Publicado em 20/03/2006 13:36

E por falar em Cultura

Nosso município possui valores expressivos nas artes visuais, dança, música e artes cênicas.Mas que a estagnaç

Me foi dada uma árdua tarefa: falar de Cultura em Inhumas.Digo árdua porque, antes de tudo, tenho que tocar na falta dela por aqui.Já algum tempo tenho observado que nosso município possui valores expressivos nas artes visuais, dança, música e artes cênicas.Mas que a estagnação e a falta de apoio dos órgãos públicos relegou quase que ao abandono estas pessoas e "enterrou" seus talentos.Ou se saía daqui ou se empobrecia com tanta inércia.

O Festival GREMI ( Grandes Revelações da Mocidade Inhumense) representou uma chance, um raio de esperança, uma luz no fim do túnel.Brilhou e se apagou em 25 anos de lutas gloriosas e se desfez, grande demais para se suportar. O seu ressuscitar em 2004 foi um erro brutal, quase grotesco mesmo. Matou-se uma história e maculou um Clube respeitável até então: O Clube dos 30.Eu estava lá e testemunhei sua derrocada. Tenho a consciência tranqüila pois votei contra a sua realização desde o início. Que bom! Pelo menos durmo sossegadamente a noite, sem credores atrás de mim. Já tenho dívidas demais comigo mesmo e o meu salário como professor ainda não é dos melhores apesar das greves e coisas e tal.Assim mesmo, chorei por ver o Clube ir se acabando.Não culpo ninguém.Éramos idealistas demais e achamos que estávamos nos anos 60 quando tudo parecia possível na Era de Aquarius.

Nossa SACEM ( Semana de Artes do Colégio Estadual Manoel Vilaverde) também capenga atrás de patrocínios todos os anos. Temos que ficar correndo sempre, para não deixá-la morrer. Eu estou lá, como mísero professor de Artes tentando contribuir. Não quero que padeça do mesmo mal, pois aí sim, minha frágil estrutura não suportará.

Vejo, além disto, alguns casarões antigos de nossa cidade dando origem a Supermercados ou sendo derrubados inescrupulosamente. É triste constatar que não se respeita o que ainda resta do passado de uma tal Goiabeiras.Apenas um deles, ao fundo da Igreja Matriz foi reformado pela proprietária procurando resguardar o antigo formato.Parabéns a ela.Deveriam até homenageá-la pela iniciativa.Vai a dica a alguns vereadores que ficam apenas trocando nomes de ruas e instalando orelhões.

E os mais velhos? Nossa história oral se perdendo porque niguém quer ouvir, acham que estão ultrapassados.Coisas de pessoas que se perderam no esquecimento.Lastimável!

Sempre batalhei para que a arte fosse respeitada como tal. Agora me vejo dentro do Conselho Municipal de Cultura junto com outros idealistas.Acredito na Secretária Fatinha, uma calejada mulher de olhar determinado e que também já padeceu com a falta de apoio aos projetos que encabeçava no passado.Fatinha , estou com você! Sair nos bairros, promover festivais de música e teatro na praça são ótimas alternativas.

Só de uma coisa não gosto: gincanas e desfiles cívicos! Saí destes últimos cansado e com dor de garganta. Mas o povo gosta de ver. Na gincana houve desentendimentos entre as equipes. Normal.Nunca vi gincana sem desentendimentos.Alguém falou que era preciso ter ética.Deveríamos é ter nos descabelados na praça pela falta de cultura em Inhumas e não apenas por jogos.Por cultura vale a pena ficar rouco e enfrentar chuva e sol: por gincana, por enquanto, não!

Bom, ta aí o recado. Só não sei se fui pessimista ou ácido.Se suportar esta inconformidade que grita em mim, continuo escrevendo nesta coluna, senão, deixo o espaço para os mais zen-budistas.Até.

José Carlos

José Carlos

Formado pela Universidade Católica de Goiás no curso de História, Graduado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Goiás. Especialização em Educação Ambiental pela UCG.
Professor na rede estadual de ensino, integrante do grupo Marula de Teatro e membro do conselho municipal de cultura

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Lista de Comentários

QUEREN HAPUQUE
23/07/2009 10:45

Festival Gremi

Bom dia? preciso saber sobre o festival Gremí de Inhumas -Go
um evento de muita importância para cultura Brasileira
fico feliz de lembrar dos tempos de criânça quando participei com o meu pai Braguinha Barroso, correndo pelo ginásio com o trofeu na mão comemorando, boas lembranças...
José Carlos Henrique
28/04/2006 11:07

Estamos a disposição

Estamos sempre dispostos a ajudar com qualquer informação que pudermos dar sobre teatro.Peço a Suzana Cardozo que entre em contato comigo pelo meu e-mail.
Suzana Cardozo da Cunha
26/04/2006 16:10

não tenho

olha eu preciso saber tudo sobre artes cênicas, minha escola vai fazer 1 feira e o tema da minha sala é artes cênicas.Por favor me ajude!
Wemerson Charlles
30/03/2006 15:31

F. Fraga

É isso ái professor, muito bem. flw! (aumenta minha nota ae hein)
Maria Eugênia Sebba Ferreira
28/03/2006 17:00

Cultura...

Caro Amigo José Carlos; Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa de discutir questões tão pertinentes ao contexto cultural local. Talvez, o que estejamos precisando mesmo é de uma reeducação no sentido de conscientizar a população acerca dos valores de nossa comunidade. Esta não é, portanto, uma tarefa fácil, pois quebrar paradigmas já prontos é muito mais complicado que inserir novos. Porém, nada é impossível a partir do momento em que pessoas lúcidas e atuantes como você e muitos outros militantes (que tomam as causas culturais como prioridade) tomam a iniciativa de questionar valores e cobrar medidas de responsabilidade pública coletiva.
Gleidson de Oliveira Moreira
27/03/2006 10:30

Cultura

Valeu José Carlos! O cuidado com o bem público não exclui noções de responsabilidade no trato acom o patrimônio material (casarões...) ou imaterial (crenças, valores...). Necessitamos de apoio e, sobretudo, de conscientização acerca da permanência histórica pela manutenção de nossa identidade. Aliás, o que é ser inhumense? Quais nossos referenciais? Responder essa pergunta carece de identificação com o que fazemos e como nos importamos com o que estamos fazendo. Afinal, Inhumas precisa de gente como o Zé Carlos. Critica, mas faz.