BOLA DIVIDIDA
O Inhumas Esporte Clube foi time de muitas glórias passadas, chegando mesmo a disputar a final do Goianão por
O Inhumas Esporte Clube foi time de muitas glórias passadas, chegando mesmo a disputar a final do Goianão por duas oportunidades, 1964 e 1965. Quando disputou a final com o Atlético no Estádio Olímpico, a torcida seguiu para Goiânia carregando galhos de goiabas, demonstrando o bairrismo do torcedor da Pantera.
Fico imaginando como o futebol era mais romântico. Hoje em dia nem mastro de bandeira é permitido, por medo da violência das torcidas. Já pensaram uma briga no estádio naquele dia? A torcida do Atlético iria levar, literalmente, uma surra de varas. A verdade é que o jogo transcorreu normalmente e o Inhumas sagrou-se vice-campeão. Ser vice até que não é tão ruim assim como pensa muita gente, tanto que sou vice-prefeito e estou é muito satisfeito.
Por aqui passaram grandes craques como o Eli Cutucha, Nito, Everton e o Líbano, terror dos adversários quando subia de cabeça. O homem foi artilheiro por várias vezes. Mais recentemente o Reidner e o Romeu.
Naquela época o futebol era diferente e os jogadores ficavam nos Clubes por longas datas ou até permanentemente, a ponto de se identificar o atleta pelo time que jogava como o Pelé do Santos, o Garrincha do Botafogo e assim por diante.
Muitas pessoas vieram para nossa cidade jogar bola e ficaram por aqui, constituíram família e por aqui estão até hoje. É o caso do lateral Bueno, Vavá, ponteiro Nelsinho, Paquetá, goleiro Altamiro (falecido), Reidner, o meio de campo Eli Mendes, que antes passou pelo Cruzeiro de Belo Horizonte, grande craque, inclusive elogiado por Pelé.
Citam-se ainda os pratas da casa: Naíde, Professor, Paraguai, Cuíca, Faíca, Cezar Roriz, Davi Abdalla, Anaídes, Valmer e bem mais tarde o Mingo, Sizelízio, depois o Cássio, Zé Veloz, Luizinho do Jorge, e muitos outros que a memória me trai.
Quando chegava o domingo era aquela loucura. A gente tinha que assistir o jogo, mas pagar como? Não tínhamos o dinheiro da entrada, evidentemente. O jeito era pular o muro. Aí tinha todo um ritual para a coisa dar certo. Era preciso chegar mais cedo, subir no muro pelo lado direito do Estádio Zico Brandão, observar, pular e correr para o meio da torcida e ficar ali quietinho, bem misturadinho. Quando estávamos lá em cima geralmente éramos incentivados pelos torcedores para que efetuássemos a transposição. Quando a polícia chegava já nos encontrávamos na arquibancada. Muitos policiais até faziam que não estivessem vendo ou mesmo davam sinais de incentivo. No final tudo dava certo.
Tinha vez, no entanto, que a gente pulava tão cedo, que por iniciativa própria fazia o trajeto inverso, porque o estádio estava vazio. Quando começava a chegar a diretoria, jogadores, a polícia, não dava outra, pulávamos o muro de volta e aguardávamos a torcida chegar.
É bem verdade que havia jogo que as medidas de segurança funcionavam e aí só tinha um jeito, assistir a partida de cima das árvores. Mas torcedor é assim mesmo, não pode é perder o jogo. Ficávamos parecendo macacos pendurados nos galhos.
Falando em jogadores que constituíram famílias em Inhumas, ia me esquecendo do zagueirão Zé Silva, o Zé Morcego. O homem tinha uma cabeçada que mais parecia um chute. Jamais fugia de uma boa dividida, quando não dividia o adversário ao meio, na habilidade, é claro.
Certa feita o Inhumas foi fazer um jogo amistoso na zona rural, se não me falha a memória, nos Souza em Nova Veneza. O jogo estava sendo realizado à tarde, no mesmo momento em que o vaqueiro apartava o gado, separando os bezerros das vacas, para que as mesmas pudessem produzir mais leite no dia seguinte.
A partida transcorria normalmente, jogo duro, porque o time da casa não queria perder para a Pantera. Correria era o que não faltava. Determinado momento a bola foi lançada em profundidade rumo ao centroavante adversário, homem veloz e habilidoso. Veio alta e Zé Silva era o último homem. Ele veio com tudo, olhando para cima em direção à redonda. Neste momento o vaqueiro que apartava o gado se atrapalhou e um novilho de uns dois anos se desgarrou da manada e entrou correndo no campo. No meio do povo o bicho se assustou mais ainda. O centroavante viu e saiu fora. Zé Silva, no entanto, nada viu e foi aquela colisão. Trombou com a fera ensandecida. Ele caiu para um lado e o boi para o outro. O massagista entrou correndo em campo e foi assistir ao zagueiro, que todos supunham estar morto. Quando se aproximou, Zé Silva sentou-se e disse:
- Podem socorrer o outro que eu estou bem!
Davi Isaias da Silva
Graduado em direito pela UFG, especialista em Direito agrário e Direito penalAdvogado militante em Inhumas e região, atualmente vice prefeito de Inhumas;editor do Jornal reflexo que circulou em Inhumas e região, colaborador do jornal 11 de Maio e Diário da Manhã;Livros Publicados: Cleide Campos pela editora Kelps; Contagem regressiva - contos, Ed. Deescubra, Crônicas da Goiabeira - Ed. América. Premiações: Gremi contos, As formigas, Cento e vinte e um, Metamorfose;Conto Crime Ambiental publicado na coletânea da ALCAI
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sou filho de inhumas da familia pacheco e moraes, e que praticamente nao vejo comentatios sobre o cesa; dos anos 80 a 90
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