Você paga couvert artístico?
Estamos aqui para levar pra galera uma visão do que é realmente esse tal de Couvert artístico....
Olá galera. Após nossa estréia no tudoin como crítico voltado mais para a parte musical e o que está rolando na noite em Inhumas, andei meio que sumido de cena por motivos os mais variados possíveis. Tolice seria se eu dissesse que foi por falta de tempo. Tempo quem faz é a gente. Em tempo, quero deixar registrado aqui que enquanto digito este texto o som que rola em meu computador é o álbum Pride and Glory do Zac Wilde guitarrista do Ozzy Ousborne. "Sonzera", meu! Puro rock and roll.
Bem, deixemos de conversa e vamos ao que interessa neste momento para mim que falar sobre um tema que eu considero polêmico apesar de banal, o Couvert Artístico. Creio que todo mundo que freqüenta bares e restaurantes onde se proporciona música ao vivo boa ou ruim, em alguns destes recintos costuma-se cobrar o tal do couvert artístico. Como diria a canção "Nos Bailes da Vida" de Milton Nascimento e Fernando Brant:
"Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
De tocar um instrumento e de cantar
Não importando se quem pagou quis ouvir"
Pois é, meu, o negócio é esse. O tal do couvert foi uma medida encontrada por alguém que é proprietário destes recintos (não sei quem) encontrou para dar emprego a músicos sem ter que desembolsar sozinho para fazê-lo. Afinal, a profissão de músico existe há centenas de anos e, ser músico aqui no Brasil é dose pra leão. Digo isso porque sou músico e sei muito bem o quanto é difícil descolar um lugar que tenha um palco honesto para se botar a boca no mundo e mandar ver todo tipo de som.
Primeiro o artista, ou pretendente a tal, deve descolar um repertório descente para satisfazer a galera presente, ou seja, o público que está ali mais para farrear do que curtir um som. Mas, convenhamos, barzinho ou restaurante e até mesmo uma reuniãozinha informal com um bom som ao vivo de fundo é outra coisa. A conversa fica mais agradável, a paquera fica mais excitante, a cerveja mesmo não estando daquele jeito desce bem.
Só que a galera sempre chia na hora de pagar o tal couvert. Pior são aqueles "pregos" que ficam pedindo músicas o tempo inteiro e, às vezes enchendo o saco dos músicos ou do proprietário. São estes os que mais reclamam.
Outro dia quando eu estava lá no Nativus curtindo o ambiente, percebi um desses "nó cegos" relutando com o Ari, proprietário do bar, em pagar uma mixaria por um couvert. Eu conheço bem a figura e sei que ele é um dos que pedem música de montão e costuma ficar abraçando o cantor quando está com o rabo cheio de cana. Pô meu, é um pé no saco. Neguim devia desconfiar.
Tá certo que há lugares em que o dono do recinto acha que o freguês é otário e explora cobrando caro o couvert. E, ás vezes o tal cantor é uma bosta. Quanto ao couvert, aqui em Inhumas, eu não considero caro. E, às vezes pode até ser negociado entre o dono e o consumidor. Se nos lembrar-mos que há lugares em Goiânia em que, só por ser Goiânia, o sujeito paga o couvert artístico, os 10 do garçom e ainda uma consumação cara. Mas, como é Goiânia o cidadão paga e nem reclama.
Aqui em Inhumas já não há muita opção para se divertir nos fins de semanas, e, barzinho sem música ao vivo é foda. Apesar de odiar o sertanojo ou o breganeijo, eu respeito a galera que faz esse tipo de som. Afinal, todo mundo tem direito a um lugar ao sol, e aqui tem um pessoal que dá o recado direitinho e faz a festa da turma. Porém, festa mesmo é quando rola uma MPB de primeira variando com o bom e velho rock. De preferência o nacional.
É isso aí pessoal dos "butecos" da vida. Conscientizem-se de que o couvert artístico existe e não é ilegal. Dêem uma força para a turma que rala enquanto vocês curtem. Música é cultura (desde que seja de boa qualidade) e barzinho com som ao vivo é o canal. Bebam com moderação.
Um abraço para a galera de DAMOLÂNDIA!
Viva os BeeGees.
Marcos Borges
Cursando último ano da faculdade de Letras pela Universidade Estadual de GoiásProfessor de língua inglesa e música com trabalhos nos bares, restaurantes e outros eventos da cidade. Marcos trabalha também como produtor e arranjador no estúdio Garage Days.
Lista de Comentários
Já tem esse nome porque é do artista e não do dono do bar que não tem nenhuma dispesa para levar o musico até seu bar...isso é expeculação...
Pra mim isso é esperteza, é achar que o cliente é otário, por isso dificilmente frequento lugares que cobram couvert artistico.
Couvert artístico é o que se paga para um músico por ele estar alí tocando.
Também acho que o dono do bar deveria arcar com o custo do músico, pois isto traz mais clientela. O sujeito está passando na frente do bar, vê um cara com um violâo tocando uma música legal então entra naquele bar. E acho que além do dono do bar pagar um valor pré-estabelecido, deve haver também o couvert artístico opcional onde os clientes também pagam ao músico.
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