Altas más criações
Altas más criações na madrugada. Não leia, imbecil!
Absolutamente não sou um crítico de televisão e nem desejo ser. Perderia muito tempo discutindo sobre programas, folhetins e uma série de outras bobagens que ficam entre um comercial e outro. Desta vez, porém, é necessário abrir uma exceção e falar de uma dessas enrolações que andam incomodando a sensibilidade e faltando com respeito aos seus telespectadores.
Quem acompanha nas madrugadas de sábado da Rede Globo de Televisão o Altas Horas, apresentado por Sergi(nh)o Groisman, sabe do que falo. Os telespectadores mais assíduos já devem ter notado o marasmo do programa. A atração repete exatamente os mesmos clichês em todas as suas edições, como entrevista com alguém da platéia, convidados falando de sexo abertamente para demonstrar que o programa é para gente grande, um auxiliar de produção chorando e várias outras fórmulas, fazendo-a mais chata e entediante a cada sábado.
A mesmice já é de costume para quem acompanha as programações da televisão brasileira (excluindo-se claro, a televisão de Silvio Santos, que adora fugir da rotina...), mas o que chama a atenção, acima do formato gasto e das repetições, que podem até funcionar, é a má criação do apresentador, que vem se revelando maior a cada novo programa. Não sei bem se é a idade, mas em outros programas comandados por ele e até mesmo em Altas Horas, há algum tempo atrás, não se notava essas atitudes ranzinzas e mal-humoradas.
Os que não acompanham o programa, e que não estão perdendo absolutamente nada de interessante, devem estar se perguntando quais más criações são essas com os convidados. Vejam, por exemplo, já há alguns programas a produção pede aos entrevistados que tragam algum objeto de valor sentimental. Até aí tudo bem. O problema é o grau de irritabilidade do apresentador quando o participante não traz esse objeto. Um desses convidados tentou, de improviso, mostrar um escapulário, dizendo que era um objeto com valor sentimental (e poderia até ser mesmo...), mas o apresentador se irritou e conseguiu deixá-lo totalmente sem graça. Imagine se isso se repetisse. Seria um absurdo não é mesmo? E não é que se repetiu! Outro ator Global também não trouxe o objeto pessoal e tentou improvisar... Mal sabia ele a ira que despertaria no apresentador, que citou o caso anterior como se fosse um crime, e sem o menor senso de humor, deixando o ator com bochechas rosadas e os outros convidados constrangidos, sendo que ao menos o deixou dizer o que o objeto significava para ele. Essas e outras indelicadezas e falta de senso deixam até mesmo o telespectador constrangido ao assistir ao enformado semanal.
Sem me delongar, senhor leitor, peço que, se quiser, tire a prova, faça o enorme sacrifício de assistir à atração na madrugada de sábado para domingo, isso mesmo, na mesma hora do Cine Privet que o senhor ou seu marido, minhas senhora (ou a senhora mesmo), adorava ver quando era garoto e não havia internet. Perca um pouco de seu tempo e veja, com um olhar crítico, a essa desinteressante atração, que não atraí mais nem mesmo a vida ignorante, quanto mais à vida inteligente da madrugada, que está se cansando da falta de cultura e da apatia do programa.
O programa devia mesmo era mudar de lema. Esse negócio de ¨vida inteligente na madrugada¨ já deu o que tinha que dar. Deveriam trocar para ¨vida má criada na madrugada¨. Assim, atingiria um público bem maior. Não concorda caro leitor? Seu patrão, sua sogra, a atendente de sua operadora de celular e sua tia iriam adorar... Quem sabe assim, até mesmo o senhor não é mesmo? (Brincadeira...) Mas o lado sério disso é a idéia e a crítica à falta de conteúdo de algumas atrações televisivas e ao péssimo conteúdo de sua maioria. Má criação e arrogância são feias e cansam, ainda mais quando se é gente grande.
Emerson Fraga
Estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio OLY.Colunista e colaborador do Jornal Mercadão, da seção de cultura do site TUDOIN e do site litetrário Garganta da Serpente. Soma 26 prêmios artísticos, científicos e literários. 1º e 2º Lugar no III Concurso Nacional de Conto de Cordeiro (RJ)/Troféu Lygia Fagundes Telles. "Medalha de Ouro" pelo 1º Lugar Juvenil no III Concurso de Poesias "Letras do Divino", em Itanhaém-SP. "Medalha de Prata" pelo II Concurso Gente Miúda de Conto - Medalha Monteiro Lobato, promovido pela Academia PanAmericana de Letras e Artes. 1º Lugar Juvenil do VI Concurso Kelps de Poesia Falada (2007). Selecionado para antologia do IV Concurso Nacional de Literatura de Caçu nas categorias conto e poesia. Campeão da XXXI SACEM em conto, crônica e fábula. Premiado no Concurso Literário Internacional - Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaeite (MG) na categoria crônica. Vencedor do concurso de texto e imagem ambiental "Minha Cidade é Meu Planeta", promovido pela Revista Época e British Council. Vencedor nacional de texto na 4ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente. Delegado brasileiro no Fórum Internacional Estudantil 2007, em Londres.
COMENTÁRIOS
Comentar usando as redes sociais
Caixa de comentários TUDOIN