Publicado em 03/04/2007 13:30

O discurso e as premissas

O Brasil é um país cujas adversidades étnicas, sociais e culturais contribuem para um caminhar...

Os discursos do Presidente Lula, notadamente aqueles que ele pronuncia em Palácio, têm de tudo um pouco: comparações de risco, elogios de algumas personalidades em detrimento de outros e elogios de umas esquecendo outras e dando espaço a premissas avassaladoras e oportunidade para sujeitar-se às diversas ilações que sombreiam sua autoridade.

No último dia 29, quando deu posse a três ministros, sentia-se em casa, pois sua fala foi no auditório do próprio Palácio do Planalto. A casa estava cheia, inclusive nas galerias. Aí ele usou pouca modéstia e muita intimidade com quem estava na assistência. Ao que parece, o Presidente, fala sempre para quem está presente e se esquece da imprensa. Bom por um lado. Ruim por outro. Bom, porque fica mais informal. Ruim porque ele como chefe da nação, se submete às especulações no terreno político que leva ao fechamento de um silogismo que pode atingir objetivos maiores. O tom brincadeiras em meio às questões sérias, ofusca as expectativas quanto ao foco principal da solenidade. Aí reside o risco!

As autoridades que servem ao País na condição de Ministros, Presidentes de Empresas, Autarquias e Fundações e demais cidadãos que fazem parte dos escalões, ao que parece, ficam ansiosas quando o Presidente fala: O que, como e a quem se fala. O receio é, nesse roteiro, haver um descuido. O vernáculo é muito exigente e os compromissos  políticos ou administrativos, ficam implícitos ou tácitos entre uma frase e outra ou uma expressão e outra, e podem ser cobrados após, pelas várias instituições e pela imprensa. Há os que dizem que, quanto menos se fala, menor perigo ao mal entendido, e quanto mais se fala, mais tem de se explicar quando a emoção volta à naturalidade. A compreensão humana direciona as pessoas para as questões que trazem interesses momentâneos.

Essas dificuldades não dizem respeito somente ao Presidente Lula, embora seu desatino seja maior. Dizem respeito a todos, ou quase todos que se atiram ao improviso. Agora, Presidente é um só. Por ele fala a nação. A responsabilidade é una. Não comparando mal, quando se assiste a um espetáculo onde incorre em riscos, os espectadores passam pela sensação de perigo, suam as mãos, deixam de olhar para o personagem, fecham os olhos, até que termine as acrobacias mais arriscadas. No fim, suspiros de alívio e o aplauso. O improviso de um mandatário passa por esse labirinto de censura, observação, análise da tese, e a antítese imaginária. Por fim, cada um carrega consigo a sua síntese - avaliação.

Em contrapartida, o Presidente Lula se arrisca por alguns fatores positivos: Foi assim no primeiro mandato. Deu certo e foi reeleito. É inteligente e tem profundo conhecimento de todos os assuntos pertinentes ao País e à nação. Será que o Presidente cabe dentro de um discurso formal e repleto de estatísticas e informações insípidas? Ou mais valem os arroubos? Assim, pode desaparecer o seu destemor, coragem e lucidez de quem já passou pelos caminhos estreitos do regime de exceção política. Sempre sai com uma idéia nova, naturalmente nascida em um bate-papo e sugestões, quando desponta com posições importantes. Exemplo: Na mesma solenidade de posse dos ministros, quando se dirigiu ao jornalista Franklin Martins - propaganda e imagem do governo - lembrou-se de que todas as emissoras  de Televisão que são oficiais e que cuidam de cultura, devem planejar suas programações totalmente para educação e cultura. Que elas, tanto Federais quanto Estaduais, se integrem para dar espaço à cultura regional de forma mais profundo e realista. Se o novo ministro atender a essa idéia, estará dizendo muito bem, a que veio.

O juízo de tudo isso é feito pelo povo. O Brasil é um país cujas adversidades étnicas, sociais e culturais contribuem para um caminhar próprio e peculiar, do Presidente da República ao anônimo. Mas é bom lembrar que pedra atirada e palavra dada, não têm volta!

Irondes de Morais

Irondes de Morais

Graduação: Direito pela UFG Pós-Graduação - Especialização em: Direito Agrário pela UFG Política e Estratégia pela UCG/ADESG Direito Tributário - convênio UCG/IGDT
Reforma Tributária: Uma medida Urgente e Necessária;Conteúdo Jurídico do Princípio da igualdade;Elisão Tributária;Ação Civil Pública em Matéria Tributária;Efeito Social da Terra

COMENTÁRIOS

Comentar usando as redes sociais

Caixa de comentários TUDOIN


Resposta ao Comentário (Cancelar)

Lista de Comentários

Mahamad
11/06/2014 15:20

I have integrated bl

I have integrated blggniog into my classroom by making it a part of our Daily 5 Work on Writing . The students work on writing during our literacy block and use the traditional writing process. After conferring with me, they are ready to publish on their blog. I have found that the students are more engaged and interested in their writing because they know they have an audience and they are writing for more than just the teacher. I teach 2nd grade so I really feel that using the writing process is important eventually when they are older, they will be able to sit down and do the process right on their blog like we do. What do you think?
Ivone
06/04/2007 16:11

Releitura ...

... é sempre um grande prazer, poder compartilhar de leitura do Dr. Irondes José de Morais, texto de real clareza, informando nos dos preceitos e conjturas dos Efeitos Sociais da Terra. Com os quais somos tragados sem a menor discrição. Muito bem, Dr. Irondes, parabenizo - o, e desejo sinceramente que continue nos presentiando com suas reflexões. Considerações, Ivone Oliveira Silva