Publicado em 21/08/2012 10:25

Tempos de violência, Números Preocupantes do Aumento da Violência em Goiás

Mais assutador ainda, a meu juízo, é perceber que a tipificação desses assassinatos traz na sua essência um componente fracamente hediondo: a participação da instituição policial na eliminação  de alvos, suspeitos ou não.

O Estado, é sabido, traz na sua própria natureza, o apanágio de somente ele poder deter a força. No entanto, o limite para o uso dessa força deve ser objeto de vigília constante da sociedade civil e das instituições capazes de zelar pela paz, pela democracia e pela liberdade. O que ocorreu com Valério e Davi é mais do que a gota d’água para reagirmos contra a truculência.

Impressiona aos olhos mais observadores que, ao analisar com o mínimo cuidado os casos de execução de suspeitos pelos órgãos policiais, parece que o despreparo não é o fator determinante na condução dos excessos mortais, porém a convivência, e talvez até mesmo o endosso tácito dos comandantes e do governo central. O que se vê, invariavelmente, após esses episódios, é o desvio das atenções e a proteção dos envolvidos, ou seja, a velha prática dos panos quentes, a evitar que se aprofundem as investigações e que se punam os verdadeiros culpados, pois que certamente não se trata somente dos que apertaram o gatilho.

Portanto, cabe à sociedade civil se posicionar duramente e exigir apuração de responsabilidades e adequada punição dos culpados, quem quer que sejam. É preciso dar um basta nos desmandos da força policial. Um policial não é um justiceiro nem pode estar acima da lei. Temos de banir o ditado maldito que apregoa que “bandido bom é bandido morto”, pois além de tudo ele tem servido a mais personagens do que aquelas que a mitologia popular considera como bandidos.

No caso de Valério e Davi, basta substituirmos bandidos por inocentes. Finalmente, na qualidade de cidadão indignado, quero me colocar à disposição dos familiares de Valério e Davi para participar de quaisquer atos de protesto e pressão às autoridades, para que esses dois crimes não se tornem letra morta, a permitir, de um lado, que os desmandos da instituição policial perseverem e, de outro, que a dor e a revolta dos familiares e amigos jamais sejam mitigados. Márcio Antônio Cruzeiro

Notícia publicada no Jornal O Goianão ano 33, n. 482 página 3.

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