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Educação
Maria Cristina Fungaro Baragatti
tempo de começar a fazer!
Há muito tempo atrás, muito antes da minha geração existir, o ensino era transmitido de forma rígida, onde o aluno ouvia o professor, não questionava, não brincava em sala, não deixava de fazer as tarefas, estudava muito sozinho porque a maioria dos pais não sabia ensinar o conteúdo que era visto na escola; os mais novos respeitavam os mais velhos e admiravam a sabedoria que eles tinham: sabiam a hora certa de plantar, colher, podar, semear, sabiam quando comeava cada estação, e qual a lua certa para podar as plantas, as madeiras, colher certas ervas medicinais, sementes e frutas; sabiam como madurar rápidamente uma fruta sem nenhum produto químico. Faziam conservas, embutidos, defumados mais saborosos e melhores do que compramos hoje em latas, congelados ou em pacotes.Determinavam com precisão os pontos cardeais, montavam e desmontavam seus instrumentos de trabalho, enfim, tinham grandes conhecimentos e sabedoria. Os jovens e as crianças se juntavam em torno deles para ouvir suas histórias e a de seus pais, de seu país, os contos e lendas que eles conheciam. Os aniversários e Natais tinham como valiosos presentes um brinquedo, um livro de literatura ou o material escolar para o próximo ano.ramos felizes e no sabamos!....Nossos avôs nos ensinavam a empurrar com a língua e a mão os dentes tortos, corrigiam nossa postura com paus de vassoura; nos ensinavam a andar corretamente, a vestir com elegância, a usar talheres, copos e pratos como se nascêssemos com eles nas mãos. Quanto cuidado, quanta ateno, quanto esmero...Hoje, não se sabe mais fazer um filho sentar e estudar, dizer bom dia, ou boa noite, por favor ou me desculpe; os jovens não têm mais valores para serem seguidos, no sabem o que bom ou mau; desconhecem normas e leis. Vivem como se fosse o último instante de sua vida, com sede do desconhecido, sem medo, sem nada...Não há delicadeza, respeito, ateno; fazem o que desejam sem se preocupar com consequências e, quando elas chegam, rapidamente transferem a responsabilidade para os pais ou irmos mais velhos. A culpa sempre dos outros. Não pedi para nascer, nem para viver. Queria pais ricos, boa vida, serviçais para me atender e não tenho nada, mas quero tudo. Quero ser, fazer, acontecer, não importa como.O tempo passa, chega a fase adulta, mas não chega a responsabilidade, o amadurecimento e o indivíduo continua batendo a cabea, errando aqui e acolá. Põe filhos no mundo, mas não constitui família, para quê? Já não basta a sua que está destruída?E o tempo continua; clere, inclemente, a idade chega, o cansaço vem, o corpo esmorece, não consegue acompanhar a vida que continua em desatino; não consegue acompanhar o crebro que fervilha diante do mundo maravilhoso que se descortina longe de seus braços. Sem estudo, sem dinheiro, sem trabalho, sem família, percebe que é muito tarde para começar, entristece, perde o vio, tenta manter a pose mas a vida é mais forte e o tempo quebra o orgulho, a insensatez, o poder que julgava possuir de segurar todas as situações ruins e, agora vencido pela vida, pelo tempo.Cada dia, cada minuto em nossa vida, estamos caminhando pela estrada de nossas vidas. Saltamos obstáculos, pegamos atalhos, ficamos indecisos nas encruzilhadas, caímos, levantamos, nos machucamos, mas continuamos nossa ida, passo por passo rumo ao desconhecido, rumo a um futuro previsível em que qualquer ser humano, mesmo que no seja vidente, consegue enxergar com exatido o destino, só nós que muitas vezes teimamos em não ver e quando nos apercebemos da realidade, não há mais retorno e toda tentativa de melhorar resulta em atraso, mas não em perda de tempo. Sempre é hora de recomeçar mesmo que um minuto depois nossa vida se encerre. Este é o tempo de fazer.
