Publicado em 28/04/2008 06:18

QUEM DÁ MAIS?

Uma fotografia pode dizer muito. Foto fala, tem alma, é viva. Interessante como um retrato por dizer tantas

Quem dá mais?

Uma fotografia pode dizer muito. Foto fala, tem alma, é viva. Interessante como um retrato por dizer tantas coisas. Alegria, tristeza, pessimismo, otimismo, ódio, prazer... Na última edição do jornal A Voz, editado pelo jornalista Clausius de Souza, foi publicada uma fotografia que me chamou a atenção.

Trata-se da solenidade de formatura da turma de Letras da UEG, cuja mesa é formada pelos professores: John Will, Rita de Cássia, Anália Cássia Gonçalves de Souza, Alessandra Granjeiro e Luciana. O que me chamou a atenção foi o nome da patronesse, professora Alessandra.

Deixem-me explicar melhor. Ultimamente patronos, padrinhos e demais homenageados em festas de formaturas são normalmente políticos, justamente quando estes estão em baixa perante a opinião pública, principalmente parlamentares. Por que então são convidados? Porque pagam caro para isto.

O Diário da Manhã do dia 24 de abril do ano passado trouxe uma matéria a respeito, apresentando até uma tabela da contribuição exigida para estas ocasiões, que, segundo o jornal é de, no mínimo um mil e quinhentos reais, podendo chegar até dez mil. Lógico que no interior esses preços são bem mais acessíveis.

Ficou famoso no Brasil inteiro o episódio ocorrido em Santa Catarina, onde o professor Rubens Oliveira da Universidade Estácio de Sá, foi convidado para ser o patrono dos formandos de jornalismo, administração e turismo e contribuiu com a quantia de mil reais. Os alunos acharam pouco e o desconvidaram. Em resposta, dentre outras coisas, ele disse aos membros da comissão de formatura: "Seguramente a vida lhes ensinará o que a faculdade não conseguiu."

Formei-me pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás no ano de 1981 e posso afiançar que naquele tempo não era esta a prática. Nossa comissão de formatura estipulou uma contribuição para quem desejasse participar das festividades, que foi cobrada por vários anos. Eu não consegui pagar e meu nome foi, inclusive, omitido da placa comemorativa afixada na parede da escola. Carreguei por muitos anos esta mágoa, mas de uma coisa tenho orgulho, os homenageados foram escolhidos em assembléia democrática, voto a voto. Lógico que nós do fundão perdemos todas, mas pelo menos apresentamos nomes para a disputa. Nossos candidatos foram o Fidel Castro, Brizola, Lula, Miguel Arraes. Quem ganhou foi o Íris Rezende, que voltava para a política na época, depois de vários anos afastado pela Ditadura Militar.

Acho lamentável o que os alunos fazem hoje em dia. Convidam alguém para ser homenageado, por seu dinheiro. Cobram pela homenagem prestada. É triste. É como aquele concurso dos melhores do ano, que todo mundo sabe como é feita a escolha.

Não sou contra convidarem políticos, sou contrário ao troca-troca de favores. Toma-lá-dá-cá. Existem vários políticos sérios, que merecem ser homenageados pelos alunos. O que não podem é cobrar por isso. Uma sociedade somente pode exigir de seus dirigentes, quando ela faz sua parte. É preciso entender que os futuros políticos sairão exatamente destas turmas de formandos, daí, nossa preocupação com o futuro deste país. A mudança começa é em casa, na escola.

Por tudo isso, meus parabéns aos formandos de Letras da UEG, unidade de Inhumas, que escolheram os professores para as justas homenagens. Como diz Rubens Oliveira, o professor convidado e desconvidado da Estácio de Sá: "Patrono é isso: uma pessoa que dignifica a profissão."

Davi Isaias da Silva

Davi Isaias da Silva

Graduado em direito pela UFG, especialista em Direito agrário e Direito penal
Advogado militante em Inhumas e região, atualmente vice prefeito de Inhumas;editor do Jornal reflexo que circulou em Inhumas e região, colaborador do jornal 11 de Maio e Diário da Manhã;Livros Publicados: Cleide Campos pela editora Kelps; Contagem regressiva - contos, Ed. Deescubra, Crônicas da Goiabeira - Ed. América. Premiações: Gremi contos, As formigas, Cento e vinte e um, Metamorfose;Conto Crime Ambiental publicado na coletânea da ALCAI

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Lista de Comentários

Lucas
01/05/2008 02:29

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Não sou dos mais, esperançosos, por uma sociedade, por um grupo. Ao meu ver, há algumas limitações, e claro, a principal, partindo do individuo. Prova? Os tais alunos que desconvidaram... Mas claro, há o outro lado, que talvez nem acredita, mas o faz, por gozo, por simplesmente, ser. Prova? A bela resposta do tal desconvidado. Se não fazem por políticos, que seja assim, visem-se aqueles, que batem sem pedir perdão. Isto não é o principio do caos,não! Pelo contrario, é o caos da razão guiando o fundamento.