O conflito da cultura
Junte trinta e quatro partes de mentira
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
As dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco,
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça
Para aqueles que se interessam em ensinar as imbecilidades, surge então a oportunidade de mostragem da definição de cultura. A muito tempo esta palavra causa conflitos em sua definição, sendo que esta de acordo com o sociólogo inglês Raymond Wllians, a palavra vem do Latim - colere - e definia inicialmente o cultivo das plantas, o cuidado com os animais e também com a terra (por isso, agricultura). Definia, ainda, o cuidado com a educação; o cuidado com os deuses (o culto); finalmente, o sentido mais comum que o termo possui em nossa sociedade: o de que o homem que tem cultura é um homem culto. É aquele que cultiva (no sentido de desenvolver, praticar, cultuar) a inteligência, as artes e o conhecimento presente nos livros.
Sendo assim seria fácil, o homem mais culto do Brasil foi aquele que publicou o livro: como ganhar no jogo do milhão. Programa de conhecimento gerais que era transmitido na emissora de TV Sbesteira. Quer dizer que os escolhidos pela meritocracia ou pelo sistema não possui cultura? Só os artistas que escrevem largas linhas, os artistas plásticos da virtude, os músicos das partituras que possuem arte ou cultura?
A cultura como conceito antropológico vem sofrendo indagações já que ela foi criado em finais do século XVII e fim do século XIX e para justificar a superioridade do homem branco europeu. No Brasil está o exemplo de Nina Rodrigues interessado em conhecer a cultura negra, buscando compreender a vida e os costumes da população africana que viera pra cá como escravo. As interpretações eram em sua maioria etnocêntricas - compreendendo o negro e mesmo o índio como raça inferiores aos brancos europeus.
Dentro da trajetória da cultura, seja ela brasileira, regional ou local sofre com as argumentações egoístas daqueles maus informados da historia e tradição e criação da arte no Brasil. Desde os romancistas do século XIX no Brasil vem sendo publicadas obras a respeito dos elementos nacionais. Castro Alves (1847-1871) denunciando as atrocidades da escravidão, José de Alencar (1829-1877) valorizando o índio que antes era visto como defeito, Silvio Romero coletando contos e estórias populares do interior do país, querendo encontrar o Brasil distante da cultura européia, Euclides da Cunha (1876-1909), descreve cientificamente o sertanejo nordestino percorrendo o sertão da Bahia e relatou o massacre de Canudos. Então a partir desse exemplo podemos perceber a preocupação dos artistas brasileiros em romper com os padrões vigentes, independentes de sua concepção político-ideológico, a uma preocupação com a questão da nacionalidade e com a definição de uma cultura brasileira e principalmente popular.
Século XX foi marcado pelo turbilhão da velocidade constante da luz, os conflitos entre capitalistas e os comunistas, guerras mundiais e o avião, nas artes o cubismo, o expressionismo, o dadaísmo, o fauvismo e o surrealismo. Meu amigo pessoal Mario Schmitt diz: A intenção agora é ridicularizar. Na pintura, ninguém mais se preocupa em retratar fielmente a figura. O ideal são as coisas violentas as figuras deformadas, o espaço subvertido. Na música, harmonia dissonantes, melodias selvagens, ritmos desconexos. Na poesia, rir-se da poesia bem comportada. A rima, a métrica, nada disso importa mais. A poesia e a literatura passa a falar do homem comum, do cigarro, do automóvel da luta de classe dos moveis da sala a idiotice de ser um funcionário burocrático.
Na semana da arte moderna de 1922 este movimento teve o intuito de mostrar os elementos da cultura brasileira, Macunaíma, a obra mais famosa de Mario de Andrade, onde o autor discute a cerca do caráter do homem brasileiro. Esta semana foi organizado pela burguesia cafeeira paulista. Mesmo assim, teve gente que ficou chocada, o modelo era novo para as pessoas que estavam anestesiadas pela arte acadêmica, mais uma vez meu amigo Mario está certo que existem muitos intelectuais jeca-tatu brasileiros não conseguem digerir as novidades e os movimentos de vanguarda culturais.
Nos anos 60 o tropicalismo na liderança de Caetano Veloso, Gilberto Gil introduz guitarras elétricas nas canções, retratam temas relacionadas ao folclore usando orquestrações consideradas eruditas. Passados os anos de chumbo na ditadura militar, onde a cultura era transpassada pela critica autoritária do regime, artistas brasileiros conseguiram através de metáforas driblar as censura e trazer algo inteligente para se pensar. Em tempos de globalização da economia e da cultura aumenta a discussão do termo entre os estudiosos intelectuais, já com a necessidade de considerar uma serie de nossos fatores que vem aquecendo a discussão ao invés de discutir uma cultura brasileira, é mais oportuno falar em culturas brasileiras, dada a necessidade de contemplar uma serie de elementos como: divisão de classe, diversidade étnica, as especificidades regionais, a questão dos gêneros, que dão à nossa sociedade um caráter antes de tudo multicultural.
Neimar Carlos
Superior Incompleto em História, Curso técnico em Mineração e curso técnico em Patologia ClínicaIniciação Científica (CNPQ) - Massacre de Canudos no imaginário da literatura brasileira - Universidade Católica de Goiás. Afro Descendência em Goiás - Universidade Estadual de Goiás - Professor do Colégio Monsenhor nesta cidade.
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