As soluções estão aqui mesmo
De fato, é nos 5.562 municípios em todo o Brasil que vemos o quanto é desigual nosso país.
De fato, é nos 5.562 municípios em todo o Brasil que vemos o quanto é desigual nosso país. Chega novamente o período das eleições municipais e observa-se a importância que há de cada município no contexto nacional. As pessoas perderam ultimamente o sentido da força que tem para mudar este país, a indignação com a corrupção instalada no poder público, mensalão, cartão de crédito corporativo, e por aí vai. Tudo acontece e não há a retomada dos movimentos de massa como nos tempos do impechmant ou mesmo das revoluções e lutas por direitos iguais, democracia e combate à corrupção. Parece que voltamos ao tempo do coronelismo onde o voto era de cabresto ou comprado e isso enfraqueceu os movimentos sociais. Esse lance do escândalo do cartão de crédito do governo, sem limite nem controle é muito pior que os acontecimentos no período Collor de Melo.
Outro dia li um artigo muito interessante escrito por Esther Scheffer, especialista em orçamento público por resultados e gostaria de compartilhar...Nas minhas andanças por diversas cidades do Brasil, o que tenho feito muito ultimamente, chamou-me a atenção o quanto as realidades são diferentes. E o quanto a qualidade da gestão municipal é O FATOR que faz TODA A DIFERENÇA nas condições de vida dos seus habitantes. O presidente é o mesmo em todos os municípios - para muitos, o melhor de toda a história; para outros, nem tanto assim; para alguns, o pior. Ignorando a opinião de todos, as cidades vão construindo sua realidade real, de acordo com sua própria capacidade de encontrar soluções para os principais problemas dos quais costumamos reclamar, como a exclusão social, por exemplo, quase que de total governabilidade local. Não estou ignorando o papel dos recursos federais nesse contexto, mas estou dizendo que uma vez o governo federal repassando os recursos, e isso ele faz, quem dá a esses recursos o destino mais certo ou mais errado, ou mais-ou-menos, é o prefeito. Se quisermos ser mais coerentes com nosso discurso dominante, segundo o qual está aí a base de todos os demais problemas, deveríamos também dar mais atenção à política local. Mas salvo engano, não é isso o que temos feito - eu me incluo nessa corrente. Quem serão nossos potenciais prefeitos a partir do ano que vem? E os nossos vereadores? Alguém sabe o que costuma acontecer dentro das câmaras de vereadores? Alguém sabe o que cobrar dos vereadores? Aliás, alguém sabe o que cobrar dos nossos prefeitos, que estão bem ali, do nosso lado? Sabemos apenas que o outro não está cobrando, mas se o outro perguntar o que eu estou cobrando (cobrar é uma coisa, reclamar, outra), a maioria de nós (com o dedo apontado para o outro) não terá resposta. Nos descabelamos em discussões sobre ideologias, sobre o governo federal, um pouco menos sobre os governos subnacionais - distantes ou inacessíveis - mas praticamente ignoramos a questão quando ela se refere às ações locais. Claro que essa é uma generalização, portanto, quem não se incluir nessa afirmação me desculpe, mas não se ofenda. Mas se via de regra é isso mesmo o que acontece, não basta ser um caso de exceção. Temos que repensar coletivamente nossa postura porque talvez a solução para os graves problemas que, creio, concordamos ter como nação, esteja muito mais ao nosso alcance do que nossa percepção tem nos indicado. (Ah... percepção - uma eterna fonte de ilusões!). Aliás, quem de nós ainda não pronunciou aquela famosa frase: A visão é global mas a ação é local?.
Em minha opinião, nada muda se não for pelo caminho da educação partindo do município e por uma imprensa livre para formar opinião.
(Artigo reproduzido com autorização da autora)
Welington Rodrigues
Economia, pós-graduando MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC.Diretor da Project Consultoria Especialziada, autor do livro "Por que Inhumas é assim?".
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