Publicado em 10/02/2009 05:27

Dei um fora em Maranduba

4 de janeiro de 2009, domingo. Com destino ao litoral paulista, de madrugada, saímos de Goiânia em dois carros.

4 de janeiro de 2009, domingo. Com destino ao litoral paulista, de madrugada, saímos de Goiânia em dois carros. Na comitiva a minha mulher Júlia, meus filhos Carla e Vladimir, o genro Marcos e os netos Vlasinho, Mariana, Artur e Bárbara.

Pé na tábua. Atravessamos a divisa de Goiás, cruzamos o Triângulo Mineiro, entramos no Estado de São Paulo e fomos pagando pedágios (num total de R$ 57,60) de Ituverava até São José dos Campos, quando lá chegamos às 18h00.

A partir de Paraibuna, nos guiariam ao endereço litorâneo o Max com a sua Ângela e as duas filhas. Já perto do litoral, montanhas e curvas até Caraguatatuba e, depois de 1.100 quilômetros rodados, Maranduba, município de Ubatuba. Deixamos o asfalto e trafegamos uns 300 metros de chão e areia na Rua 23, até chegar ao condomínio Manhatam, um conjunto de 9 blocos de apartamentos de térreo e mais 3 pavimentos, todos iguais, sem elevador. Identificados pelos porteiros, entramos no comprido pátio, onde estavam estacionados cerca de 60 automóveis e caminhonetes. O nosso apartamento era o 34.  
  
De bermuda, então noite, voltei ao carro no estacionamento do pátio, para calçar meus chinelos. Retornei ao nº 34. A porta levemente encostada e música baixa. Empurrei a porta e entrei, estranhando a sala arrumadinha e duas lindezas, aparentando 20 anos, com calças jeans justas e barriguinhas de fora, dançando sensualmente. Só podiam ser amigas das nossas meninas. Elas me olharam sorrindo, cantando em coro: “Errou! Errou!...” Sem me aproximar das duas, perguntei “cadê meu pessoal?” Nesse momento, também rindo, surgiu dos quartos um rosto (só o rosto) de um rapaz desconhecido. Em seguida, veio outro rapaz de outro quarto. Será que eu errara de apartamento? Conferi a porta: era 34. As danadinhas sensuais, notando minha indecisão, começaram a requebrar e mudaram a letra: “Não errou não, é aqui mesmo! Não errou não! Entra, entra!...” Nessa hora surgiu um terceiro rapaz, que chegou perto de mim perguntando: “Qual é o seu bloco?”; respondi: “e eu sei lá?”.
  
Pedindo desculpas, resolvi me retirar, enquanto as duas sensuais, requebrando, afirmavam insistindo: “Não errou não, não errou não, entra, entra!...” Saí. O terceiro rapaz fechou vagarosamente a porta da sala.
  
Desci as escadas. Tentei encontrar o nosso 34 em outro bloco, o do lado, e... ufa!, lá estava todo o meu pessoal, achando que eu estivera passeando.
   
Pensei em guardar segredo sobre o engraçado episódio, mas, como nada fiz de errado, resolvi confessar, no dia seguinte, o fora que dei naquela noite em Maranduba.

Valdemes Menezes

Valdemes Menezes

Trabalhos executados na área de cultura regional. Escreveu as seguintes obras: O Pistolão, O Portão de Deus, O Grande Momento, A Recuperação do Preso e a Segurança do Povo, A invasão do Brasil. Muito Prazer Europa, O Pai do Disco Voador
Radicado em GO e nascido em MG(Ituiutaba), já passou por muitas e outras, de menino rico a jovem pobre. Formou-se com dificuldade no RJ, e, sozinho conseguiu alçar seu próprio vôo: foi redator da então poderosa Rádio Nacional; funcionário do Ministério da Fazenda na ex-capital federal; controlador de vôo da Real(adquirida pela Varig); assistente do diretor de rádio e televisão da McCann Erickson(maior empresa de publicidade do mundo) e se confessa hoje como apaixonado escritor.

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