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Mara Lívia de Lima
Criatividade
Estudiosos da prática educativa como Arroyo (2004) e Demos (2005) estabelecem a mesma crítica à estrutura da escola e as práticas de aula não conseguirem acompanhar o tempo do mundo, de modo que há um conflito em que estão situados, de um lado, uma escola e uma prática de aulas morosas, repetitivas, mecânicas e de outro lado um mundo dinâmico, uma realidade complexa que exige atitudes rápidas, decisões criativas, autonomia dos sujeitos. Desse conflito deriva pelo menos duas necessidades: a educação continuada e uma prática pedagógica e didática em aula que culmine com um modo dinâmico de trabalhar conteúdos, metodológicos do ensino, relação teoria e prática etc. Esses princípios, que preconizam que o educador deve educar-se e a escola deve atualizar-se, transformam a criatividade na sala de aula em essência do trabalho educativo, porque, ao abrir á criação, professor e alunos adquirem novas possibilidades de intercâmbio com os símbolos do mundo. O Trabalho com revistas, jornais, ou mesmo metodologias como o rádio na sala de aula, organização de entrevistas pedagógicas, círculos dinâmicos em grupos no trabalho com painéis, visitas técnicas, resgate da cultura, organização de censo de hábitos, levantamento de problemas através de rede da vida, gincanas culturais, interpretação de textos musicais, animam o sentido coletivo da aula, a transforma numa obra aberta á invenção, e à intervenção sempre renovada dos atores envolvidos. Além de invocar os componentes da construção do conhecimento como a fala a escrita, a leitura e o ato de pensar mediado pela construção do conceito, oferecem oportunidades para que a aula seja, de fato, um lugar de desenvolvimento de potencialidades. E de descoberta de valores e de termos. Lançar a criatividade como elemento da aula exige especialmente dos professores, a consciência do sentido de inacabado do que fazem. Abrir-se ao sempre vir de sua prática remete a aula, ao plano da arte e, por isso, mais ao plano do processo que do produto. Mais da invenção que da repetição. Dessa maneira, junto ao fortalecimento do processo coletivo da prática educativa instalasse a necessidade de, sempre, produzir novos significados para a realidade e a vida. E, daí, fazer da aula uma ponte entre o aqui e o mundo, entre o lugar e o distante, entre o eu e o social. Caminho da construção e da reconstrução da humanidade. Em síntese, vale ressaltar um princípio fortemente deslocado pelos estudiosos da educação: "a vida é dinâmica, é uma dinâmica". Uma aula mecânica, repetitiva, deixa de ser dinâmica e pode se tornar um "produto" indesejado.
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Maria Aparecida Rodrigues
Beijo, Amor, Violência
Você já tentou oferecer a um adolescente um livro cujo título não estivesse explícito uma abordagem sobre a primeira relação amorosa, conflito de identidade sexual ou violência familiar? O que aconteceu? Acredito que 99, logo de cara, não toparam ler a obra, não é mesmo?! Afirmo isso tomando por base minha experiência com adolescentes egressos do ensino fundamental que freqüentam a Biblioteca Domingos Garcia Filho (BDGF), do Colégio Estadual Manoel Vilaverde onde atuo como dimanizadora.Em geral, os alunos de primeiros anos do ensino médio apresentam práticas de leitura de textos literários que se identificam com a temática do jovem: amor, namoro na adolescência, relação familiar, preconceito sexual, de cor e nível social; temas que refletem suas ansiedades. Isso é confirmado quando examinamos a lista dos títulos mais lidos dentre os adolescentes, de 14 a 17 anos, da BDGF. A procura voluntária desses alunos incide mais na literatura brasileira infanto-juvenil e o mesmo não ocorre com a busca pelos clássicos.Pode-se observar, de início, o que pesa na escolha dos adolescentes pela leitura ou não da obra são as palavras grafadas na capa e