TUDO INhumas | TUDOIN - Colunas - Filosofia
Filosofia
João Batista Campos Corrêa
O Imediatismo
Nem todas as pessoas podem perceber como uma sociedade é marcada por enlaces e vínculos, e que estes a formam como tal. Relações que, na maioria das vezes, são de caráter ideológico e transmitidas pela política, pelo modelo econômico vigente, ou mesmo, por qualquer outro segmento social atuante; e, são marcadas por conflitos intensos, constantes, muitas vezes silenciosos, porém, envolventes. Não obstante tais vínculos têm poder de agir na transformação da consciência de um povo, tornando-o portador de pensamentos, ora conscientes, ora inconscientes, carregados de significados e juízos de valores. Quando se trata de uma cultura marcada pelas chagas do consumismo exacerbado, pela estrutura do feroz mercado capitalista, onde o destaque é dado ao descartável, ao supérfluo como é o caso da maioria dos países do Ocidente, estes enlaces se tornam ainda mais poderosos e nocivos. Estamos referindo-nos ao espírito de uma época marcada por virtudes, vícios, pelo exagero e ostentação. Fala-se de desenvolvimento, tecnologia, produtividade, poder aquisitivo, promovem-se relações cada vez menos duradouras entre as pessoas como se também elas fossem supérfluas e pudessem ser descartadas. O pensamento então não passa de um encarcerado pelas grades do reducionismo, que transforma a cultura a educação a saúde em mero produto do mercado. Aliás, fazer esta redução de tudo ao imediato torna-nos também prisioneiros de algo que nos fizeram acreditar ser verdadeiro. Passamos a venerar a idéia de que não e possível se desvincular de um sistema que presa o bem estar, principalmente se for imediato. Alberto Magno, ao citar o Pré-Socrático Heráclito ressalta: Heráclito disse que se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois, quando encontram ervilha para comer [1]De fato não é na satisfação momentânea que encontraremos refúgio seguro para nossas vidas conseqüentemente para nossa sociedade. A pergunta que se faz pertinente neste contexto é a seguinte: Até que ponto será possível sustentar a idéia de que as coisas devem ser descartáveis, e porque não as próprias pessoas? A resposta pode ser mais dolorosa do que a pergunta, quando quem a fizer perceber que também ele (a) próprio (a) foi considerado (a) como tal , inútil, supérfluo (a), descartável. [1] ALBERTO MAGNO, De Vegetatione, VI, 401; B - Fragmentos Trad. de José Cavalcante de Souza.
Continue lendo este artigo ou Veja todos os artigos deste colunista
® 2006 - 2010 | TUDOIN - Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Beto Lemes e Luiz Júnior Fernandes.