Poesia - Convenção das desgraças
poesia - convenção das desgraças
insiste
entre a tarde e o seio pânico
teu ódio por minhas unhas fétidas e curiosas de teus pêlos
intrusos e amantes na espreita
do verso
sonho
com os olhos assustadoramente abertos
olhos caolhos
feito argos de agonia
que canta e alcança sem encanto tua cerne de utopia
teus defeitos perfeitos na festa das vacas felizes
pasto novo
pasto novo
bosta nova
bosta nova
bossa nova
adverte: é seleta e suja minha canção
suga como sugam as putas nas esquinas
prazer
meu nome é verso
que masturba a loucura de um poeta são
canção tosca
burra que choca desde a cloaca da galinha
até a bosta de bush
baixa abaixa tua faixa de Escandinávia
tua marca adesiva
teu zero oitocentos
canção que não canta
água nem mágoa
nem coca nem cola nem preto nem bra
zilda, a cretina, que não sai da minha poesia
canção que é sem chama sem abade sem cássia
sem brasa
e navalha
canção que não anda
insiste
(dobro uma esquina
duas meninas de belas vaginas
imploram três versos da minha poesia
meto-lhes quatro)
louco de uma cólera vadia
e vendida e rouco e frouxo
me guio no desespero e na dor do verso
também
rezo e tropeço na tua tpm gritante
antes de ser
antes de pensar nessa vodca poesia
insisto no vermelho das horas e seus dentes de alumínio
me visto revisto insisto
e inferno
numa meta
linguagem moderna
me quero e te desejo te desejo e não te quero
no mesmo compasso infernal
do laço que faço que alço tão falso
e vejo-te o sal
da vida jogado no ralo entre os pentelhos que denunciam um banho agorapouco
ou na privada pública de um banheiro agoranunca
de um deserto
de um banheiro
de certo
poesia
insisto
nesse ínvio envio filho da puta
que solfejo poética
sexo sem nexo com a palavra
amarga
sexo sem nexo com a palavra
enxada
para arremessar a distância de tudo e de todos
na mesma merda esfumaçada ada amada desamada
liberta em Hiroshima
aberta em Nagazaki
guardo e árduo uma bomba na epiderme
nas fezes
nas fases
frescas de poeta metido e profeta
sete sete sete
toda desgraça transborda poesia
vida também
seis seis seis
e sempre quando minto que não sinto tua ausência
meu pinto me desmente
frente a vagina gozosa e gasosa
da vida poesia errante infame de traças verdes
obri
gado pai filho
e
so
bra
e
som
bra
poesia:
aquela coisa que fica entre o amém e o anéim
Renan Alves Melo
Aluno do Curso Superior de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Goiás.Vencedor de 37 prêmios literários e artísticos na SACEM; Primeiro colocado no prêmio Kelps de poesia falada do ano de 2005; Finalista prêmio SESC de literatura 2006; Primeiro colocado no concurso asas da literatura GREMI; Terceiro colocado no Prêmio Sesi Arte e Criatividade; Segundo Colocado no Prêmio Nacional FAP/FADAP de poesia. Possui um total de 62 prêmios (entre literários e artísticos). Brevemente seu primeiro livro de poesia "Noctâmbulos" será lançado, já que o mesmo foi aprovado pela Lei Goyazes 2007.
COMENTÁRIOS
Comentar usando as redes sociais
Caixa de comentários TUDOIN