Publicado em 22/07/2006 13:46

Mídia Prejudicial?

Polêmicas da mídia podem atrapalhar a formação da hábitos saudáveis como a correta ingestão hídrica.

A mídia relacionada a divulgação de informações em saúde de vez em quando veicula polêmicas, cujos objetivos são discutíveis. Um exemplo disso aconteceu em 2001, quando uma revista de grande circulação nacional trouxe uma reportagem sobre ingestão diária de água, divulgando de forma precipitada a informação de que os dois litros (ou oito copos por dia) recomendados por médicos e nutricionistas são excessivos, trazendo inclusive problemas para o organismo.

 

A reportagem afirma que a recomendação vigente foi determinada há quinze anos por pesquisadores, sem nenhuma menção a nomes ou instituições envolvidas. O estudo concluiu, baseado na perda diária de dois litros de água por um indivíduo adulto médio, que a ingestão deveria ser igual ou superior às perdas para garantir o equilíbrio e a hidratação do corpo.

 

O texto afirma que toda a mídia feita atribuindo propriedades estéticas quase milagrosas à água, é tudo bobagem. Ainda diz: liderados pelo médico americano Robert Alpern, da Universidade do Texas, muitos especialistas estão combatendo essa idéia estapafúrdia de que é necessário se entupir de água para manter uma boa saúde. Além disso, mostra que o consumo demasiado pode até ser prejudicial, pois sobrecarrega os rins e causa a eliminação excessiva de sais minerais, principalmente sódio e potássio.

 

Segundo os autores, o consumo ideal de água  gira em torno de Um litro por dia - quatro copos - não importa se na forma de água mesmo ou de sucos e leite,..., sendo que o outro litro que o corpo necessita repor é obtido indiretamente por meio da alimentação. Para fechar a última frase diz: Quatro copos por dia significa, em resumo, que você deve beber água quando sentir sede.

 

O público atingido pela revista é muito diversificado e envolve adolescentes, adultos e idosos, grande parte sem conhecimento algum sobre o assunto. Divulgar informações precipitadas, vagamente baseadas em especialistas e instituições isoladas, sem comprovação por órgãos e centros de estudo de outros países, é no mínimo uma inconseqüência.

 

A ingestão adequada de água é benéfica para diversos sistemas do corpo humano (70 dele é água). A regulação intestinal está diretamente relacionada à água ingerida, que torna as fezes mais pastosas. A pele tem efeitos benéficos nítidos com a hidratação correta, além disso, elimina água quando o corpo está com a temperatura elevada. Pela importância biológica da água é de se esperar que haja uma reposição suficiente das perdas diárias. Se essas perdas - que se dão pela sudorese, respiração, diurese e fezes - não forem repostas podem levar à desidratação.

 

Ao contrário do divulgado, a sede não deve ser o indicador decisivo para se tomar água. Na realidade a sede já denota uma perda hídrica significativa e merece atenção. A ingestão de líquidos deve se dar por meio não só da água pura, mas também por sucos, chás, café e mesmo refeições mais pastosas.

 

Existem pessoas que demonstram aversão ao consumo de água pura, assim como de outros líquidos. Qualquer informação recebida por elas exaltando a baixa ingestão hídrica será tomada como verdade, a depender do grau de instrução, e manterá o hábito errado, podendo trazer problemas futuros. A reportagem, portanto, foi infeliz ao divulgar uma informação sem comprovação sólida, que dá subsídios para a consolidação de hábitos errados.

 

Para finalizar o texto cita possíveis prejuízos renais e perdas de sais minerais que seriam ocasionados pelo consumo excessivo de água. A sobrecarga renal é duvidosa e a perda de sais é irrisória o que não representa um risco real, pois isso depende mais da quantidade de solutos ingeridos que propriamente dos líquidos. Uma informação destas, divulgada sem o menor cuidado, pode dar a entender que o consumo de água é prejudicial à saúde, o que não é verdade.

 

O consumo adequado de água é importante para várias funções corporais e deve ficar próximo a dois litros diários (35 ml/ Kg de peso corporal, segundo Waitzberg, 1995). A informação da revista confunde o leitor menos informado e pode estimular mudanças de hábitos ou mesmo piorá-los, comprometendo a saúde de muitas pessoas cujo único erro foi o de não saberem discernir o joio do trigo dentro das informações veículadas por revistas tradicionais e renomadas.

A. Jr

A. Jr

Nutrição pela UFG

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Lista de Comentários

sonia
09/03/2007 13:34

dúvidas

Sempre soube que água não é prejudicial ao nosso organismo, mais quero saber o que aconteceu comigo, quando despertei que deveria tomar 8 copos de água ao longo do dia. No 5º copo me deu tanto, mais tantos gases, e principalmente nas costelas(devido a forte dor local), e na barriga que sinceramente, pensei que fosse outra coisa, pensei até em enfarto. Se possível agradeço a explicação!