Publicado em 12/06/2006 13:22

Por um novo planejamento

O planejamento estratégico do governo de Goiás provocou desigualdades de tratamento aos municípios do Estado.

O planejamento estratégico do governo de Goiás concebido desde 1999, provocou desigualdades de tratamento entre os municípios do Estado. Foram priorizados e desenvolvidos os municípios da Região Metropolitana de Goiânia, alguns da Região Norte, Sudoeste, Sul, Sudeste, Centro Goiano e entorno de Brasília. A Região Nordeste ficou desamparada, assim como muitos municípios das próprias regiões em destaque, como o município de Inhumas, na Região do Centro Goiano. Os municípios que mais receberam investimentos de empresas no período de 1999 a 2005 foram Anápolis, Aparecida de Goiânia, Trindade, Rio Verde, Itumbiara, Catalão e Jataí. O processo de desconcentração regional da capital para o interior é uma tendência natural na economia por questões de produção com menor custo pela proximidade com a matéria-prima e transporte, e reduzir as migrações do interior para a capital motivada pela ausência de condições de empregabilidade. Segundo a SEPLAN, o sudoeste goiano teve um crescimento na participação no PIB goiano de 13,16 em 1999 para 17,21 em 2003. O sudeste goiano subiu de 5,39 para 7,53 no período retromencionado. A Região Metropolitana de Goiânia perdeu participação de 38.8 para 31,02 no mesmo período devido a este movimento de desconcentração, porém os municípios de Goiânia e Aparecida de Goiânia continuaram a receber a instalação de várias plantas industriais. Em Anápolis, o DAIA continua recordista em novas cartas-consultas aprovadas no conselho de desenvolvimento do Produzir. O planejamento estratégico adotado priorizou regiões e municípios-chave, mas terminou por estabelecer uma nova concentração em espaços subnacionais. Um agravante é o município de Rio Verde que atraiu muita mão-de-obra de outros estados, inclusive qualificada, e não promoveu na totalidade o aproveitamento da mão-de-obra regional, nem mesmo foi possível medir o grau de deslocamento das migrações oriundas da capital para a Região Sudoeste. A eficácia do planejamento é questionada. Pode-se observar a região de Inhumas, que ficou desfalcada de empresas que geram empregos e renda. O município de Inhumas recebeu apenas uma empresa beneficiada por incentivos do Produzir, assim como vários outros municípios do Estado. Entre os municípios que apresentaram maior dinamismo em seu desenvolvimento em três anos, o município de Inhumas perdeu oito posições no ranking, apesar de ter apresentado crescimento na sua riqueza. Se não há instalação de novas empresas nestes municípios que ficaram desfalcados, bem como a efetiva agregação de valor no processamento da produção local, o fluxo circular da renda fica prejudicado, ou seja, comércio vende menos, prestadores de serviço faturam menos, famílias não alugam e não negociam seus imóveis, reduz-se o consumo, diminui a arrecadação e o emprego, e, por conseguinte as forças de expulsão vão provocar um novo deslocamento da população para a capital e região metropolitana. Independente do novo governo no Estado, este planejamento estratégico precisa urgentemente ser reformulado, e deve ser apresentado como proposta pelos candidatos durante a campanha. Os municípios enfraquecidos necessitam eleger deputados estaduais de suas regiões para fortalecer as pressões junto ao governo do Estado.

Welington Rodrigues

Welington Rodrigues

Economia, pós-graduando MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC.
Diretor da Project Consultoria Especialziada, autor do livro "Por que Inhumas é assim?".

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