dejetos de desejos
a poesia e a falta de poesia está em tudo
e se a cabeça falasse das falácias
das peças que teu mal-me-quer inventa
entre duas entregas sem poesia
entre o pênis e a vagina do poema
e se a mesma língua que beija o mesmo desejo que vejo
fosse a língua inebriada de agnes e gozos
talvez não caberia visgo à cortina
em que essa doença de poesia se abriga
e me obriga
obrigado
entre a manada confusa de gados falsos e versos sujos
me levo nas levas da graça
que de tanto ser usada
se perdeu-me desgraçada
e se o dicionário vomitasse tua sede de escárnio
tua sede de realismo
e outros ismos
sobre o molho das palavras e das chaves proibidas
teu olho me castiga um crucifixo na garganta
teu olhar de falsa santa
que goza escondida de tua própria perdição
"abrir a porta", anota isso, "abrir a porta"
e depois se atirar pela janela que nos tira
a porta tão torta por morta da vida
esse é o segredo
do medo
de existir
e se o caso, se a vertigem, se masturbação feminina
(ou até mesmo a masculina)
coubessem no mesmo verso de Olavo
e na mesma idéia de Machado
aí diriam: louco
enquanto eu gritaria: poesia
trepando em praça pública
numa meia dúzia de palavras
gostosas
Renan Alves Melo
Aluno do Curso Superior de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Goiás.Vencedor de 37 prêmios literários e artísticos na SACEM; Primeiro colocado no prêmio Kelps de poesia falada do ano de 2005; Finalista prêmio SESC de literatura 2006; Primeiro colocado no concurso asas da literatura GREMI; Terceiro colocado no Prêmio Sesi Arte e Criatividade; Segundo Colocado no Prêmio Nacional FAP/FADAP de poesia. Possui um total de 62 prêmios (entre literários e artísticos). Brevemente seu primeiro livro de poesia "Noctâmbulos" será lançado, já que o mesmo foi aprovado pela Lei Goyazes 2007.
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