sua ilustração. Dos dez títulos mais procurados pelos adolescentes, sete deles trazem em seu título termos que evidenciam a relação amorosa entre os personagens adolescentes e os conflitos familiares. A procura por este tipo de texto literário se dá pela intenção do jovem leitor se encontrar nas histórias lidas, eles si identificam com os personagens e a temática do livro.Um outro fator que parece justificar a leitura de uma determinada obra por esses jovens, acontece pelo incentivo de seus colegas leitores acerca da história que leram. Um leitor se espelha no outro pela forma empolgante do reconto do texto lido. Acontece aqui a chamada formação de grupos de leitores pelo interesse comum.A linguagem é também um ponto que aproxima ou distancia o leitor da obra. A literatura tida como clássica apresenta uma linguagem representativa de usos lingüísticos próprios de um determinado grupo social em um determinado tempo que se distancia dos nossos jovens. Os clássicos brasileiros, desde a escola Barroca à Contemporânea, a mais aceita pelos alunos de primeiros anos são as obras referentes à Contemporânea. Embora haja a indicação do professor para a leitura dos clássicos, o jovem persiste na leitura que está acostumado. Acredito que seja pela proximidade da linguagem com a realidade do leitor. Como mediadora da leitura na biblioteca, sinto a dificuldade do leitor encontrar meios de estabelecer uma ponte para a passagem de leitor iniciante para experiente. Por isso, devemos considerar essa fase da vida do aluno, que está desenvolvendo simultaneamente a sua identidade e a sua condição de leitor, passando por várias mudanças (do corpo, de valores, de interesses) – como disse a professora Drª e Literatura Joana Darc Ribeiro, no minicurso ministrado na BDGF em março deste ano.A partir das considerações acima, faz necessário um trabalho substancial direcionado para a leitura dos clássicos para a formação do leitor crítico, dando continuidade ao processo de letramento. Talvez, enquanto mediadores da leitura na biblioteca possamos encontrar caminhos que possibilite o leitor jovem a avançar sua leitura para obras mais densas e complexas sem que perca o gosto pela literatura.
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daniel aldo
Dédalo e Ícaro
É dito que as palavras são como uma espada de dois gumes; têm o poder de ferir e reconstituir feridas; poder de destruir e de edificar. Busco este pensamento para iniciar este texto que tem por finalidade descrever e refletir sobre a arte de ser professor. A partir da leitura e reflexão de um texto feito em uma de minhas aulas no Ensino Médio, as palavras de um aluno revolucionaram meus conceitos e atitudes como professor. Líamos Dédalo e Ícaro de Ovídio, poeta romano (ano 8 a.C.), quando as palavras de um aluno vieram como a espada de dois gumes, ferindo, destruindo e reedificando meus conceitos sobre Educação. O Mito conta que: Dédalo e Ícaro estavam numa ilha construindo um labirinto para aprisionarem uma criatura monstruosa que aterrorizava a população de sua terra. Quando pronto o labirinto, precisavam sair da ilha, porém necessitavam escapar de tal maneira que o monstro não conseguiria segui-los e conseqüentemente fugir da ilha. Assim, Dédalo percebeu que somente voando sairiam de sua prisão. Resolveu fazer asas para ele e para seu filho Ícaro, e utilizando cera e penas, arquitetou-lhes asas para escaparem da ilha e do monstro. Após ajustá-las em seus corpos, Dédalo instruiu seu filho ao vôo e o advertiu dizendo: não voe próximo ao sol, pois seu calor pode derreter a cera de suas asas, nem próximo ao mar, pois as águas ao evaporarem agregarão à cera e suas asas ficarão pesadas demais para seu vôo. Procure o caminho do meio e siga-me. Após a instrução Dédalo alçou vôo e atrás do pai o jovem filho. Ícaro em sua juventude apaixonou-se pelo vôo e esqueceu-se dos conselhos do pai – voou o mais alto que pode. O calor do sol