Publicado em 20/04/2006 15:17

Diversões e Acidentes

Continuaremos nesta semana a acompanhar as histórias de Olympio Faissol Pinto.

Olympio Faissol Pinto (OFP), filho de Olympio Domingues Pinto Júnior ("doutor Olympinho") e Martha Faissol Pinto, nasceu no dia 8 de fevereiro de 1933, em Ituiutaba, Triângulo Mineiro.

Cursa o primário no Instituto "Marden", em sua cidade natal, a partir de 1940. Agora, com 11 anos de idade, em 1944, terminará seu curso primário em dezembro. Ele gostaria que terminasse logo é a tal de Segunda Guerra Mundial, assunto de adulto em toda roda. Fica sabendo que o Brasil mandou 25.000 homens à Itália, para lutar ao lado dos aliados. Acha graça das revistas em quadrinhos, produzidas pelos norte-americanos: personagem alemão ou japonês, inimigos nossos, é tudo feio e bandido, ao contrário dos personagens americanos, pincelados com expressões de inteligência e lindeza... É, só se for nas outras partes do mundo, porque na sua Ituiutaba, mesmo há uns alemães e japoneses nada burros e nada feios. Existem até umas mocinhas tão saradinhas!...

A guerra é uma besta ignorante. O que empolga o menino Olympio é o avião. Seu divertimento é ver os pilotos voarem. Curiosamente, o aeroclube de Ituiutaba nasceu em sua casa. Numa reunião em que estavam o coronel Adelino de Oliveira Carvalho, o médico Petrônio Rodrigues Chaves, o advogado Omar de Oliveira Diniz, os pilotos Amadeo Marchiori e Pedro da Fonseca e Silva, além do dentista anfitrião, fundaram o aeroclube, pondo Petrônio na presidência e o doutor Olympinho na vice. Este, entretanto, acabou completando o mandato de Petrônio e, após o interstício de uma gestão, novamente assumiu a presidência.

Nesse ambiente aviatório, não se estranha que o menino Olympio se entusiasme tanto com as máquinas voadoras. Há sempre o que admirar no "campo de aviação". Visitantes freqüentes pousam na cidade. Um dia é o Antônio Marincechi no seu Taylor Craft; outro dia é o Carlos Vilela no seu Porter Field; e ainda o Antônio Moura Andrade no seu Stinson, ou o Dr. Canabrava no seu Aeroaca, e o líder da aviação no Triângulo Mineiro, Tito Teixeira. Tito é uma figura histórica para o lugar, porque foi o primeiro a descer de avião em Ituiutaba. Quando isso aconteceu, a pequena cidade ficou em polvorosa. Homens, mulheres e crianças, todos corriam para o "campo". O piloto, vendo o alvoroço, retardou o pouso: sobrevoava baixo e depois arremetia para o alto, empinando o avião, dando o seu espetáculo. Ao descer e receber o povo, ele começou a chorar de alegria.

No aeroclube, OFP vibra com seu passatempo de olhar para o céu. Só ficou triste quando presenciou a morte do primeiro instrutor contratado, Odilon Barcelos. Um azar trágico: o avião do instrutor caiu no primeiro vôo.

Presenciou vários outros acidentes.

Começa a achar meio desengonçado o formato dos aviões. Tem de haver uma engenharia menos atrapalhada para voar.

Mas, outra trapalhada quase termina em tragédia, dessa vez com Olympio. Muito levado, ele vive numa correria louca em sua bicicleta; numa dessa, na rua, toma um tombo feio e bate a cabeça na calçada. Quem vai acudir acha o menino desmaiado e um sangue escorrendo pelo rosto. A família fica assustada, porque o menino não recobra os sentidos. Alguém diz que ele vai morrer. Dois médicos (David Ribeiro de Gouveia e Renato Lansac Patrão) examinam o acidentado; o quadro é grave. Os dois legistas improvisam medida inédita: pedem aos donos de geladeira para armazenarem gelo; e assim, diariamente, os dois médicos mantêm fria a cabeça do paciente, com as pedras de gelo, lutando para estancar uma hemorragia e evitar o colapso cerebral. Depois de vários dias de aflição, a criatividade dos dois médicos funciona, devolvendo a vida ao querido Olympio. A família agradece aliviada.

Na próxima semana continuarei a falar sobre a vida desta ilustre figura e sua tragetória de vida.

 

Valdemes Menezes

Valdemes Menezes

Trabalhos executados na área de cultura regional. Escreveu as seguintes obras: O Pistolão, O Portão de Deus, O Grande Momento, A Recuperação do Preso e a Segurança do Povo, A invasão do Brasil. Muito Prazer Europa, O Pai do Disco Voador
Radicado em GO e nascido em MG(Ituiutaba), já passou por muitas e outras, de menino rico a jovem pobre. Formou-se com dificuldade no RJ, e, sozinho conseguiu alçar seu próprio vôo: foi redator da então poderosa Rádio Nacional; funcionário do Ministério da Fazenda na ex-capital federal; controlador de vôo da Real(adquirida pela Varig); assistente do diretor de rádio e televisão da McCann Erickson(maior empresa de publicidade do mundo) e se confessa hoje como apaixonado escritor.

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Lista de Comentários

Nabiha Hammoud
23/07/2006 16:43

Dr.Faissol

Eu gostei da forma como conta os fatos da vida do Dr. O que motivou-me a ler este texto é que ele é meu conterrânio e fora mencionada pela re-vista Carta do Líbano. Agora é so aguardar a continuação dessa estória(ou seria história?). Um abraçops ps.: sabia que em árabe o nome Faissol seria Faissal ou Faissul pois não temos a vogal O no alfabeto?