Hanseníase
Hanseníase uma doença infecto-contagiosa de evolução lenta causada pelo Mycobacterium leprae...
Hoje resolvi falar um pouco sobre Hanseníase, pois acabei de passar por uma experiência no Hospital Universitário de Brasília o que me desencadeou um imenso interesse na ajuda do diagnóstico e tratamento desta patologia devido a existência ainda de inúmeros casos.
Hanseníase é uma doença infecto-contagiosa de evolução lenta (11 a 16 dias), causada pelo Mycobacterium leprae que é um parasita intracelular de alta infectividade e baixa patogenicidade que causa lesões principalmente em olhos, mãos e pés.
Seu diagnóstico baseia-se em uma ou mais lesões na pele com alteração de sensibilidade, acometimento dos nervos periféricos e seu espessamento e o exame de baciloscopia positivo.
A única fonte de infecção é o homem, onde a contaminação ocorre por contato direto com uma pessoa portadora do bacilo não tratada. A via de eliminação e a porta de entrada do bacilo são as vias aéreas superiores, podendo atingir qualquer faixa etária ou sexo, sendo rara em crianças.
As condições individuais e socioeconômicas desfavoráveis, condições de vida precária e saúde, endemia e aglomerados são fatores de risco para adquirir a doença.
São dois tipos:
- Paucibacilares (PB): pessoas resistentes ao bacilo e com até 5 lesões na pele.
- Multibacilares (MB): pessoas não-resistentes ao bacilo, onde este se multiplica pelo corpo e é eliminado pelas vias aéreas superiores. Apresentam mais de 5 lesões na pele.
Os aspectos clínicos dermatológicos são manchas discrômicas (brancas), placa, infiltração, tubérculo e nódulo. Acomete face, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas.
Os aspectos neurológicos são dor (neurite) e espessamento dos nervos periféricos, perda de força principalmente de pálpebras, mãos e pés. Se não tratada as alterações neurológicas o quadro pode evoluir para deformidades e incapacidades.
Existem 4 formas clínicas da hanseníase:
- Indeterminada: a baciloscopia é negativa. Há manchas esbranquiçadas com alteração de sensibilidade em nádegas, coxas e região de deltóide.
- Tuberculóide: é uma forma mais grave. Há presença de micropápulas e placas com alteração de sensibilidade, vasomotora e sudorese. Aqui os nervos encontram-se espessados.
- Virchowiana: é a forma infectante. Há presença de manchas infiltradas com nódulos, placas e pápulas. Há queda da sombrancelha, distúrbios motores, nervosos, tróficos e alteração de sensibilidade. Há espessamento neural e lesões oculares.
- Dimorfa ou Boderline: lesões na pele associada a reações tuberculóide. Há anestesia e sudorese.
O diagnóstico é realizado pela anamnese (queixa principal e história do paciente), pela avaliação dermatoneurológica, diagnóstico dos estados reacionais (reação tipo 1 e 2), diagnóstico diferencial e classificação do grau de incapacidade.
Os nervos mais acometidos são o trigêmio, facial, radial, ulnar, mediano, fibular comum e tibial posterior.
Na avaliação clínica, durante a inspeção, deve-se analisar:
- Olhos: pálpebras pesadas, madarose, triquíase, ectrópio, ardor, coceira, lacrimejamento, nódulos, secreção.
- Nariz: entupido, sangramento ou ressecamento, pele, mucosa, septo nasal, desabamento do nariz, crostas, atrofias, infiltrações.
- MMSS: diminuição de força, dormência, ferimentos, cicatrizes, atrofias, reabsorção óssea.
- MMII: dor, dormência, diminuição de força, inchaço, ressecamento de pele, úlceras, ferimentos, calos, reabsorção óssea, atrofias, marcha.
Durante a palpação deve-se observar dor ou choque, espessamento neural, se o nervo está mais endurecido ou amolecido, abscessos ou nódulos nos nervos e aderências.
Para um diagnóstico laboratorial o exame é a baciloscopia, que nem sempre dá positivo, devendo ser associado à avaliação clínica.
A hanseníase pode ser confundida com outras doenças de pele também, e até mesmo com doenças neurológicas, mas o que a diferencia é a perda da sensibilidade no local da lesão.
A doença tem cura, sendo o tratamento baseado na polioquimioterapia (PQT) e acompanhamento médico e fisioterápico devido complicações, contra-indicações, intercorrências e o tratamento das incapacidades.
O tratamento baseia-se na administração de rifampicina, dapsona e clofazimina, em doses diárias e doses supervisionadas, onde estas matam o bacilo impedindo de infectar outras pessoas. São 6 doses para os paucibacilares e 12 doses para os multibacilares.
O objetivo então da fisioterapia é:
- Evitar ou diminuir retrações dos tecidos moles.
- Manter ou recuperar a mobilidade articular.
- Evitar deformidades.
- Manter o tônus.
- Melhorar a força muscular.
Suas indicações são:
- Exercícios passivos: Retração de tecidos moles (dedos em garra, diminuição do espaço da 1ª comissura e outros); Paralisias e paresias.
- Exercícios ativos assistidos: Dedos em garra; Fraqueza muscular (paresia).
- Exercícios ativos: Fraqueza muscular (paresia).
Letícia Martins
Graduada em Fisioterapia pela UCG e Especialista em Saúde da Mulher pelo CEAF/UCG. Mestranda em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília.Fisioterapeuta do Hospital Ortopédico de Goiânia (HOG) com atuação em Ortopedia e Respiratória. Fisioterapeuta de março a junho de 2008 no Hospital Universitário de Brasília (HuB) no tratamento de pacientes portadores de Hanseníase. Artigo Publicado na Revista Fisio&terapia e na Revista digital Efdeportes: Atuação da Cinesioterapia no fortalecimento muscular do assoalho pélvico feminino: revisão bibliográfica.
Lista de Comentários
fico grato pela atenção e espaço
sou fisio tbm...e tenho um paciente que ´portador de hanseniase em tratamento..teve uma fratura do tuberculo maior do umero. Vc ve alguma contra indicação do uso de crioterapia em pacientes com hanseniase? nao achei nada sobre o assunto...deduso que não aja..
abrigado...abraços
Leve desvio lateral da coluna dorsal com convexidade para esquerda.
- Acentuação da lordose cervical
- Reaçoes ósteo-hipertroficas incipientes em C5 e C6
Pois goataria de saber se isto é fibromialgia?
ou ortosporose?
obrigado Cristina
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