Publicado em 25/03/2006 17:02

O Pai do Disco Voador

Estarei disponibilizando uma série contínua de trechos extraídos de uma de minhas obras, publicada ao ano de 2

Estarei disponibilizando uma série contínua de trechos extraídos de uma de minhas obras, publicada ao ano de 2001. O Pai do Disco Voador levará o visitante a apreciar detalhes de uma fantástica história sem ficção.


O homem tem o costume de adquirir vícios. Depois que ele aprendeu a voar, superou em muito a técnica de vôo do pássaro; mas para isso gasta uma quantidade enorme de combustível e energia. Como hoje os aviões decolam com quatrocentos passageiros e voam numa rapidez enorme, o homem se deslumbrou. Só que a falta de capacidade, de interesse pelo futuro, é algo preocupante. Me impressiono com a mentalidade dos industriais. Chega a ser ridículo o fato de que em 1995 o avião ainda é desenvolvido seguindo o formato do passarinho, com asas, rabo e cabeça e ainda precisa de cerca de 140 toneladas de combustível para levantar um vôo.
 A frota comercial gastou, em 1989, 135 milhões de toneladas de combustível, que geraram quatrocentas toneladas de hidróxido de carbono na atmosfera. O homem vai destruir o mundo se continuar poluindo a atmosfera desta maneira. O consumo de energia tem de diminuir. É imprescindível para a humanidade.


OLYMPIO FAISSOL PINTO, inventor
Do disco voador, em entrevista à sua fi-
lha Claudia, jornalista, em julho de 1995.


Olympio Faissol Pinto (OFP) é impressionante. Cientista de cabeça a mil, tem inventos espalhados pelo mundo e o segredo do Disco Voador.
 Nem que seja apenas para registro histórico, vale a pena aprender sobre as incríveis máquinas que esse brasileiro criou.
 Primeiro, façamos um rápido pouso no futuro...

Ano de 2073, Brasília, Brasil


 O disco voador risca o céu como um beija-flor.Ganhou apelido de OFP, em homenagem ao seu inventor, Olympio Faissol Pinto.
 Redondo, com duas turbinas voltadas uma contra a outra na parte inferior, é uma espécie de balão achatado, cujo ar não acaba. Irradiando pequeno zumbido, ele decola na vertical e agora pousa sereno para deixar passageiros. Ninguém liga; só um rapazinho curioso e seu pai comentam:

 - Pai, é verdade que o outro vovô inventou o OFP?
 - Ah, claro. O avô do seu avô. Ele achava que o homem deveria parar de copiar os pássaros. E deu certo. Ele idealizou a ionização do ar em torno da aeronave. Está vendo como essa aí trafega fácil, sem esforço? No século passado, os antigos aviões faziam força de capeta para se arrancar do chão. É, faz muito, muito tempo...

