Canto do Pracista-Casamento
A cidade de Goiabeiras podia sentir no ar o aroma das comidas preparadas para a festa.
O sol iluminava o dia daquela manhã fria.
Enquanto os jovens cantavam, o carro deslizava nas estradas de terra, levantando poeira. O vento batia forte em seus rostos jovens instigando-os a sentir o gosto de liberdade; de almas cativas que estavam prestes a serem libertas. Ele por sua vez se libertaria da solidão e do infortúnio de viver só. Ela se libertaria do autoritarismo da mãe e do pai. Das repressões que as moças sentiam na pele simplesmente por terem nascido mulheres sensuais, lindas e com o poder de sedução... Época que ainda se falava de casamentos arranjados; o destino foi generoso e o casal fugiu das regras. Eles iriam se unir em matrimônio por amor.
O nosso rapaz aproveitou a oportunidade que o destino colocou na sua vida e se aproximou de Tereza. Enquanto viajavam ele cantava a música cabocla Tereza. As viagens demoravam muito; as estradas eram de terra; os carros não desenvolviam altas velocidades, animais na pista, atoleiros; pois o progresso anunciava sua chegada, mas só iria apontar e modificar o mundo daí a uns quinze anos.
Pais de Nelson Arantes
Nelson não se intimidou com o futuro sogro e começou a conversar com a moça. Nelson e Terezinha descobriram que já tinham algo em comum: a música. O nosso jovem aprendera a tocar violão e viola sem nunca ter frequentado aulas de música. Tocava de ouvido, e gostava de cantar. Esta maneira de expressão da alma de Nelson passou a fazer parte do cotidiano da vida deles. Ele que era um rapaz só, que tivera sido criado por uma família que o adotou , viu em Tereza a possibilidade de ter uma família, de deixar descendentes e poder mostrar para a vida a força interior que havia nele. Ela por sua vez; com a alma semelhante à de um pássaro ansioso por deixar a prisão em que vivia, se encantou pela beleza e pela autodeterminação de Nelson. Nascia ai uma relação de amor. Estariam juntos até que o canto do nosso jovem fosse quebrado pelo FIO DE PRATA que nos une ao corpo e aos céus.
Depois de algum tempo de namoro resolveram se casar. Na casa grande do fazendeiro Luiz foi preparado à festa de casamento. Uma grande quantidade de doces, de quitandas e um grande almoço, feito com muita fartura.
Era tudo preparado no fogão a lenha e em forno de barro. A cidade de Goiabeiras podia sentir no ar o aroma das comidas preparadas para a festa.
Casamento de Nelson Arantes e Terezinha
Mas como Luiz e Dinorah era um casal temido pelas atrocidades que cometiam, compareceram a cerimônia: o Juiz de Paz, alguns dos irmãos de Nelson, visitantes e a família de Tereza. Ela se casou com um vestido branco simples e com flores de jasmim nos cabelos. Ele com um Terno modesto. Estavam cheios de esperança em começar uma vida a dois. Assim que se casaram foram viver na casa grande do fazendeiro Luiz.
Luiz Lobo e Dinorah Lobo
Começaram a nascer os filhos. Mas a harmonia e paz não durou muito. Começaram os conflitos. Então o Sr. Luiz resolveu punir Nelson. Mandou que ele plantasse uma roça de café, cuidasse, colhesse e só assim seria aprovado pelo sogro. Nelson não se deteve ante o desafio. Mudou para a fazenda e tocou a roça de café. Suas mãos não estavam acostumadas ao trabalho pesado da lavoura, calejadas, sangravam. Mas mesmo assim nunca desistiu de cumprir sua palavra.
Dinorah tinha uma característica da sua personalidade: quando não gostava de alguém, criava todos os meios de prejudicar e açoitar a pobre pessoa. Com Nelson não foi diferente, a idéia da roça de café foi dela mas quem colocou em prática foi o sogro. Passado algum tempo, o café já estava no ponto de ser colhido. Nelson então colheu todo o fruto. Com a pele queimada pelo sol, o corpo todo agredido pela nova situação de vida, o jovem apanhou as sacas de café levou para a casa do sogro, entregou a ele e disse: _ de hoje em diante nunca mais pego em um cabo de enxada, tratarei dos meus filhos e esposa trabalhando honestamente em outra profissão.
Estava ai a maior afronta que Dinorah recebera da vida.
Mara Arantes Costa
Nasceu em Inhumas aos 24 dias do mês de dezembro de 1958, filha de Nelson Arantes Costa e Terezinha Lôbo Costa.Busca transmitir aos inhumenses a importância dos fatos históricos ocorridos e fundamentaram o passado da história dos cidadãos inhumenses. Busca mostrar a força contida nos filhos da cidade das Goiabeiras.
Lista de Comentários
abraços te adorooo...
Te amo minha irmã.
o general de onde estiver deve estar muito orgulgoso de voce. beijos adelmo
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