Publicado em 30/05/2008 11:14

Gado com aftosa

Gado com aftosa no precisa morrer!

Não havia quem não se encantasse com ela, um dos meus amores.

Calminha... Falo de minha primeira filha, a Carla.

Quando promotor de Justiça em Santa Helena de Goiás, onde a gente morava, certa ocasião, na casa do vizinho, uma gracinha de cachorra pariu uma ninhada de cachorrinhos da raça basset (na França, a baixotinha  era utilizada para caçar lebres e raposas; no Brasil, o animalzinho ficou conhecido como "paqueiro", isto é, caçador de pacas).

A lindinha Carla se engraçou pelos filhotes, e queria porque queria um!

Acabei cedendo, aceitando a prenda (o vizinho nos deu um filhote marronzinho) e até lhe pus um nome: dom Pixote. Alegre, ele gostava de correr e, às vezes sem coleira, sumia, mas reaparecia logo, escoltado pelo irmãozinho da Carla, o bonito Vladimir. "Pixote" (como passamos a chamá-lo) morreu com dezoito anos. Ficamos tristes. Amor a animal também existe.

Outra: "Eu quero ser como o sol. Gente nasce, gente morre, mas ele continua iluminando e sendo contemplado". O pensamento (1992) de minha filha Juliana, ex-modelo.

Realmente, amanhã estaremos mortos, porém, o sol continuar iluminando. Pena, e meu coração di, que o ser humano costuma pensar somente nele, ignorando os irracionais. Quem mata boi, vaca, porco, carneiro... não comete crime e ainda   premiado (!) com churrasco. Surgindo aftosa, outro desastre: os governantes obrigam a matar as reses doentes. No Brasil, em 2006, proprietários de fazendas com foco de aftosa no Pará sacrificaram os animais.

Ser mesmo necessário matar o gado atingido pela febre aftosa? Não!...

O experiente pecuarista Osvaldo de Oliveira Costa tem sérios argumentos contra o sacrifício de animais doentes. Argumenta que todo bicho de unha partida (bovino, veado, porco, caititu, cabra, ovelha) está sujeito doença. O animal perde peso e apetite, dá frieira nos cascos, espuma a boca, escorre o focinho, arrepia o corpo... uma gripe contrada por um vírus no ar. Osvaldo acha estupidez o extermínio de rebanhos doentes, e que, quando jovem, ele próprio foi contaminado, ficou febril, teve afta na boca, mas não complicou nada mais além disso.

Convicto pela experiência, Osvaldo afirma que reses doentes podem ser curadas em até sessenta dias, sendo um absurdo matá-las, quando o mundo passa fome. Antigamente, criador de gado misturava sulfato de cobre modo com creolina e BHC e jogava no paiol de milho. Hoje se previne contra moscas e vermes usando-se ivermectina e abamectina.

Ele a favor de prevenir com vacinação, mas, quanto ao extermínio,  diz que as autoridades sanitárias do mundo  estão por fora no combate aftosa.

Por lógica, se não se mata um ser humano por estar gripado, igualmente não se deve matar um animal gripado (com aftosa). possível sentir que o sol continuará iluminando.

Valdemes Menezes

Valdemes Menezes

Trabalhos executados na área de cultura regional. Escreveu as seguintes obras: O Pistolão, O Portão de Deus, O Grande Momento, A Recuperação do Preso e a Segurança do Povo, A invasão do Brasil. Muito Prazer Europa, O Pai do Disco Voador
Radicado em GO e nascido em MG(Ituiutaba), já passou por muitas e outras, de menino rico a jovem pobre. Formou-se com dificuldade no RJ, e, sozinho conseguiu alçar seu próprio vôo: foi redator da então poderosa Rádio Nacional; funcionário do Ministério da Fazenda na ex-capital federal; controlador de vôo da Real(adquirida pela Varig); assistente do diretor de rádio e televisão da McCann Erickson(maior empresa de publicidade do mundo) e se confessa hoje como apaixonado escritor.

COMENTÁRIOS

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Lista de Comentários

Mauro
05/11/2013 18:00

Vamos sacrificar os aidéticos

Meu pai com recitas caseiras também curou muitos bois e vacas com febre aftosa e hoje para ele é estúpido sacrificar um animal com a doença. Aids ñ tem cura, é contagiosa e n vezes mais danosa, e nem por isso sacrificam pessoas

Cristiano Alvarenga
06/06/2008 21:09

.....

Ei, você sabem onde fica o açougue São Lázaro? Caso alguém saiba deixa um recado ai. Grato.