Publicado em 25/07/2007 14:06

Mais que teoria

Sobre participação no Fórum Internacional Estudantil 2007, em Londres

Começo dizendo que é impossível relatar e transmitir as sensações dos dias mais intensos que já vivi. Não foram apenas estudos, mais troca de experiência, criação de laços de amizade e de afeto com pessoas que vieram de diferentes países, diferentes mundos, mas que estavam interessadas no mesmo objetivo: salvar o planeta. Posso dizer que os brasileiros também vieram de mundos diferentes. A garota do nordeste, o estudante de escola pública do planalto central e outro da grande metrópole do país, todos com a mesma sensação ao final, descrita pelo último: motivados, acreditando haver uma luz no fim do túnel. Sabendo que com cada ação cotidiana podemos, devemos e passaremos a fazer nossa parte. Com certeza foram dias e momentos inesquecíveis em nossas vidas, instantes portando a responsabilidade de representar o Brasil e mostrar que o nosso povo é muito mais que samba, carnaval e futebol.

Esses dias de palestras, debates, perguntas, respostas e opiniões vindas de todos os vértices da rosa dos ventos, mostraram que o problema das mudanças climáticas sem controle, assim como os outros problemas ambientais, não se resumem simplesmente a livros ou conceitos científicos, pois seus impactos, causas e conseqüências são diferentes e podem variar nos vários pontos do planeta Terra.

Os temas dos discursos de cada dia foram universais. Começou-se falando sobre o impacto ambiental das cidades, que cresce cada vez mais em todo mundo. Discutiu-se o que será das metrópoles em alguns anos, tópico no qual foi constatato que o amanhã depende das escolhas de hoje. Pode-se escolher, por exemplo, usar biocombustíveis em vez de combustíveis fósseis, ou ainda, usar o transporte público e deixar o carro de lado, levando uma vida sustentável ou dando os primeiros passos para obter uma.

Falou-se ainda sobre a importância de se buscar alternativas para a adaptação das cidades aos impactos ecológicos em todo o mundo. Durante debates com renomados professores, doutores, Ph.Ds e especialistas no assunto, ouviram-se comentários de estudantes de países onde não há grande emissão de carbono dizendo que estas nações nada deveriam ou poderiam fazer na luta contra os efeitos do supracitado impacto. Porém, conversando mais, acredita-se que eles se conscientizaram que o planeta é um só e todos precisam agir de alguma forma para ajudar em sua conservação, mesmo sabendo não ter grande participação na devastação do mesmo.

Devemos conservar nossa casa e quando não podemos ter uma nova, adaptá-la as nossas necessidades. Para nos adaptarmos às mudanças no meio ambiente temos que nos movimentar, criando alternativas como a intensa arborização e criação de áreas verdes nas cidades para que seja possível levar a natureza à selva urbana. Londres, cidade sede do Fórum, é um exemplo disso, pois tem vários parques e áreas verdes espalhados por toda a área urbana. Isso é uma necessidade, pois, além de aproximar a natureza da população, tornou-se essencial ao processo de adaptação da urbe, pois é uma ação tão eficiente que se aumentarmos em 10 a arborização de uma cidade como a capital britânica, sua temperatura cairá em média 4º C (graus Celsius).

Trazendo o exemplo para o Brasil, podemos falar da cidade de São Paulo, porém, diferente do centro da Inglaterra, não tem áreas livres para a construção de grandes parques. Sobre este caso, a palestrante Shirley Rodrigues disse que devem ser criadas áreas verdes nos quintais das casas e nas coberturas de edifícios, começando pelos do governo, que segundo ela, deve encontrar uma maneira de fazer grandes arborizações nas metrópoles urgentemente.

Depois falamos das limitações de emissões de carbono por pessoa e suas aplicações e sobre criação cidades-modelo. Analisamos até que ponto elas são mesmo viáveis, visto o alto gasto, refletindo se esse recurso não poderia ser aplicado em algo menos descentralizado, se essas construções valeriam à pena.

Enfim, são experiências empíricas e não somente teorias, idéias e conhecimentos, que não servirão apenas parta enfeitar mais páginas de livros nas varias línguas dos quase 30 países representados, mas para conscientizar os tão citados herdeiros do planeta de que é necessário ter mais cuidado com sua herança, seu maior patrimônio: o planeta Terra, seio da vida.

Wemerson Charlley da Fonseca Fraga, 16 Anos, Inhumas-GO

Honrado em fazer parte da delegação que representou o Brasil no

II Fórum Internacional Estudantil : Greening Cities - 2007

Londres, 08 a 13 de Julho de 2007.

Emerson Fraga

Emerson Fraga

Estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio OLY.
Colunista e colaborador do Jornal Mercadão, da seção de cultura do site TUDOIN e do site litetrário Garganta da Serpente. Soma 26 prêmios artísticos, científicos e literários. 1º e 2º Lugar no III Concurso Nacional de Conto de Cordeiro (RJ)/Troféu Lygia Fagundes Telles. "Medalha de Ouro" pelo 1º Lugar Juvenil no III Concurso de Poesias "Letras do Divino", em Itanhaém-SP. "Medalha de Prata" pelo II Concurso Gente Miúda de Conto - Medalha Monteiro Lobato, promovido pela Academia PanAmericana de Letras e Artes. 1º Lugar Juvenil do VI Concurso Kelps de Poesia Falada (2007). Selecionado para antologia do IV Concurso Nacional de Literatura de Caçu nas categorias conto e poesia. Campeão da XXXI SACEM em conto, crônica e fábula. Premiado no Concurso Literário Internacional - Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaeite (MG) na categoria crônica. Vencedor do concurso de texto e imagem ambiental "Minha Cidade é Meu Planeta", promovido pela Revista Época e British Council. Vencedor nacional de texto na 4ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente. Delegado brasileiro no Fórum Internacional Estudantil 2007, em Londres.

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Lista de Comentários

Muriely
28/07/2007 10:18

d++

muito interessante.... gostei muito de tudo que vc escreveu........ é isso ai... Parabens!!!