derreteu a cera de suas asas e Ícaro caiu no mar e morreu. Dédalo que voava na frente não percebera do desastre ocorrido com seu filho, porém ao verificar o vôo do filho, viu limpo o céu e as penas das asas e o corpo de Ícaro arremessados e estilhaçados sobre as águas. A reflexão sobre o texto naquela aula foi intensa. A sala recordava de momentos em que não haviam sofrido por não ouvirem os conselhos dos pais ou de outros em que sofriam por terem pais autoritários e controladores. Falavam da importância de aprenderem a voar e serem livres para decidirem sobre suas vidas. Falavam dos momentos em que tiveram a cera de suas asas derretidas. Falaram dos tombos e quase afogamentos. Os defensores do vôo livre pontuavam sobre a importância de caírem e justificavam suas falas na idéia de que: para conhecer é necessário experimentar. Outros eram eloqüentes contra esta idéia e defendiam o pensamento de aprendermos somente com os conselhos daqueles que já viveram experiências semelhantes às nossas, evitando assim tombos desastrosos e possivelmente afogamentos. Éramos 38 alunos. Incluo-me entre os alunos, pois também compartilhei minhas histórias, angústias e medos tidos como filho. Literalmente a sala estava contaminada com a história de Ícaro, e foi no meio da turbulência das águas que a voz de um aluno foi como um vento que acalmou a tempestade: "Acho que Dédalo errou. Ele aconselhou o filho, mas não ficou ao lado dele. Se o pai tivesse voado lado a lado com o filho, ele não teria caído. O problema é que muitas vezes os pais falam pra gente fazer as coisas, mas sabemos que fazem diferentes". Este aluno em seguida desabafou, falou de suas angústias como filho, como aluno e como um "excluído". Suas palavras deixaram meus olhos marejados. Tinha ali à minha frente um aluno que pedia socorro, que queria desafiar os limites de seu vôo, mas ainda não havia encontrado alguém para voar com ele. Sua voz gritou em meus ouvidos durante muitos dias, o que resultou numa profunda reflexão sobre minha prática como professor. Vi as muitas vezes que havia motivado alunos a voarem e até os instruído a voarem; pude lembrar das vezes que havia voado na frente deles para mostrar-lhes o caminho do vôo, porém as cenas das penas e corpos que vi flutuando por sobre as águas insistiam em borbulhar em minhas lembranças. As palavras tipo espada de dois gumes de meu aluno fez-me ver que: dar instrumentos e instruções para o vôo não é suficiente para o alcance do sucesso no vôo; é importante compreendermos sobre a relevância de voarmos lado a lado como nossos alunos. É importante mostrar-lhes a força do sol e do mar ao voarmos com eles, deixa-los experimentar do derretimento das ceras e do acúmulo de água nas asas, porém se estivermos lado a lado com eles, haverá tempo para estendermos nossas asas e auxilia-los até o próximo porto. É necessário levarmos nossos alunos ao alcance da liberdade do vôo e conscientizarmos que a anulação de nossa participação durante o processo de liberdade pode alimentar o crescimento das catástrofes oriundas da libertinagem. Com meu aluno aprendi que como professor precisamos aprender a participar dos sonhos, aventuras e medos de nossos alunos; temos que compartilhar momentos de tensão e euforia, dividir e construir com eles parte de nossa história. Aquela aula no 1º ano do ensino médio no Colégio Estadual Manoel Vilaverde fez-me voltar à ilha de Minotauro, repentinamente vi-me na posição de Dédalo, construindo as asas para o vôo da liberdade juntamente com tantos outros Ícaros. Vi a mesma euforia e inocência descritas por Ovídio brilharem nos olhos de cada um deles, e às vezes, vejo que nossas mãos esfriam e nossas gargantas secam frente ao céu desconhecido. Sei que a rigidez do sistema mar e o calor da rotina sol podem danificar as ceras de nossas asas, mas carrego comigo as palavras daquele aluno e sei que são sábias e fazem sentido: voar lado a lado faz a diferença.
