A agonia da Música Popular
A Música Popular Brasileira (MPB) nunca esteve tão em baixa e em tanta agonia de morte como agora...
A agonia da Música Popular Basileira
A Música Popular Brasileira (MPB) nunca esteve tão em baixa e em tanta agonia de morte como agora. De uns 15 ou 20 anos pra cá a qualidade da nossa música foi levada, em quantidades cavalares, a um nível tão baixo que dá pra sentir vergonha de dizer que somos brasileiros quando o assunto é musica atual.
O brasileiro é conhecido por seu gosto eclético. Talvez pelo fato de sermos um povo de tamanha miscigenação, uma mistura de várias raças que trouxe tantas influências ao longo de nossa história.
Contudo, nossas preferências, artisticamente falando, tem-se tornado mais pobre a cada novo ano que surge. Há gosto para tudo, e em termos musicais, penso que nem o bom gosto exista tanto assim. Tudo o que surge no rádio, TV, internet, nas lojas do ramo e no mercado negro da pirataria (que não é de todo ruim assim) a galera cai de boca sem sequer experimentar para ver se realmente presta para o consumo humano ou não. Na maioria das vezes é puro lixo, pois, o mercado fonográfico, em todas as formas de apresentar e explorar a música, não está nem aí para nada. Querem mesmo é vender cada vez mais produtos de curta duração artística. No entanto, devido às intensas repetições nos vários meios de comunicação de massa isso acaba perdurando tempo demais, pois, quando se explora um determinado filão como aquele ritmo que pregam ter vindo do Pará (de onde nunca deveria ter saído) e que ficou conhecido por calipso (que de "calypso" mesmo não tem nadinha) é uma boa prova disso.
O sucesso é tamanho que ocorreu uma proliferação de imitadores da banda que começou toda essa bagunça. Existem aproximadamente vinte bandas cantando e fazendo tudo do mesmo jeito quando das apresentações das coreografias, impostações vocais, letras fúteis e vazias e outras semelhanças. Dá nojo. A forma de cantar das vocalistas é muito parecida que não dá pra notar quem são os verdadeiros e quem são os falsos. Imitam descaradamente o original até mesmo no visual de mau gosto brutal. Um misto de Heavy Metal dos anos 80, prostitutas da zona portuária e as Dançarinas de Axé. Breguice total. No Pará dá certo tendo em vista que esse ritmo que está mais para a lambada e é característico das regiões do norte do país. O estado Goiás ganhou a fama (ou estigma) de ser o estado que lança as melhores duplas do tal "sertanojo" ou "breganejo". É chato quando se chega a outros estados e o pessoal local comenta sobre essa nossa veia artística e até nos pedem para que cantemos alguma coisa do gênero.
Não há como argumentar com a turma que está inserida nesse grande "oba-oba" da música ordinária. Se você insistir em classificar determinados gêneros que prefiro nem chamar de musical, apesar de se valerem das noções básicas dessa arte que é a melodia, harmonia e, principalmente, o ritmo, você corre o risco de ser agredido física ou verbalmente. Certos "trabalhos musicais" são uma afronta aos ouvidos dos mais sensíveis. É uma pena, um grande pecado.
De quem seria a culpa? Do brasileiro com sua alegria sempre tão contagiante e a facilidade de aceitar tudo com o tal "bom humor" de sempre. O brasileiro que adora festas e muito agito? Seria o mercado fonográfico em parceria com as redes de televisão aberta com suas programações repetitivas e pobres (exceção da TV Cultura)? Seria a culpa do pseudo-artista com seu trabalho ultra-comercial e totalmente descartável ou seria da mídia no geral corrompida pelo famoso "JABÁ"? Quem sabe a incultura de grande parte da nação brasileira a qual se referiram os Tropicalistas em 67 quando do surgimento do movimento? Eu acredito que seja um pouco de tudo isso elevado a milésima potência do sistema educacional falido, o descaso da política corrupta de nosso país que nos mantém sob um estado brutal de cegueira devido a certas ideologias pregadas desde os primórdios lucrando assim com a nossa ignorância e estupidez terceiro mundista.
Não me interessa falar da música estrangeira por agora. Sou brasileiro e sei que anos atrás a MPB era de altíssima qualidade. Gosto de muita coisa que vem de fora, mas é preciso ser seletivo também. Ser seletivo sim é ser eclético. A cultura inútil existe e pode te acertar a qualquer momento.
