O Canto do pracista parte 2
Nelson Arantes se encontra com a moça Teresa em uma intrépida viagem ao passado das Goiabeiras
Pela entrada lateral do casarão, um pé de jasmim florescia timidamente inundando o ar com seu perfume. na porta havia uma cerca com tramelas... o cheiro do café no torrador anunciava a hora da merenda que seria servida sobre uma mesa enorme com bancos laterais. a toalha de linho branca passada com ferro a brasa...tudo era cuidadosamente preparado para que fossem servidas as refeições...
A cabocla menina, tinha uma admiração especial pelo pai. Ela amava tudo que partia dele. a imponência, o caráter determinado,a sensação de poder da época do autoritarismo....e era impregnado nas suas atitudes a sua inteligência natural e organização com assuntos relacionados a suas propriedades.
No quintal da casa grande havia um monjolo que dia e noite estava a trabalhar. muitas vezes socando paçoca de carne seca, de amendoim, milho e tudo aquilo que podemos buscar o aroma dentro de nós. A menina intrépida vivia ali em meio a irmãos, empregados, plantas, animais. Montava cavalos no pelo e ia para a fazenda próxima de goiabeiras. Durante o trajeto ela observava atentamente tudo que passava ao seu redor, a brisa batia no seu rosto jovem e seus cabelos lisos e negros bailavam com o vento enquanto caminhava na porta da casa da fazenda um pé de jatobá, que com o sol quente estalava e as frutas caiam em meio ao curral. A menina brincava com a polpa tentando amarelar os dentes para se tornar diferente.
Uma manhã acordou com o canto de despertar das aves no galinheiro...espreguiçou... sentiu o coração bater mais forte. O raiar do dia trazia consigo uma tempestade que mais tarde seria um ato de superação. Ao colocar os pés no chão sentiu uma forte dor de cabeça, e foi ai que tudo começou. Depois de vários dias de agonia e dor, sem poder ver a luz do mundo um médico que prestava serviços a domicílio veio a ter com a menina. Em meio a consulta o Dr. descobriu que ela estava ficando cega. A medicina ainda muito humana e bem menos científica. Época em que se curava muitos males com chás caseiros, deu o veredito - existe um tumor no nervo ótico. essa menina terá que ser levada a cidade de São Paulo para ser tratada no Hospital da Beneficiência Portuguesa. Começou ai uma historia de vida, em que uma menina frágil, inocente,iria parar de ver a luz do mundo e agora passar a ver a luz da alma.
Mas como toda pessoa que nasceu em goiabeiras traz consigo o poder da terra e a força viril da madeira impregnada no seu caráter, a menina conseguiu olhar para si mesma e ver que nela existia além da alma sentidos que mais tarde a fariam superar historias inéditas da sua vida.
Superação: vencer, subjugar, sobrepujar, situações e esta menina agora com quinze anos começa a ver em si a força de driblar os obstáculos da sua vida. Voltou então a ser aquela Teresa bonita, alegre, franca e continuou a
ser feminina e dotada de uma sensualidade incrível. Numa manha, o pai da cabocla precisava fazer uma viagem para uma cidade não muito próxima. Ele era um homem temido e determinado, porém nunca aprendera a dirigir.
Mandou que lhe chamassem um chofer de praça o nosso jovem destemido filho de Catalão, foi chamado a prestar o serviço de motorista para o fazendeiro Luiz. Na viagem foram no carro, o fazendeiro, um genro e também a moça Teresa.
O nosso rapaz apesar de saber da fama do fazendeiro teve logo olhos para sua filha. Achou sua beleza um dote diferente, havia nela uma sensualidade marota e uma verdade vinda do fundo de seus olhos. Ele não conseguia distinguir se era uma luz que brotava da sua alma ou e era uma cortina que cobria seu olhar.
Nelson dirigia e em meio a viagem não perdia tempo de admirar a belezada moça. Tentou uma comunicação com ela através de olhares pelo retrovisor do carro mas percebeu então que ela não correspondia. A principio se decepcionou, mas depois de algum tempo nosso jovem cheio de batalhas e superações, percebeu a deficiência visual da moça. Mas ele queria falar com ela, ouvir a sua voz, tirar o véu de tristeza de seus olhos e foi aí que começou a balbuciar canções e ela começou a cantarolar com ele durante a viagem.
Mara Arantes Costa
Nasceu em Inhumas aos 24 dias do mês de dezembro de 1958, filha de Nelson Arantes Costa e Terezinha Lôbo Costa.Busca transmitir aos inhumenses a importância dos fatos históricos ocorridos e fundamentaram o passado da história dos cidadãos inhumenses. Busca mostrar a força contida nos filhos da cidade das Goiabeiras.
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e isso e o que de ha mais belo nas lembraças que tenho dele
bjo
fico na espera pelo o proxima parte dessa linda historia.
de ser seu ex:aluno vc vio eu crescer dentro da barriga da minha
de ser seu ex:aluno vc vio eu crescer dentro da barriga da minha
para expressar uma realidade tão digna dessa pureza.
Serei leitora assídua de todos os seus contos. bjs
Um grande beijo e aguardo proximo capítulo....
Bjos!!!!
AS VEZES QUANDO ESTOU NO URUGUAI, ACHO QUE PELO CLIMA E PELA GRANDE QUANTIDADE DE FAZENDAS, SINTO O CHEIRO DA CASA GRANDE DA NOSSA AVÓ, O CHEIRO DO BISCOITO DE QUEIJO, DA BROA DE MILHO E DO MANÉ PELADO COM CAFÉ.
VOCE RESGATA TUDO ISSO SEMPRE.
SAUDADES
GRANDE BEIJO
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