Publicado em 29/09/2007 13:42

Idéia para enriquecer o País

Aonde quero chegar? Que o Brasil, repetindo Faissol, não investe em ciência. Além do Antônio Ermírio...

Não agüento mais. Preciso contar. Faz uns três meses, recebi em minha casa um telefonema do empresário (da Votorantim) Antônio Ermírio de Moraes. Ele determinou à sua secretária que me transmitisse um recado: recebera minha correspondência, reunira-se com vários empresários, mas ninguém se interessou em tocar o projeto que sugeri.

Chateado, porque acho Antônio Ermírio de Moraes um dos melhores empresários do Brasil, mesmo assim agradeci pela atenção do recado ao me telefonar.

Para chegar ao porquê da minha decepção, vou ao passado. Em 1905, o padre-cientista gaúcho Landell de Moura procurou o presidente Rodrigues Alves para expor invento seu de 1894; para provar a sua eficiência, queria emprestados dois navios da Marinha; entusiasmado por ter sido recebido pelo assessor do presidente da República, esclareceu que seu invento seria útil até no futuro, para transmissões interplanetárias; resultado: o assessor despachou que "o tal padre é maluco"; um dia depois, Rodrigues Alves enviou educada correspondência a Landell de Moura, negando o empréstimo dos navios para a demonstração do invento. Era o telégrafo sem fio, cuja glória, por falta de apoio do governo brasileiro, ficaria para o italiano Guglielmo Marconi, que obteve a patente.

Agora, esclarecendo: hoje, infelizmente, a História está prestes a ser repetida. Temos um brasileiro extraordinário, Olympio Faissol, inventor da Nautilus, máscara para comunicação submarina, que ele vendeu à Marinha dos Estados Unidos para uso dos homens-rãs. Ele tem um projeto de... um disco voador. Até a NASA já quis o seu invento, mas depois silenciou para manter seus caríssimos foguetes em ação.

Olympio garante que muitos aviões gastam 140 toneladas de combustível para levantar vôo, gerando outras toneladas de hidróxido de carbono na atmosfera (a respeito, o repórter Fellipe Fernandes, DM de 19/03/07, entrevistou o inventor).

Aonde quero chegar? Que o Brasil, repetindo Faissol, não investe em ciência. Além do Antônio Ermírio, também tentei o presidente Lula, revelando que nosso país tem um gênio capaz de modificar a tecnologia aeronáutica (a atual está destruindo o Planeta). Resposta do Gabinete da Presidência da República: "...só pode fazer despesas de acordo com a Lei, que não prevê esse tipo de gasto".

Ora, por que não aplicar num experimento pioneiro? Se não der certo, no mínimo se tentou algo revolucionário e não poluidor. Mais coerente arriscar dinheiro na idéia do disco voador brasileiro (ele não precisa da dispendiosa pista de pouso e decolagem convencional, voa rápido e mansamente, na horizontal e vertical, com efeito beija-flor, à vontade do piloto, além de neutralizar os atritos atmosféricos, sem trancos e arrancos). O protótipo custa caro. No entanto, melhor batalhar por uma idéia que pode enriquecer o País do que gastar milhões em festas.

Valdemes Menezes

Valdemes Menezes

Trabalhos executados na área de cultura regional. Escreveu as seguintes obras: O Pistolão, O Portão de Deus, O Grande Momento, A Recuperação do Preso e a Segurança do Povo, A invasão do Brasil. Muito Prazer Europa, O Pai do Disco Voador
Radicado em GO e nascido em MG(Ituiutaba), já passou por muitas e outras, de menino rico a jovem pobre. Formou-se com dificuldade no RJ, e, sozinho conseguiu alçar seu próprio vôo: foi redator da então poderosa Rádio Nacional; funcionário do Ministério da Fazenda na ex-capital federal; controlador de vôo da Real(adquirida pela Varig); assistente do diretor de rádio e televisão da McCann Erickson(maior empresa de publicidade do mundo) e se confessa hoje como apaixonado escritor.

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Lista de Comentários

Welington Rodrigues
22/10/2007 07:58

Genial!!!

Dr. Valdemes, também acho muito valioso discutir idéias novas, pois é assim que se evolui. Não dá para esperar que governos invistam em pesquisa da forma como o fazem hoje, com recursos mínimos. Os últimos 20 anos foram marcados pela pelo aumento dos gastos dos governos com custeio e redução de investimentos em pesquisa e educação. Tente enviar o material para alguma entidade internacional de importância, pode dar resultado.
Hugo Seabra
17/10/2007 11:22

Agradecimento

Eu estava procurando palavras para incrementar um projeto sobre inclusão digital que será apresentado junto ao governo federal, e estas palavras foram encontrados aqui. Valdemes Menezes. Espero ter o prazer de discutir temas assim com o senhor qualquer dia.