Publicado em 27/01/2009 02:36

Conversa de ônibus

Ajudar a preservar o patrimônio público é uma questão de cidadania. Fique sabendo como cada cidadão pode fazer sua parte.

Assim como tem conversa de bar, existe a conversa de ônibus. É o momento em que as pessoas aproveitam num curto ou longo percurso para jogar conversa fora, falar de acontecimentos ocorridos na cidade, atuação do Presidente, perdas salariais, traições e, inclusive, de livros e bibliotecas.....

Minha preocupação como bibliotecária e leitora, em relação à disponibilização da informação ao público e ao mesmo tempo sua conservação, acentuou após uma conversa de ônibus com uma apreciadora da literatura. Ela, há tempos vem notando em sua freqüência à biblioteca pública que a depredação ao acervo tem acentuado.

Desse modo, caro leitor, aproveitando este espaço de informação vou tentar convencê-lo a compor um grupo invisível defensor do bom uso do acervo público.

Concluímos, por meio de exposição de pontos de vistas e troca de experiências entre professora leitora e bibliotecária leitora, que o livro como um bem público deve ser melhor aproveitado pelo cidadão, tanto para leitura como para pesquisa. Com nossa dialética acreditamos que qualquer cidadão-leitor pode contribuir com o grupo defensor do bom uso do acervo público com pequenas ações que não lhes custam nada, por exemplo:

  1. Quando utilizar um acervo de uso público não fazer e nem mesmo deixar que outros façam anotações nele. Esse procedimento poderá danificar a legibilidade da informação contida no material, prejudicando a leitura de outros usuários. Para isso, tenha sempre em mãos papel e lápis.
  2. Não arrancar páginas do acervo por falta de tempo para pesquisar ou preguiça. Lembre-se: danificar o patrimônio público é crime (Constituição 1988, Art. 216, §4º).
  3. Não se apossar do acervo, privando os demais usuários da leitura.
  4. Doar livros, desde que tenham qualidade intelectual e conservação, para bibliotecas públicas.

Não só nós leitores podemos ajudar na preservação e disponibilização do acervo público. Há ainda uma instância superior cuja responsabilidade para com essa problemática é maior: os gestores públicos. Uma das competências deles é prover contratação de pessoas capacitadas e/ou capacitá-las para organizar e dar acesso ao acervo à sociedade. Entretanto, deveria disponibilizar recursos para melhoria do prédio, adequação do mobiliário e, principalmente, acervo atualizado com acesso a internet para os cidadãos usuários dessas unidades de informação.

Em uma dimensão diferenciada dos gestores públicos cabe aos profissionais dinamizadores e/ou bibliotecários a responsabilidade ética de serem bons mediadores da informação e defensores do bom uso dela. Muitas pessoas, principalmente os que estão fora da escola, têm interesse em ler boa literatura, mas perdem a motivação quando não têm acesso a um acervo e ambiente adequado para isso.

Bom, esse é o resultado de uma reflexão proveitosa. Uma conversa de ônibus que revelou a preocupação com o aspecto cultural do patrimônio público.

Como acredito que essa conversa deu bons frutos, optei em compartilhar com você.

Que você, leitor, também nos momentos de leitura e pesquisa pratique essas pequenas ações, tire o máximo de proveito para pensar e ajudar nossa sociedade na conservação do patrimônio cultural. Dessa forma estará cumprindo com seu dever e desfrutando seu direito.

Fica aqui o nosso apelo aos gestores públicos para que se sensibilizem frente à realidade que se configura.

Essa é uma conversa de ônibus que teve ponto de partida que merece se tornar conversa cotidiana de sala de aula, de gabinete, de Câmara, entre amigos... só não pode terminar em "pizza".

Jerônimo Martins

Jerônimo Martins

MBA Gestão de Tecnologia da Informação - Fac. ALFA; Especialista em Redes de Computadores - PUC Goiás; Graduado em Ciência da Computação - Fac. Objetivo.
Administrador de Infra-estrutura de TI do SESC Goiás.

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Lista de Comentários

Gordo
10/02/2009 06:30

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E quanto a depreciação pelo poder público?! Livros que de tão grandes não sairiam da biblioteca municipal sem serem notados, simplesmente evaporaram, como num passe de mágica, (conversa?! cade a coletânea com gravuras do Doré do livro Dom Quixote?!) a impressão que temos, e única possibilidade, é que, livros como estes apenas sumiram de lá com o conscentimento de algum adminstrador da biblioteca, que este tenha sido forçado por um poder maior ou não, foi um crime, um crime que o cidadão não pode competir. Não pode-se reter o livro novamente. Portanto, sugiro, a quem vá à biblioteca. Ante alguem realmente interessante possuir um livro para seu desenvolvimento do que um bode velho usá-lo como arca em sua casa. Quem tiver a oportunidade, leve o que puder da biblioteca para casa, leve, salve o que resta de bom naquilo! Do descuido e da depravação, nasce a lótus!