Publicado em 08/02/2010 09:44

Para Lula ler na cama

A vida é um sonho. E não raras vezes, o leito é próprio à meditação, no dizer de famoso repórter internacional que mais adiante revelarei.

A vida é um sonho. E não raras vezes, "o leito é próprio à meditação", no dizer de famoso repórter internacional que mais adiante revelarei.

Certa noite, assisti pela TV Globo "Dalva e Erivelto", sobre as vidas de Dalva de Oliveira e Erivelto Martins. Conheci os dois quando eu trabalhava na Rádio Nacional. E surpreso fiquei ao ver na tela outro personagem incluído pelos novelistas: David Nasser, que se tornara referência na revista O Cruzeiro, a de maior circulação do País. A audácia do repórter até lhe custaram atentados de morte, mas não conseguiram matá-lo. David Nasser formava dupla com o repórter-fotográfico francês Jean Manzon. Juntos, ganharam fama; Nasser escrevendo e Manzon fotografando. O primeiro, além de jornalista (muitas de suas reportagens eram notícia em vários países), virou também escritor. Seu primeiro livro, Só meu sangue é alemão, foi o de maior vendagem entre as obras não-ficcionistas. Tempos depois o quinto livro, onde incluiu um pracinha da FEB (Força Expedicionária Brasileira), Manoel Ribeiro, à espera da morte: "Estava sentado em uma cadeira de lona (...). rosto magro, os olhos cansados, as mãos verdes e esqueléticas (...). O cortiço em que vive é imundo. As crianças evitam de passar pela porta daquele quarto, porque lá mora um tuberculoso". O pracinha esteve na 2ª Guerra e narrou a alegria do retorno ao Rio em 20 de julho de 1945: "Desciam nuvens de papéis das sacadas, as garotas nos beijavam à toa, a gente chorava e ria". Só que ele, filho único e doente, nada recebia do Exército. Cuidava dele a velha mãe, que evitava de chorar no quarto. Explica Nasser: "O enterro de Manoel Ribeiro, a expensas do Hospital Santa Maria, teve o acompanhamento de sua mãe e três amigos. Não havia flores".

Voltando aos episódios de "Dalva e Erivelto" na televisão, na parte em que surgiu o David Nasser, veio à minha memória um presente que ele me mandou pelo correio. Localizei na minha estante o livro Para Dutra ler na cama, e lá está, na primeira página, autografado (pelo próprio!) com caneta em tinta preta: "Para o R. de Menezes a homenagem do David Nasser". Foi ele que argumentou que o leito é próprio à meditação.

Eurico Gaspar Dutra, presidente da República, foi cutucado na quinta obra de David Nasser: "A vida que era dura se tornou infame", mesmo quando "a honestidade ajuda a governar" (a honestidade era a bandeira do Presidente).

Como a vida é um sonho, não custa atualizar este sonho, colocando Lula no lugar de Dutra.

 

Valdemes Menezes

Valdemes Menezes

Trabalhos executados na área de cultura regional. Escreveu as seguintes obras: O Pistolão, O Portão de Deus, O Grande Momento, A Recuperação do Preso e a Segurança do Povo, A invasão do Brasil. Muito Prazer Europa, O Pai do Disco Voador
Radicado em GO e nascido em MG(Ituiutaba), já passou por muitas e outras, de menino rico a jovem pobre. Formou-se com dificuldade no RJ, e, sozinho conseguiu alçar seu próprio vôo: foi redator da então poderosa Rádio Nacional; funcionário do Ministério da Fazenda na ex-capital federal; controlador de vôo da Real(adquirida pela Varig); assistente do diretor de rádio e televisão da McCann Erickson(maior empresa de publicidade do mundo) e se confessa hoje como apaixonado escritor.

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