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Cleumar de Oliveira
Prostituição da Educação
Prostituição da Educação Básica e Suas Contramarchas O processo educacional, tanto em nível nacional quanto em nível regional/local, na terra brasilis, tem apresentado mesma funcionalidade. Em meio à onda globalizadora, realidade sobrecarregada por interlocuções transnacionais (transnacionalização), por incrível que pareça, esse universo educacional ainda apresenta sinais de arraigamento ao modelo colonial sul-americano. Como forma de fundamentar esta afirmação lançar-se-á mão de algumas reflexões acerca da dinâmica educacional no território brasileiro. Com o advento da colonização só era possível pensar em educação se ela estivesse relacionada à instituição Igreja. Aos jesuítas foi confiada a tarefa de levar a cabo o processo educacional na América. No Brasil essa ordem religiosa, segundo a historiografia tradicional, processou a catequese, ação deletéria que promoveu verdadeiro genocídio entre os nativos. A catequese foi pano de fundo para a consolidação do escravagismo nativo, diga-se de passagem, que os inacianos se tornaram os maiores exportadores das drogas do sertão, e em específico da erva mate. Com a consolidação do modelo agrário exportador dependente, justificado pela atividade açucareira, a prioridade instrucional recaia sob o ensino primário. Não houve incentivo por parte das capitanias em investir na complementaridade do ensino básico. Só cumpria todas as fases deste ensino a clientela oriunda do setor aristocrático. A razão deste descaso fez-se pela necessidade de garantir mão-de-obra, enquanto reserva de força de produção, para a lavoura. Transitando da colônia para o império nota-se um conjunto de mudanças que foi processado pela transferência da Corte para o Brasil. Entre os benefícios acordados parte deles foi respectiva ao setor educacional (fundação de colégios de ensino fundamental e médio, implantação de faculdades, construção de bibliotecas, centros de estudos), contudo, essas benesses visaram incrementar o setor intelectual e instrucional para atender as elites de formação nobresca que aqui se acomodaram, uma vez que, se os acovardados lusitanos pensassem em migrar para a Europa, em busca de instrução sistematizada, seriam escalpelados por portugueses e franceses. Mais uma vez transborda o perfil do processo educacional, cujas modificações se fizeram para atender as necessidades de um grupo restrito e não da maioria da população pária brasileira. Com o golpe de 1889, aplicado por classes médias, profissionais liberais e oligarquias dissidentes, os monarquistas perderam influência e foram afastados do núcleo legitimador de dominação. Inaugurou-se uma nova fase na história política e econômica no país. Paulatinamente desenvolvia-se o parque industrial brasileiro. Novamente o setor educacional foi convocado a forjar um modelo de educação que atendesse ao hibrido mercado econômico nacional (setor agrário reverberando o discurso industrial). Criaram assim as Escolas de Aprendizes e Artífices. Já na década de 1930 estas foram transformadas em Escolas Técnicas Federais, e hoje foram transformadas em Centros Tecnológicos Federais. As universidades, USP, UFRJ, UFMG, UNB, foram instituições de representatividade cuja tarefa seria de aniquilar o índice de analfabetismo no Brasil. De antemão, dedicaram-se na formação de professores que promoveriam a expansão universitária brasileira, pra respectivamente ocorrer a formação de docentes, através dos cursos de licenciatura, que trabalhariam nos setores primários e secundários da educação. Desta dinâmica sinto ao mesmo tempo saudade e nostalgia. As instituições educacionais até meados do século XX apresentavam uma qualidade docente e discente imensurável. Das escolas públicas eclodiram grandes intelectuais brasileiros e grandes profissionais liberais. Tenho saudade dos 180 dias letivos, dos três meses de férias, quem sabe lá do MOBRAL e da ADMISSÃO, do compromisso travado entre a família e a escola para com o processo educacional do aluno, este que segundo as leis de mercado tornou-se nosso cliente. Os programas educacionais do séc. XXI, agregados à velocidade da modernidade, às necessidades de trabalho, à imaturidade e inconseqüência das famílias brasileiras, tem gerado um turbilhão de problemas. Neste ato entra em sena a escola. Os mestres deixaram de ser mestres e passaram a assumir funções diversas (pais, mães, namorados, amantes, médicos, enfermeiros, babás, polícia, etc.). O mestre transformou-se em palhaço (seja de circo ou de folia), tem dançado na corda bamba, engolido sapos, vive cuspindo fogo, chacoteado tanto pela comunidade escolar quanto pela estrutura que normatiza os padrões educacionais, e quando se depara com o seu salário pensa em até pedir bolas de sabão para amenizar suas despesas. Percebe-se um verdadeiro processo de vulgarização e prostituição da educação não só em Goiás, mas em todo estado brasileiro. A educação perdeu seu encanto. Não é atrativa. O patriotismo acadêmico evaporou-se. Não se fala em idealismo qualitativo, e sim, apenas em dados e recortes estatísticos. A educação deixou de zelar pela formação da cidadania e pelo preparo do sujeito para a vida. Zela agora pelo acréscimo de estatísticas e pela diminuição do índice de reprovação. É bom que avaliemos, pois isso corrobora o fato de que o número de analfabetos diplomados ou intelectualizados pela academia é assustador. Em se tratando de contramarchas da educação penso que a pior delas foi tentar encarar as instituições de ensino como meras empresas. É bom que enxerguemos que a educação tem se transformado na maior empresa de dominação no Brasil.
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