Canto do Pracista 8º cap.
Confira o 8º capítulo do Canto do Pracista
Depois que Tereza se foi, Nelson entrou numa fase de sua vida triste, muito triste... muitas vezes se viu em pensamentos longínquos, solitário, cercado dentro de si próprio pelas sombras da tristeza. Geralmente quando se é casado, e que o matrimônio é um quase enfado de tantos problemas e de tantos filhos; depois que um parte, é difícil tornar a pisar em terra firme... as vezes nunca mais se consegue... Somos tomados pela ilusão que conseguimos nos refazer. Mas é meramente impossível . Um relacionamento de muitos anos, de muitos sofrimentos superados é particularmente difícil o recomeço. A dor de alguém; só pode ser sentida em proporção por ela mesma.
Julgamentos, todos fazemos, mas o sentir a profundidade da dor, é só de quem vive o drama da perca.
Com nosso pracista não foi diferente. Ao ver a casa vazia, o leito de morte em que sofreu tanto sua amada... somente as paredes , o vento gelado que invade a alma na ausência, a música Cabocla Tereza, é que foram testemunhas da saudade que fizeram com que o coração de Nelson sobrepujasse a dor.
Mas o mundo gira continuamente... A vida, emergia no curso natural.
A alma de nosso pracista, presa ao corpo... se manteve mais uma vez firme... conseguindo transpor o sofrimento. Em meio a batalhas e rendição, Nelson procurou até mesmo ser um boemio. Mas nada nesta vida é perdido. Estão todos aqui de passagem , e todas as lições de vida tem o lado bom e o ruim. Portanto é difícil elucidar ao leitor os efeitos dos atos de alguém, haja visto que só quem os vivencia pode avaliar.
Nelson, teve a época de afastamento dos filhos... colocou a situação como sendo a solução para esquecer- se de sua Tereza.E a solidão cruel bateu a sua porta... estava ele se distanciando dos filhos; agora seu único legado.
Quanto aos filhos cada um tomou sua estrada. Com passadas fortes , firmes e determinadas, traçaram ao modo particular de cada um, os caminhos neste mundo de meu Deus.
Mas Nelson um eterno apaixonado não se deteve...
E em meio ao mergulho na tristeza, ele submerge mais uma vez...
Inventa um meio de atirar-se em outro tipo de satisfação pessoal,; pois a boemia não era seu forte. Seu orgulho era um fusca branco que ele amava dirigir e se sentir livre. Nosso brasileiro (gente guerreira e corajosa) enfrenta as dificuldades de frente e começa então a reformar carros antigos. Ele mesmo reproduzia as peças originais que já não mais eram encontradas.
Como sempre fora um artista nato, as peças que ele reproduzia; eram verdadeiras obras de arte. Esculpidas no cobre, os aros dos faróis, as peças de acabamento; buzina, maçanetas de portas e de capô da forreca. (Primuh 1927).

Este carro passara a ser agora sua nova paixão e sentido de vida.
Minuciosamente ele a refez toda na parte de lataria. Ele era uma pessoa determinada e persuasiva para si próprio. A mecânica da forreca, ele colocou de opala. A buzina era original, e Nelson se
sentia livre ao poder dirigir seu carro antigo, (uma raridade) e viver o poder de estar liberto, buzinando sempre que passava por um amigo.
Andava pelas ruas da cidade se sentindo um verdadeiro herói diante de tamanha superação.
Enfim , Nelson pode novamente se sentir vivo... sonhar e se agarrar num Deus que ele sempre serviu.
Nesta época trabalhava na rádio em Inhumas e neste período pode- se dizer que teve uma vida avantajada . Alguns de seus filhos nunca abandonaram o pai financeiramente. E Nelson nunca abandonou Dinorah à sua má sorte... de agora ser uma poderosa mulher pobre. Mesmo após a morte de Tereza, ele continuou a ser membro da família. Continuou sendo amado e respeitado pela família Lôbo.
Gostava muito de dirigir, desafiando os perigos das estradas. Certa vez, numa viagem a Caldas Novas; depois de um trauma na cabeça; Nelson teve um descolamento de retina gigante; o qual resultou na perca de visão do olho direito. Sofrimento bate mais uma vez a sua porta. Passou por duas cirurgias tentando salvar a visão... seu esforço foi inútil... acabou por se ver diante da escuridão. Muitas vezes relutou diante da nova situação... principalmente quando tropeçava em algum obstáculo, dizia _ essa vida de ceguinho é dura...Mas ele conseguiria superar.O fato se dava porque nosso Pracista era um grande SONHADOR. E como enquanto sonhamos estamos bem vivos... Quando deixamos de sonhar morremos e Nelson gostava muito de viver.
Foi ai que ele resolveu fazer um curso superior. Queria desafiar a vida e as convenções da sociedade, iria se tornar um pedagogo.Seria o GATOSO da Faculdade. Prestou seu primeiro vestibular na UNIP, o resultado foi a aprovação .
Como o curso era de alto custo, desistiu da UNIP, mas não de ser um pedagogo.
Novamente prestou vestibular, agora na Faculdade Padrão e passou.
Nelson conseguiu estudar e se formar através de uma bolsa de estudos da OVG. Neste período ele residia em Goiânia Go. Ao ser aprovado na faculdade e ter conseguido sua bolsa, foi todo contente contar ao seu irmão mais velho sua façanha. Mas, o mesmo não deixou barato; disse_ pra que estudar? Fazer curso superior? Você já está velho com setenta e três anos? Esta pertinho de morrer. Nelson crítico, perspicaz respondeu_ pelo menos se morrer formado, serei um defunto culto.
E caiu na gargalhada.
Mara Arantes Costa
Nasceu em Inhumas aos 24 dias do mês de dezembro de 1958, filha de Nelson Arantes Costa e Terezinha Lôbo Costa.Busca transmitir aos inhumenses a importância dos fatos históricos ocorridos e fundamentaram o passado da história dos cidadãos inhumenses. Busca mostrar a força contida nos filhos da cidade das Goiabeiras.
COMENTÁRIOS
Comentar usando as redes sociais
Caixa de comentários TUDOIN