Publicado em 20/11/2009 05:16

O viagra feminino

Conheça o flibanserin, a promessa farmacológica do momento.

Muitas das moléculas com utilidade farmacológica foram descobertas ao acaso. O exemplo clássico disso foi a descoberta da penicilina. Fleming, em seu laboratório de microbiologia, percebeu que o crescimento de colônias em uma placa de cultura de bactérias havia sido inibido pela presença de contaminação pelo fungo do gênero Penicillium. Ao investigar mais a fundo, o pesquisador descobriu que o fungo produzia um composto bactericida, a penicilina.

O exemplo mais moderno da descoberta ao acaso veio do Laboratório Farmacêutico Boehringer Ingelheim. Pesquisadores tentavam desenvolver racionalmente um composto com atividade antidepressiva. Chegaram então a estrutura da molécula denominada flibanserin. Os testes pré-clínicos demonstraram que esse candidato a fármaco agia de forma seletiva na atividade dos neurotransmissores dopamina e serotonina (moléculas responsáveis pelo prazer e bem estar no cérebro), o que poderia gerar atividade terapêutica antidepressiva. No entanto, durante os testes clínicos iniciais, os pesquisadores notaram que as pacientes que usavam o flibanserin apresentavam aumento na libido e satisfação sexual. Porém, o efeito antidepressivo esperado não foi evidenciado.

É fato que a falta de desejo sexual é comum em mulheres com idade entre 30 e 60 anos, assim como a disfunção erétil é para o homem. Na década passada, o Viagra chegou para inovar o tratamento da impotência masculina. Contudo, não existe tratamento farmacológico disponível para o caso das mulheres.

O Laboratório decidiu investigar mais a fundo o efeito farmacológico observado. Um estudo clínico, divulgado no dia 16 de novembro, com mais de 2000 mulheres na fase de menopausa e que sofriam de "distúrbio do desejo sexual hipoativo" foi conduzido na Europa, Canadá e Estados Unidos. Os resultados mostraram que as mulheres que usavam 100 miligramas diários de flibanserin relatavam um número maior de "eventos sexuais satisfatórios".

Diferente do Viagra, que tem ação localizada no fluxo e irrigação sanguínea do pênis, o flibanserin age na bioquímica do cérebro, restaurando o funcionamento adequado das regiões cerebrais que controlam a libido sexual. De acordo com os pesquisadores, pelo seu mecanismo de ação, os resultados só são evidentes depois de aproximadamente 8 semanas de uso. No caso do viagra, os efeitos farmacológicos começam cerca de 20 minutos após a ingestão do medicamento e sua ação dura cerca de 2 a 5 horas.

Novas pesquisas ainda precisam ser realizadas, porém o Laboratório estima que em 3 anos o novo medicamento comece a ser comercializado na Europa. As expectativas são otimistas e os especialistas projetam um lucro muito superior àquele conquistado com o lançamento do sildenafil (Viagra).

Esperamos que esse medicamento venha como mais uma arma para preservar o bem estar das pessoas e melhorar a qualidade de vida da população em geral.

Julierme Gonçalves

Julierme Gonçalves

Farmacêutico pela UFG, Mestre em Ciências Farmacêuticas pela USP/RP e Doutorando em Química de Produtos Naturais pela UFG.

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