Pecado ou Liberdade Original
O que veio primeiro: o Pecado ou a Liberdade Original?
O que veio primeiro: o Ovo ou a Galinha?
Essa pergunta que já embalou muitas piadas sem respostas e outras tantas discussões, pode neste texto ser de grande valia. Se levarmos em conta, de modo bem superficial, a Teoria da Evolução de Darwin, o ovo veio primeiro, pois antes de existir a galinha já existiam os primeiros seres vivos da terra - animais terrestres e marinhos - entre eles os dinossauros, anfíbios e outros que "botavam". Se levarmos em conta a teria Criacionista Greco-judaica (texto bíblico) a galinha veio primeiro, pois foram criados todos os animais, entre esses provavelmente a galinha e o galo, e só depois se reproduziram aparecendo assim, o ovo. Se levarmos em conta outras teorias... sei lá... tantas possibilidades!
Que papo hein!? Voltando ao assunto... muito me inquieta o quanto se fala no mundo religioso do Pecado Original. Assusta-me o quanto de peso vem junto dele sobre nossos ombros: "Adão e Eva pecaram e agora todo mundo está no inferno, porque primeiro vem o pecado...!" Tantas vezes já ouvi isso... (e normalmente a relação sexual, que diga de passagem, criada também por Deus, leva a culpa e veste essa carapuça; mas esse é um outro assunto).
A questão deste texto é: por que não falar da Liberdade Original em vez de ficar reforçando o Pecado Original? Na minha concepção de teólogo, cristão, filho de Deus, arquiteto, a Liberdade Original é mais importante e pode interferir muito mais, positivamente ou negativamente, na construção da vida e do mundo do que o outro.
Sem tentar fazer aqui uma tese, até porque não tenho base para isso, peço que me acompanhe:
Segundo o primeiro relato da criação (vale ressaltar que existem dois relatos da criação na Bíblia e que, para quem ainda não observou, são praticamente completamente diferentes - Gênesis 1 e 2), em Gênesis 1,1-2,4a o Criador cria primeiro todas as coisas, planta seu jardim, cria os animais e só no sexto dia, ao fim da criação, cria o húmus - a humanidade - homem e mulher à sua imagem e como sua semelhança (1, 27) e os coloca no mundo criado para multiplicar sua espécie e "sujeitar" a terra e "dominar" os seres vivos (1, 28).
No segundo relato da criação (Gênesis 2, 4bss), muito mais significante, em partes, na minha opinião, o Criador cria o céu e a terra e depois, do barro, do adamah (terra fértil), o Criador molda e cria o homem inflamando nele um sopro - nephesh - de vida (2, 7), e coloca no Jardim do Éden para o "lavrar" e o "guardar" (2, 15). Depois cria todos os animais para lhe achar uma companheira (2, 18-19), até que então da costela do primeiro homem, o Criador molda e cria a primeira mulher (2, 21-22), para que um dia voltem a se tornar uma só carne (2, 24).
E é aqui que a defesa deste texto se baseia: nos dois relatos da criação, tanto no capítulo 1 como no 2 de Gênesis, não se fala nem se falou do pecado, mas ressaltou duas coisas depois que o ser humano foi criado:
- O Criador entregou a Vida ao ser humano e toda a criação em suas mãos - Liberdade;
- O Criador disse: vocês são livres para viverem ai e fazerem o que quiser, menos comer do fruto da árvore do centro do Jardim (2, 16-17) - Liberdade de fazer tudo, "menos" uma única coisa, a fim de que liberdade fosse completa.
Mas foi justamente "o menos" que o primeiro ser humano quis, surgindo ai, o que a grande maioria chama de Pecado Original, e colocando na maçã ("tadinha") e no sexo ("tadinho") a culpa de tudo isso.
Mas o que veio primeiro nos dois relatos: A Liberdade de Escolha dada pelo Criador ao ser humano, ou o Pecado Original cometido pelo ser humano?
Sem querer responder: sem a Liberdade Original o ser humano não poderia ter escolhido o que não podia, fazendo aparecer aí o Pecado!
Sabe, acredito que o mundo se preocupa em demasia com os "pecados", muito com o "Pecado", pouco com as conseqüências sociais destes e quase nada com a causa primeira do pecado: a liberdade de se fazer escolhas, sejam elas boas ou más. Mas se nós gastássemos mais tempo em ajudar, orientar e ou ensinar as pessoas, em especial os crentes (aqueles que crêem), em fazer escolhas mais conscientes, responsáveis e de caráter humanitárias, o Paraíso do Éden estaria menos distante de nós e não seria só saudades, mas com certeza, seria a esperança certa de estarmos o reencontrando.
Poderíamos como final então dizer: vamos usar de nossa Liberdade Original para escolher, pois, a vida e assim já estaremos deixando para traz o Pecado e os pecados!
Fábio Mendonça Pascoal
Arquiteto da Vila São José Bento Cottolengo em Trindade trabalhando diretamente com arquitetura hospitalar e acessível; Membro da Comissão de Arte Sacra e Patrimônio da Arquidiocese de Goiânia, oferecendo assim orientação para as comunidades da Arquidiocese e profissionais no que diz respeito a restauro, reforma e construção de Igrejas e espaços religiosos;Estou atuando também na área de Arquitetura Residencial, Comercial e Industrial em Inhumas e região.Arquiteto e urbanista bacharelado pela UCG em 2001; Concluinte da Teologia pelo IFITEG (Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás); Cursando Especialização em Espaço Litúrgico e Arte Sacra na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)
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