O caos do atendimento
Faço parte do grupo que nota como o atendimento em Inhumas é precário
Cansei-me de escrever apenas poesias e contos com histórias de meu mundo. Decidi agora contar um pouco das chagas de minha cidade, como já fazia um amigo. Neste primeiro artigo, discutirei sobre nossos estimados vendedores conterrâneos.
O atendimento no comércio de Inhumas está longe de ser de qualidade. Prova disso é a enquete desta mesma página, onde apenas 12/100 dos opinantes consideram-na satisfatória. No outro extremo, 50/100 deles consideram precário o atendimento do comércio local.
Se não bastasse a má educação que já é de costume entre a maioria dos vendedores de Inhumas, soma-se a preguiça e a discriminação aos adjetivos da grande maioria da classe, adjetivos estes, que não exagero ao enumerar. Fico pensante entre o ir ou não a uma loja em nossa cidade. Posso estar incomodando alguns de nossos assalariados que se reúnem em grupos no fundo das lojas e deixam de atender os clientes que chegam, principalmente se forem pessoas que não aparentam ser compradores em potencial. Quem diria se gostam de atender quem está pesquisando. Orçamento é uma palavra que parece maltratar os vendedores de nossa terra. Lembra-me a paixão de Cristo a expressão que fazem mediante a simples menção dessa palavra. Deve parecer-lhes de muita má fé um consumidor que deseja pesquisar preços, ir de loja em loja pedindo um orçamento de uma lista de produtos. Cochicham por trás dos que procuram fazer economia e sobreviver diante do caos da classe média. Dizem, como já ouvi por vezes quando entrei em um estabelecimento:
- Que chato! Vem aqui e não compra nada... Acha que a gente é escravo!
Nem preciso delongar-me para falar das exceções, que, é claro, sempre existem, e são raros exemplares. São preciosidades, algumas as quais conheço. Encontramos pérolas dessas, também em épocas natalinas, em que os vendedores temporários se esforçam para ganhar um lugar meio a seus colegas já contaminados pelo sistema. Não que todos sejam contaminados, como disse antes existem exceções, dais quais as excluo de toda a crítica apresentada.
Quando cito, mais acima, discriminação por parte dessa classe, não é fabulando acontecimentos ou imaginando que existem, não. Já presenciei inúmeros. Certa conhecida minha dirigiu-se a uma loja, a qual não vou citar, pois deixaria ainda mais famoso este estabelecimento ao qual tenho aversão. Claro, era uma moça negra. Ela gostaria de comprar um computador. Não devo envilecer a grande situação constrangedora, que se concretizou quando o vendedor simplesmente indagou: ¨E você tem dinheiro pra comprar um computador? Sua negrinha!¨ Com todas essas palavras. Foi aí que percebi que além de nossa cidade não valorizar a sua própria diversidade de povos, não existe ética ou respeito na maioria das lojas do comércio.
A consideração com o consumidor se esvaí mais ainda quando as empresas, como a maioria no comércio municipal, têm entre pequena e nenhuma concorrência. Sendo assim, não há a necessidade de se oferecer um atendimento de qualidade. Isso nos remete aos tempos medievais onde os comerciantes burgueses abusavam o quanto queriam no valor de suas mercadorias e tratavam mal seus compradores, pois não havia concorrência e, por isso, não havia também a mínima consideração por parte deles.
Há ainda o tipo de loja, essa a qual cito implicitamente, que treina vendedores para simplesmente empurrarem coisas ¨inúteis¨ aos consumidores que adentram-na simplesmente para olhar algo ou para apreçar um produto. Perseguem o cliente como se este fosse oásis no deserto, pressionando-o a comprar, mesmo sabendo que, depois de ser forçado a levar o que não quer, não volta mais ao lugar.
Pergunto-me, o que fazem as empresas que contratam esse tipo de pessoa para seu quadro de funcionários? Que estimulam certas atitudes? Falta de respeito ao cliente ou acomodação? Não sei. Sei que não me espantaria, se daqui a não muito tempo, quando chegar a uma loja, tiver que me ajoelhar e suplicar: Venda-me vendedor!
Emerson Fraga
Estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio OLY.Colunista e colaborador do Jornal Mercadão, da seção de cultura do site TUDOIN e do site litetrário Garganta da Serpente. Soma 26 prêmios artísticos, científicos e literários. 1º e 2º Lugar no III Concurso Nacional de Conto de Cordeiro (RJ)/Troféu Lygia Fagundes Telles. "Medalha de Ouro" pelo 1º Lugar Juvenil no III Concurso de Poesias "Letras do Divino", em Itanhaém-SP. "Medalha de Prata" pelo II Concurso Gente Miúda de Conto - Medalha Monteiro Lobato, promovido pela Academia PanAmericana de Letras e Artes. 1º Lugar Juvenil do VI Concurso Kelps de Poesia Falada (2007). Selecionado para antologia do IV Concurso Nacional de Literatura de Caçu nas categorias conto e poesia. Campeão da XXXI SACEM em conto, crônica e fábula. Premiado no Concurso Literário Internacional - Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaeite (MG) na categoria crônica. Vencedor do concurso de texto e imagem ambiental "Minha Cidade é Meu Planeta", promovido pela Revista Época e British Council. Vencedor nacional de texto na 4ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente. Delegado brasileiro no Fórum Internacional Estudantil 2007, em Londres.
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