão diferentes em nossa cidade, onde podemos observar na prática estes dados.

A gravidez por si só, traz graves mudanças na vida de um casal e, principalmente, na vida da mulher. Muitas adolescentes que engravidam precisam deixar a escola e abandonar seus sonhos profissionais para cuidarem de seus filhos.

Este assunto vem sendo tratado pelo governo brasileiro como caso de saúde pública e vários investimentos são feitos no intuito de informar a população através de campanhas para o uso do preservativo e na promoção de programas de educação sexual. Porém vários pesquisadores apontam falhas nesse programas e valorizam outros projetos como, por exemplo, o de planejamento familiar assistido.

Neste contexto, é muito importante a participação do profissional de saúde no processo de informação e orientação da população. Como farmacêutico posso dizer que este é um dos profissionais mais acessíveis (já que estão presentes em todas Farmácias e/ou Drogarias prestando, gratuitamente, seus serviços à população) e bem formados em relação aos métodos anticoncepcionais. Hoje existem vários métodos que podem ser usados na prevenção da gravidez indesejada, sendo que o mais aconselhado é o uso do preservativo (masculino ou feminino) que, além de prevenir a gravidez, também previne as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) como a AIDS. Porém, existem outros métodos que podem ser: os de barreira (Diafragma e Espermicidas); intra-uterinos (Dispositivos intra-uterinos ou DIU); cirúrgicos (vasectomia e laqueadura); comportamentais (Tabelinha) e hormonais (anticoncepcionais orais, injetáveis, de implantes e adesivos).

Dos métodos citados, os hormonais são os mais indicados, usados e que possuem maior eficiência contraceptiva. Além das tradicionais pílulas diárias, hoje é possível a uma mulher colocar um implante subdérmico (em um processo simples, realizado no consultório médico e quase indolor) e ficar protegida da gravidez por até 3 anos. Existem também injeções intramusculares hormonais com duração de ação de até 3 meses. Os anticoncepcionais hormonais modernos têm poucos efeitos colaterais e alta taxa de proteção (maior que 99) quando utilizados de acordo com a recomendação.

Todos estes métodos são ferramentas importantes no controle da natalidade e proporcionaram à mulher moderna a independência necessária para escolher o momento propício à sua gravidez. Esse fato foi de grande importância para a revolução sexual feminina vista nos dias atuais.

Então fica dada aí a dica. Antes de começarem sua vida sexual ativa e saírem para os motéis da rodovia que dá acesso à Goiânia; procurem orientação especializada. Converse com o seu médico e seu farmacêutico para escolher o método anticoncepcional mais adequado para você e sempre use a camisinha.

Julierme Gonçalves

Julierme Gonçalves

Farmacêutico pela UFG, Mestre em Ciências Farmacêuticas pela USP/RP e Doutorando em Química de Produtos Naturais pela UFG.

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