O canto do Pracista - 6º cap
Confira o sexto capítulo da emocionante história narrada por Mara Arantes
A vida continuou a acontecer em meio a tantos conflitos de gerações. O período transitório cultural eminente deixava as atitudes e rotulações de personalidades cada vez mais polêmicas.
Em meio a tantas mudanças, fatos, acontecimentos verdadeiros e muitas vezes regados de supertições e mitos de uma geração inovadora, Nelson e Terezinha reforçavam cada vez mais o sentimento de amor e de cumplicidade que havia entre os dois.
Entre o casal sempre havia um momento de amor de carinhos e de entrega. Aqueles segundos da vida que não voltam mais... cantarolar canções de amor de Teixeirinha,Tunico e Tinoco, Nelson Gonçalves, Cascatinha e Inhana... sussurros de almas...
Os segundos da vida, em que uma mulher mãe de dez filhos pode receber das mãos calejadas de seu amor uma rosa roubada em algum jardim... uma flor de trepadeiras, uma orquídea... ou mesmo uma flor qualquer destas que muitas vezes nem valorizamos. Passamos diante de sua beleza sem nunca nos darmos conta da perfeição em suas cores , formas e perfumes.
Mas Tereza enxergava com os olhos da alma, por isto podia sentir a beleza das flores que Nelson te presenteava.
O sol e a lua muitas vezes foram testemunhas deste amor. As estrelas serviam de inspiração para os corações apaixonados... que brevemente passariam de um estágio de vida singela, simples... de sentir o hálito antes mesmo que a boca fosse beijada,o calor no toque das mãos... era palpável os sentimentos... o amor inalava no ar.
Muitas vezes este privilégio foi testado por fatalidades. Na época em que o Sr. Luiz Lobo faleceu d. Dinorah mandou que fosse feito no cemitério Santana um Jazigo com uma imagem do Cristo olhando para os céus e certamente implorando a misericórdia do Pai sobre os membros da família, pois ali seriam enterrados gritos e gemidos de inocentes e de mães que sofreriam humilhações e todo tipo de violência, passariam pelos piores tipos de provações. Na lateral da casa havia um paiol onde os herdeiros com exceção de Tereza dividiram os bens como acharam que melhor lhes conviesse. A partilha acontecera ali mesmo, diante do morto.

Foi devido ao mistério da morte e a atitude que Dinorah teve , é que fizeram surgir lendas e mitos a respeito do corpo de Luiz. Histórias que muito intrigaram, mas que porém causara muitos sofrimentos a quem desta família sentisse a perda do anfitrião (Tereza).
Lá ela colocou para vigiar o túmulo dia e noite um de seus empregados (Roberto). Mas diante deste poderoso jazigo estava ai mais uma demonstração de fé e de amor de Nelson. A rigidez do bronze e a frieza do mármore se tornariam pequenos diante de tamanha coragem e bravura em defender seu amor.
No falecimento de Jaqueline , ela fora enterrada no jazigo da família OLIVEIRA LOBO. Após trinta dias de sua morte Dinorah exigiu do genro Nelson e de Tereza a exumação da menina. Exigiu que seu corpinho fosse transferido para outra sepultura. Foi então quando se deu a compra do terreno do cemitério Santana (jazigo) pertencente a família de Nelson.
Dinorah era maquiavélica... ficou gravado na mente dos filhos do casal o sofrimento de Tereza em ter que enfrentar tal fato de suas vidas já tão cheias de decepções e amarguras. Nelson mais uma vez provou seu amor pela esposa... providenciou que todo o fato se consumasse sem conhecimento de Tereza. Somente ele e autoridades competentes participaram da transferência do corpo de Jaqueline.Todas as mães de Inhumas sofreram junto com Tereza, se compadeceram de sua dor... oraram por ela, rezaram, imploraram a DEUSclemência e piedade ao casal, que estava enfrentando silenciosamente o pior tipo de sentimento: enterrar uma filhinha duas vezes. Mas a Menina Borboleta já não mais pertencia a este mundo ... Estava ela a contemplar a face do PAI, seu criador e de se compadecer da dor de seus pais.
A fé inabalável de Nelson o fez enfrentar com veemência as atrocidades da família de sua esposa.Ele não levou em consideração os meios e nem os fatos que ele tinha que administrar em relação à sua sogra, simplesmente amava sua Tereza.
E em meio a tantas tribulações ele perdeu a FAZENDA VARJÃO que herdara por morte do sogro.Ele tentou e muito segurar o patrimônio, mas lhe faltava o dom de ser fazendeiro. De ser um homem criado no campo, na enxada, com as mãos na terra, de comer arroz com feijão as seis horas da manhã...
Ele sentia sim o contato direto com a Mãe Natureza através de um Deus que ele sempre seguiu, do cheiro da terra molhada nas noites de chuva, o vento gelado em meio a poeira vermelha dos meses de junho ejulho ,os redemoinhos de poeira solta, o cheiro das flores anunciando a chegada das frutas, a primeira florada dos cajueiros e dos pés de jabuticabas...
Nelson era um artista nato. Gostava de pinturas, músicas, criava peças esculpidas na madeira em um torno que havia na oficina, tocava viola e violão de ouvido, amava criar e inventar. A sensibilidade estava impregnada no Ser do nosso Pracista. Seu canto iria durar para sempre.
Continuaria sendo ouvido dentro do coração de seus filhos e amigos que se lembrariam dele com muitas saudades. Estava ali neste homem os limites do ser humano. A sujeira e cheiro da graxa e a beleza interior aflorando sentimentos a todo instante. Dentre seus inventos Nelson criou o primeiro alternador para os motores de autos a gasolina e um dispositivo acoplado ao acelerador que quando o carro estava gastando excessivamente acendia uma luz no painel. Mas Nelson, num rompante de bravura diante de sua descoberta pegou sua criação, e foi na fabrica de automóveis em São Bernardo SP e demonstrou sua obra. No momento eles não deram a mínima importância. Voltou de São Paulo decepcionado com as pessoas pobres de espírito e gananciosas que o haviam atendido e que não demonstraram nenhum interesse pelo alternador.
Mas este valente cidadão não se intimidou... Pegou sua invenção e foi até Brasília para registrar e patentear sua maravilhosa descoberta. Chegou com o coração repleto de esperança em poder sonhar com a hipótese de ver reconhecido um trabalho seu. Grande foi sua decepção... Àqueles que o haviam recebido em São Bernardo passaram a patente de seu invento para uma firma grande que começou a produzir o alternador em grande escala. Mas sua invenção foi citada na época, por um jornal da capital de Goiás.
Mara Arantes Costa
Nasceu em Inhumas aos 24 dias do mês de dezembro de 1958, filha de Nelson Arantes Costa e Terezinha Lôbo Costa.Busca transmitir aos inhumenses a importância dos fatos históricos ocorridos e fundamentaram o passado da história dos cidadãos inhumenses. Busca mostrar a força contida nos filhos da cidade das Goiabeiras.
Lista de Comentários
Dalton Trevisan publicou um livro chamado Contos Menores. E o
mesmo titulo do meu primeiro livro de decadas atras. Nos relacionavamos e ele tinha o livro..
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