As dores de Brasim


Ituiutaba, Minas, 1941
 O mundo está em guerra pela segunda vez. Os adultos catam notícias. O menino Brasim, entretanto, não entende e nem quer saber disso. Ele vive um drama muito mais sério do que a II Guerra Mundial: uma dor de dente.
 Oito anos de idade, roceiro, analfabeto. Ir à cidade e ao dentista pela primeira vez trazem expectativas terríveis; não pela cidade, mas pelo dentista. E não há outro jeito. Brasim não agüenta mais; parece capricho, é só anoitecer e o danado começa a ferroar. Bem que ele suportou enquanto pôde, escondendo da mãe o seu sofrimento, chorando baixinho enquanto fingia dormir. O ritual era só um: virava na cama, limpava os olhos, fungava... aí a mãe acordava (o pai quase não parava na fazenda; tinha negócios na cidade, onde ficava dias). Durante certo tempo, a mãe morreu de dó do menino. Depois, foi se cansando. A solução era rumar pra cidade e procurar o famoso doutor Olympinho, conhecido por estar sempre atualizado na odontologia.
 É isso aí. É hoje!
 Chegam à cidade já de noitinha. Engraçado, anoitecendo, hora de dente doer... e não tem dor de dente. Não é o medo de enfrentar o dentista no dia seguinte. Brasim passa por uma experiência extraordinária: as luzes de Ituiutaba. Um espetáculo!... Nunca tinha visto a tal energia elétrica. Os postes das ruas, ele sabe, são de aroeira, com as lâmpadas lá em cima, igual tomate maduro... uma beleza!
 Normalmente tímido, o menino observa as nítidas ruas encascalhadas e sente vontade de correr, de alegria pelo espetáculo das luzes. Ele dispara numa avenida, a mãe grita:
 - Te bato, menino!
 Ele escorrega e cai, voltando para a mãe. Ela sorri, talvez por entender o encantamento do filho.
 Vão dormir na casa da vovó Teresa, Rua 14, onde Brasim vive outra experiência. Maravilhado, ele encontra no quarto uma pêra, interruptor que acende e apaga a lâmpada. Cauteloso, ele aperta o botão da bichinha, a luz apaga; aperta outra vez, a luz acende. Aí ele vai apertando a pêra e a luz acendendo e apagando...
 Da sala, a vovó Teresa adverte:
 - Meu bem, a luz vai queimar...
 Envergonhada, a mãe de Brasim põe o menino pra dormir. Lá pelas tantas, ó meu Deus! A noite vai ficando grande, terrivelmente grande. É o dente doendo. Mas dá pra passar a noite.
 No dia seguinte, cabelo engomado e vestindo camisa branca passadinha e calça três-quartos, o filho obediente caminha na rua, puxado pela mãe. Indeciso, mas, ponto final:
 - Mamãe, o dente não dói mais...
 - Mas de noite dói. E trata de me esperar sentadinho no consultório enquanto eu converso com o doutor Olympinho. Ele é muito bom. Ce não vai sentir nada.
 - Mamãe, eu acho...
 - Você não acha nada. Presta atenção: ou cê trata dessa dor de dente ou eu te dou uma tunda.
 - !
 No consultório, o jovem medroso fica conhecendo o doutor Olympinho, muito educado, magro, alto (Brasim acha que o dentista deve ter uns três metros de altura). Foi só um rápido cumprimento, porque sua mãe vai lá pra dentro, naturalmente para expor as mazelas do filho ou então combinar o preço do tratamento.
 Sentado numa cadeira estofada, na saleta de espera, o jovem paciente aguarda quietinho.
 Aparece na saleta outro menino, talvez da mesma idade, porém... da cidade. Mais desenvolto, mais maroto, observando de rabo-de-olho. Brasim fica sério, tenta desviar o olhar, mas o outro menino não perdoa:
 - Ta com medo, é?
 Apavorado, Brasim afunda na cadeira estofada.
 A porta do consultório se abre. O doutor Olympinho convida amável:
 - Olá, moço bonito, pode entrar.
 O moço bonito foge correndo. Aflita, a mãe corre atrás dele na rua, mas não consegue alcançá-lo. O menino some.
 Durante o dia todo foi uma luta tentando localizar o rebelde, que não foi para a casa da avó. A vizinhada é que deu notícia dele.
 Só agora à noite ele aparece, suado e sujo.
Entra cabisbaixo:
 - Bença, vó.
 Ele nota que na casa da vovó Teresa tem gente com cara feia de montão. Um primo mais velho, por exemplo:
 - Esse menino merece uma coça.
 Brasim quer ir direto para o quarto, mas é barrado pela mãe:
 - Não senhor. Pra bacia tomar banho.
 Depois do banho... mãe é mãe. Ó, meu filho. Ela só reclama do sumiço na cidade, e nesse tempo todo na casa dos outros ou na rua.
 Ao se deitar, Brasim passa pela tentação de mexer na pêra, mas se contém e dorme sem o acende-apaga da lâmpada.
 De madrugada, ai! Ele enche a boca de saliva, tentando espantar a ferroada. Não adianta nada, a dor ataca, vem contínua e feroz. Ele começa a revirar na cama, segura a bochecha, enxuga uma lágrima, mexe com os pés... a mãe acorda. Sonolenta, ela se levanta e não vai à cozinha preparar remédio como fazia na fazenda. Ela pega o chinelo e dá uma surra em Brasim. Cerra os dentes com raiva, grunhindo baixo para não acordar a vovó Teresa:
 - Eu não falei que te batia, eu não falei que te batia?!
 É um pampeiro em baixo-som:
 - Foi aquele menino, mamãe, ai-ai! Foi aquele menino! Foi... ai-ai! Aquele menino que me pôs medo!
 -É? Fala baixo! Toma, toma!
 - Meu dente ta doendo, mãe...
 - Ta nada! E fala baixo...
 - Foi aquele menino que me pôs medo!
 - O filho do doutor Olympinho? Te pôs medo, né?
 E lá vai chinelada...
 Brasim já não sabe se chora pelo dente ou pela tunda. O pior é que tem de ser tudo abafado, para não acordar a vovó.
 Serenada a raiva da mãe vem o ódio do filho, se lembrando do menino da cidade, o filho do doutor Olympinho: ta com medo, é?


O filho do dentista é OFP, Olympio Faissol Pinto, que se destacaria por suas múltiplas atividades: odontólogo, inventor, conferencista, ecologista e cientista respeitado.
Não acredita? Nos próximos artigos levá-los-ei a ver que isso é a mais pura verdade.


O Livro O Pai do Disco Voador - Fantástica história sem ficção por Valdemes Menezes, teve a coordenação gráfica da Editora Kelps na cidade de Goiânia/GO

Valdemes Menezes

Valdemes Menezes

Trabalhos executados na área de cultura regional. Escreveu as seguintes obras: O Pistolão, O Portão de Deus, O Grande Momento, A Recuperação do Preso e a Segurança do Povo, A invasão do Brasil. Muito Prazer Europa, O Pai do Disco Voador
Radicado em GO e nascido em MG(Ituiutaba), já passou por muitas e outras, de menino rico a jovem pobre. Formou-se com dificuldade no RJ, e, sozinho conseguiu alçar seu próprio vôo: foi redator da então poderosa Rádio Nacional; funcionário do Ministério da Fazenda na ex-capital federal; controlador de vôo da Real(adquirida pela Varig); assistente do diretor de rádio e televisão da McCann Erickson(maior empresa de publicidade do mundo) e se confessa hoje como apaixonado escritor.

COMENTÁRIOS

Comentar usando as redes sociais

Caixa de comentários TUDOIN


Resposta ao Comentário (Cancelar)