Publicado em 08/06/2007 10:49

Legado Inconsole

Pai, estou a mercê de uma agonia mortal...

Pai, estou a mercê de uma agonia mortal,
Com agravantes e súplica de atenuantes.
O culpado dessa tragédia pode ser unicamente você.
Você que quisera que eu fosse seu objetivo,
Que não me enxergou uma criança,
Mas que me fizera seu protegido incondicional.
Agrediu minha mãe por causa da minha inocente inconseqüência.
Fez até inimizades defendendo meus erros.
Embriagou-se em seus conceitos mesquinhos,
Esquecendo de moldar-me um homem.
Suas palavras amigas... De amigas tornaram-se inimigas.
Doces e irônicas a me confundir e induzir.
E quando matei o bichano da vovó,
Apoiou meus caprichos dando as costas à pobre velha.
Jurei que levaria algumas palmadas,
Entretanto, você mostrou-se impotente diante do dever.
Ah, como ansiei um corretivo seu,
Assim como meus coleguinhas recebiam de seus pais!
"Filhinho, o gato já estava demasiado velho,
Sairemos à procura de outro para sua avó".
Que decepção trouxeram-me suas palavras,
Palavras desprovidas de sentimento e amor.
Que vontade senti de ser filho do pai de Ricardo.
Levaria alguns sopapos e logo mais
Já estaria brincando, de alma limpa!
E com certeza, jamais repetiria tal feito.
O fato de matar o animal e você não me punir,
Determinado em sua posição de pai moderno e protetor demente,
Foi como transpassar meu coraçãozinho à punhalada.
Fiquei desiludido, pasmo diante do seu procedimento.
E se eu tivesse matado a vovó, o que o senhor diria?
Certamente diria:
Ah, filhinho não chore! Ainda restou sua mãe!
Patético!
Hoje estou preso;
Já perdi a conta dos meus crimes.
Nem os ratos sobrevivem na minha cela... Habituei-me a matar.
Sabe papai... Estou chorando,
Não pelo fato de estar preso, ou pelos crimes cometidos.
Choro pelo gato,
Pela surra que não recebi,
Pelo pai que não tive.
Hoje sou um rato,
Do passado prisioneiro.
Sou um gato adestrado por ti!

* Poesia publicada no livro de ANTOLOGIA 2007 do VI CONCURSO de POESIA FALADA DA EDITORA KELPS.

Ivan Zarur

Ivan Zarur

Inspirado pelas suas professoras, aventurou-se no mundo da Literatura aos sete anos de idade. Seus primeiros trabalhos publicados foram em forma de cordel: "O Velho Ricardino" e "Não conseguiu e para o Céu subiu". Com "Mundo e Mudanças" venceu o Festival dos Campeões de Itaberaí-Go.
Publicou vários trabalhos na revista Diadema Real, da Editora Cristã Evangélica do Brasil, entre eles, "Transformação", "Coisas da vida", "Mãe" e "Pastor Amado". Minha BIOGRAFIA completa, bem como outras de minhas obras estão disponíveis no meu site: www.zarur.no.comunidades.net

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Lista de Comentários

Renan Alves Melo
09/06/2007 15:25

...

Ivan, infelizmente não pude comparecer no Prêmio Kelps por motivo de força maior. Seria um ótimo momento para falar sobre literatura, ou melhor, sobre o caos da literatura. Parabéns por esse texto, e que venham novas oportunidades de nos conhecermos. Saiba que estou sempre acompanhando seu trabalho. Abraços.
Wemerson Charlley da Fonseca Fraga
08/06/2007 15:58

...

Uma história em forma de poesia que nos comove, pela realidade que trata. Texto atual e sensível. Parabéns por seu estilo e pela publicação na antologia do VI Concurso Kelps de Poesia Falada.