Quer saber? Acho que isso é culpa da chamada globalização. Sim, isso mesmo. O efeito é tão devastador dentro da cultura que, através da música que é a arte das artes isso tem causado danos irreparáveis nas pessoas. Um exemplo são os nomes de geniais artistas como Tom Jobim, Raul Seixas, Beatles, Chico Buarque (que hoje é mais um escritor do que compositor e cantor), Elvis Presley dentre outros tantos. Estes há alguns anos atrás eram vistos como imortais. Jamais seriam esquecidos. A nova geração (com muitas exceções é lógico) que está surgindo agora, fissuradas em intermináveis bate-papos via internet e outras futilidades, pouquíssimos deles já ouviram falar desses ícones da música mundial.
Ou seja, os grandes da música brasileira e mundial estão sendo esquecidos muito rapidamente assolados por estilos como esse atual Eletrônico podre e repetitivo surgido das raves regadas de novas drogas e luxúria, longe daquele feito nos idos de 70 e 80, o Breganejo com suas letras HORROROSAS e cafoníssimas falando da mulherada fácil, de muuuuuuuita cerveja e festa de peão, o pobréééééééérrimo, paupéééééééérrimo Axé com suas micaretas safadas e oportunistas, o já falado calipso e seus clones ziz. Enfim, uma pobreza generalizada. Não quero nem falar da pornografia e vulgaridade do fraquíssimo Funk (de funk só tem mesmo é o nome) ou até o Rap, com raríssimas exceções, que agora deu em alguns casos de fazer apologia ao crime e à violência. Sem criatividade, sem o ideal do começo. Até o Pop e o Rock estão deturpados pelo mercado brasileiro atual (veja bem. Estamos falando de música popular brasileira) com umas bandinhas tão "fubazentas" por aí que dá nojo. Ainda bem que existem os resistentes e os alternativos. Mas, a pior praga dentre os supra citados são os tais dos DJs. Esses são como um câncer dentro da MPB.E há alguns nomes desse ramo que ainda se acham no direito de serem reconhecidos como músicos.
Mexer no que está pronto e tornar arte em lixo é a coisa mais fácil do mundo tendo à mão os vários programas que podem ser baixados pela internet. Disk Jokey é o sujeito que trabalha a música sem deturpá-la ou explorá-la comercialmente com fins benéficos próprios. Sua função maior é a de divulgar a arte e o artista através do rádio (procurem a tradução de Radio Ga Ga do Queen e vocês saberão quão importante foi e ainda é este veículo de entretenimento, cultura e conhecimento).
O primeiro DJ do mundo foi Alan Freed que tratou cunhar um novo estilo que surgia e fazendo com se tornasse no maior sucesso sendo uma fusão do Blues, Country e o Gospel norte-americano. O Rock and Roll.
O cenário musical mundial está ficando cada vez mais pobre e sem grandes atrativos. Porém, o que nos interessa primeiramente é a nossa música. O Samba, a Bossa Nova, o Sertanejo, o Caipira, a Moda de Viola, a música regional com seu folclore e cultura, isso sim é que deve ser levado em conta a priori. As pessoas às vezes me pedem que cante certas canções de gosto duvidoso as quais me recuso. Ainda não entenderam que sou um defensor da música de alta qualidade, que nesse quesito sou mesmo um chato e que adoro consumir, investir meu pouco dinheiro com o que é bom e original sem desdenhar da pirataria desenfreada que aí está. Saibam que aprecio até mesmo aquele estilo Brega genuíno.
Respeito nomes como o cult Odair José, Oswaldo Bezerra o rei do brega ou o falecido e grande cantor e compositor goiano Amilton Lelo dentre outros. Gosto de Heavy Metal, Punk, Clássico, Experimentalismo, Pop. Enfim, como já disse outrora, tudo o que é bom e genuinamente feito com dedicação e como forma de expressar a arte.
Em memória do grande humorista Bussunda.
Um abraço para os alunos e funcionários do Colégio Dom Emanuel (Damolândia), Ari Valadão Filho, Rui Barbosa e o 4º Ano de Letras da UEG de Inhumas.
Marcos Borges
Cursando último ano da faculdade de Letras pela Universidade Estadual de GoiásProfessor de língua inglesa e música com trabalhos nos bares, restaurantes e outros eventos da cidade. Marcos trabalha também como produtor e arranjador no estúdio Garage Days.
Lista de Comentários
disse,pode ter certeza de uma coisa,essas são as escoria desse pais de terceiro mundo,essas são os que fazem esse lixo sonoro ,se proliferar,como erva daninha."vc tem todo o meu apoio"lembrasse vc não esta sozinho...
De qualquer forma, a conclusão final que se tira é que estamos sendo "isolados" da cultura de maneira involuntaria e que por isso, acabamos por nos tornar meros ignorantes funcionais.
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