Publicado em 02/04/2007 10:50

Sobre o crescimento da China

O que ocorre na China que está impactando o mercado?

A pergunta que corre nos mercados do mundo todo é se a China continuará a crescer no mesmo ritmo, mesmo o governo chinês projetando pequenas quedas para os próximos anos. Mas também é importante questionar por quanto tempo a China manterá estas altas taxas de crescimento, face aos seus problemas estruturais. A China é a economia que mais cresce no mundo nos últimos trinta anos, e nos últimos dez anos sua taxa de crescimento ficou acima dos 10. A tendência natural é a de que a China pague um alto preço por suportar este crescimento. Foi assim com o Brasil no período do milagre econômico, onde em 1968 o crescimento do PIB chegou a 9,8 e a produção industrial em 14,2, mantendo-se relativa estabilidade de preços. Pagamos o preço até hoje com o endividamento externo para bancar o crescimento. Oficialmente o endividamento brasileiro foi pela necessidade de recurso à poupança externa para viabilizar as altas taxas de crescimento na década de 50. Quando o Brasil atingiu 9 de crescimento do PIB a população brasileira era de pouco mais de noventa milhões de habitantes. A China tem 1 bilhão e 313 milhões de habitantes (estimativa para 2006), e é a maior população do mundo. Sua economia apresenta aumento na renda da classe média e, portanto, essa mesma classe média provoca aumento do consumo e poupança. Não se sabe se a queda na bolsa de Xangai pode estar passando por uma turbulência ou se o mercado terá que conviver com oscilações constantes daqui para frente. O mercado é volátil e na menor dúvida busca alternativas mais seguras pelo mundo rapidamente. A decisão unilateral da China em taxar as aplicações em bolsa prejudica somente a ela. Uma decisão desse porte deve ser tomada em comum acordo com vários países. O impacto do susto de Xangai no mundo nesta semana, e talvez com repetição ao longo da próxima semana, é imediato e com mais intensidade sobre os países emergentes, que necessitam do investimento externo para movimentar suas economias. Ainda é cedo para um diagnóstico acerca do temor das mudanças no mercado de capitais na China. Uma vez que os países buscam o fluxo de capitais desregulado e instantâneo, o melhor que a China tem a fazer é se valer das melhores regras para a contabilidade e a divulgação dos seus dados. 

Welington Rodrigues

Welington Rodrigues

Economia, pós-graduando MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC.
Diretor da Project Consultoria Especialziada, autor do livro "Por que Inhumas é assim?".

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